IPP sobe 4,78% em março, mostra IBGE

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IPP sobe 4,78% em março, mostra IBGE (Foto: Pexels) IPP sobe 4,78% em março, mostra IBGE

Em março de 2021, os preços da indústria subiram 4,78% frente a fevereiro, segunda maior alta desde janeiro de 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado no ano atingiu 14,09% e foi o maior da série, para um mês de março. O acumulado em 12 meses (33,52%) também foi recorde. Em março, pelo terceiro mês consecutivo, 23 das 24 atividades tiveram alta de preços.

Em março de 2021, os preços da indústria subiram 4,78% frente a fevereiro, a segunda maior alta da série histórica deste indicador, que começa em janeiro de 2014. As quatro maiores variações foram nas atividades refino de petróleo e produtos de álcool (16,77%), outros produtos químicos (8,79%), madeira (7,73%) e papel e celulose (7,18%).

As maiores influências foram: refino de petróleo e produtos de álcool (1,53 p.p.), outros produtos químicos (0,74 p.p.), alimentos (0,58p.p.) e metalurgia (0,41 p.p.).

O acumulado no ano atingiu 14,09%, contra 8,88% em fevereiro/2021, e foi o mais alto para um mês de março, em toda a série da pesquisa. Entre as atividades com as maiores variações estão: indústrias extrativas (49,57%), refino de petróleo e produtos de álcool (37,82%), outros produtos químicos (24,89%) e metalurgia (21,47%). Os setores de maior influência foram: refino de petróleo e produtos de álcool (3,19 p.p.), indústrias extrativas (2,73 p.p.), outros produtos químicos (1,99 p.p.) e metalurgia (1,40 p.p.).

O acumulado em 12 meses foi de 33,52% (outro recorde da série). As quatro maiores variações foram em indústrias extrativas (136,25%), refino de petróleo e produtos de álcool (52,78%), metalurgia (45,76%) e outros produtos químicos (44,92%). Os setores de maior influência foram: alimentos (7,58 p.p.), indústrias extrativas (5,55 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (4,70 p.p.) e outros produtos químicos (3,63 p.p.).

A variação de preços de 4,78% em relação a fevereiro repercutiu da seguinte maneira entre as grandes categorias econômicas: 2,95% em bens de capital; 5,70% em bens intermediários; e 3,63% em bens de consumo, sendo que 0,45% foi a variação observada em bens de consumo duráveis e 4,27% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

A influência das categorias econômicas sobre o IPP (4,78%) foi: 0,21 p.p. de bens de capital, 3,30 p.p. de bens intermediários e 1,27 p.p. de bens de consumo. No caso de bens de consumo, 0,03 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo duráveis e 1,25 p.p. nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

No acumulado no ano (14,09%), a variação foi de 7,32% em bens de capital (com influência de 0,53 p.p.), 19,78% em bens intermediários (11,02 p.p.) e 6,86% em bens de consumo (2,54 p.p.). Este último resultado foi influenciado em 0,26 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e em 2,28 p.p. pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Na comparação março 2021/março 2020, a variação de preços da indústria alcançou 33,52%, com as seguintes variações: bens de capital, 18,60% (1,43 p.p.); bens intermediários, 44,75% (24,14 p.p.); e bens de consumo, 20,71% (7,94 p.p.), sendo que a influência de bens de consumo duráveis foi de 0,96 p.p. e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis de 6,98 p.p. A seguir, os principais destaques:

Indústrias extrativas: em março, os preços do setor variaram, em média, 4,38%, terceira variação positiva consecutiva, embora a menor das três (12,03% em janeiro e 27,91% em fevereiro). Com o resultado de março, a variação no trimestre chegou a 49,57%, a maior já observado para o mesmo mês e o segundo na série (50,31%, em outubro de 2020), que no caso acumulava a variação de dez meses. Por sua vez, a comparação entre março de 2021 e março de 2020 é a maior já observada, 136,25%.

O destaque dado ao setor se deve ao fato de, no acumulado, ser a mais intensa variação e a segunda influência (2,73 p.p., em 14,09%) e, na variação dos últimos 12 meses (M/M-12), da mesma forma, a principal variação e a segunda influência (5,55 p.p., em 33,52%).
Alimentos: em março, os preços do setor aceleraram para 2,41%, na comparação com o mês anterior, (1,22% em fevereiro e 1,49% em janeiro). É o maior resultado desde novembro (2,59%). Com o resultado de março, o acumulado saiu de 2,73%, em fevereiro, para 5,21%. Já na comparação março de 2021 contra março de 2020, a variação foi de 31,49%.

O destaque dado ao setor, que é o que mais contribui para o resultado agregado da indústria (23,69%), se deve ao fato de ter sido a terceira maior influência na comparação março contra fevereiro (0,58 p.p., em 4,78%) e a primeira no M/M-12 (7,58 p.p., em 33,52%).
Apenas um produto, “óleo de soja em bruto, mesmo degomado”, figura entre aqueles destacados tanto em termos de variação quanto de influência. Entre as maiores variações, todas positivas, estão um outro derivado de soja e dois produtos do abate e fabricação de produtos de carne. Já entre os de maior influência, entre os quatro listados, cuja influência agregada foi de 0,94 p.p., em 2,41%, aparecem igualmente dois derivados de soja (“resíduos da extração de soja” é o único com variação negativa), um de cana-de-açúcar e “carnes de bovinos frescas ou refrigeradas” (que, nessa perspectiva, entra no lugar de “carnes de bovinos congeladas”, destacada em termos de variação).

O avanço dos preços em março está em linha com a depreciação do real (4,2%, na comparação março/fevereiro, e 9,7% no acumulado do primeiro trimestre de 2021). A variação negativa observada em “resíduos da extração de soja” se explica por uma contingência de mercado, oferta relativamente maior que a demanda. A entressafra da cana-de-açúcar ajuda a explicar o movimento dos preços do “açúcar VHP (very high polarization)”, assim como, diante de um mercado externo dinâmico, a pressão dos frigoríficos sobre o abate de reses auxilia na compreensão do movimento dos preços da carne bovina.

Refino de petróleo e produtos de álcool: a variação de 16,77% observada em março contra fevereiro é a sexta positiva consecutiva (em setembro de 2020, -2,83% frente a agosto, foi a última variação negativa). Mesmo assim, há de se observar que as variações de fevereiro (12,12%) e de março são as mais intensas. De outubro a janeiro, a variação média foi de 3,70%, contra a média de 14,44% entre fevereiro e março. O acumulado no ano saiu de 18,03%, em fevereiro, para 37,82%, maior ponto da série quer se olhem apenas os resultados de março, quer se considerem todos os meses. Também é o ponto mais alto da série, a variação observada na comparação mês contra igual mês do ano anterior, que chegou a 52,78% e substitui o recorde anterior de 42,41%, de julho de 2018.

O destaque dado ao setor, que é a segunda maior contribuição para o cálculo do resultado agregado para as indústrias extrativas e de transformação (10,18%), está espalhado em todos os indicadores calculados: no indicador mensal é a maior variação e a maior influência (1,53 p.p., em 4,78%); no acumulado no ano é a segunda maior variação e a primeira influência (3,19 p.p., em 14,09%); e no acumulado em 12 meses é a segunda maior variação e a terceira influência (4,70 p.p., em 33,52%).

Em termos de produtos, os mesmos que figuram entre as maiores variações, também aparecem entre as maiores influências (15,82 p.p., em 16,77%). Três deles são derivados de óleo de petróleo e um, o “álcool etílico (anidro ou hidratado)”, é um biocombustível. Salienta-se ainda que os quatro produtos em questão são os de maior peso no cálculo do resultado do setor (no agregado somam 84,81%).

Outros produtos químicos: em março, os preços da indústria tiveram variação média de 8,79%, nono aumento consecutivo e a segunda maior variação positiva em toda série desta atividade. O setor acumulou variação positiva de 44,92% nos últimos 12 meses e de 24,89% no primeiro trimestre do ano - ambos são os maiores valores em suas séries.

Os resultados observados nos últimos meses estão ligados principalmente aos preços internacionais e ao aumento do preço de diversas matérias-primas importadas ou não, como por exemplo a nafta, em grande parte devido à depreciação do real frente ao dólar, que atingiu 4,2% no mês, 9,7% no ano e 15,6% nos últimos 12 meses.

Em relação aos grupos econômicos da atividade, os destaques foram as variações ocorridas em “fabricação de resinas e elastômeros”, com 13,85% no mês, acumulando 36,88% nos três primeiros meses do ano e 92,14% de variação em 12 meses; e em “fabricação de produtos químicos inorgânicos”, com uma variação de 10,35% no mês, alcançando 29,65% no ano e 43,64% no acumulado em 12 meses. Em relação a “fabricação de defensivos agrícolas e desinfestantes domissanitários”, o resultado foi de 2,09% no mês, acumulando 5,44% no ano e 15,03% no período de 12 meses.

No tocante aos quatro produtos que mais influenciaram o resultado no mês (4,62 p.p. em 8,79%), houve aumento de preços em todos, a saber: “adubos ou fertilizantes à base de NPK”, “polipropileno (PP)”, “polietileno linear, com densidade inferior a 0,94” e “propeno (propileno) não saturado”. O primeiro produto apresentado é um representante do grupo de químicos inorgânicos e os dois seguintes do grupo de resinas e elastômeros. Os demais 35 produtos da atividade responderam por 4,17 p.p. da variação final de 8,79% deste setor.

Metalurgia: ao comparar os preços de março contra fevereiro, houve uma variação de 5,92%, nona variação positiva seguida na atividade. Com este resultado, o setor de metalurgia acumulou, nos últimos 12 meses, uma variação de 45,76% e, no primeiro trimestre do ano, 21,47%. A variação mensal foi a terceira maior de toda a série, só perdendo para as variações de janeiro e fevereiro deste ano.

Desta forma as variações acumuladas no ano e em 12 meses foram as maiores em toda a pesquisa do IPP, iniciada em janeiro de 2010. Uma outra informação de destaque é que, entre dezembro de 2018 (base da série atual) e março de 2021, os preços do setor tiveram uma variação acumulada de 60,47%, perdendo apenas para a variação de preços das indústrias extrativas, 147,63%.

Os resultados dos últimos meses estão ligados à combinação dos resultados dos grupos siderúrgicos (ligado aos produtos de aço) e do grupo de materiais não ferrosos (cobre, ouro e alumínio), que têm comportamentos de preços diferenciados. O primeiro, ligado ao setor siderúrgico, é afetado pelos preços do minério de ferro e a apreciação do dólar frente ao real. Em relação ao segundo grupo – materiais não ferrosos – os valores costumam apresentar seus resultados ligados às cotações das bolsas internacionais.

Entre os grupos econômicos da atividade, o siderúrgico apresentou uma variação de 8,24%, acumulando 27,25% no ano e 56,87% em 12 meses, e esses três valores ficaram acima das médias da atividade. A influência dos quatro produtos preponderantes, no mês, foi de 3,60 p.p., e nos demais 20 produtos analisados, de 2,32 p.p.

Os quatro produtos que mais influenciaram os resultados no mês e no ano, todos com variações positivas, foram: “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”, “bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos”, e “chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2 mm” no mês e no trimestre, além de “barras, perfis e vergalhões de cobre de ligas de cobre” destaque no mês e “óxido de alumínio (alumina calcinada)” com destaque no ano.

(Redação – Investimentos e Notícias)