Finanças pessoais

Open Finance chega a sua 4ª fase, com abertura de investimentos

O Open Finance está em sua quarta fase no Brasil e, com isso, os clientes bancários já podem compartilhar suas informações sobre investimentos entre as instituições financeiras que participam do projeto.

Segundo o Banco Central, que é regulador do sistema, os dados servem para que as empresas possam oferecer ao consumidor ofertas de produtos e serviços personalizados, além de custos mais atrativos. Inclusive, o Open Finance deve ganhar tração à medida em que o cliente identifique vantagens em usá-lo, aponta Carolina Sansão, diretora adjunta de Inovação, Tecnologia e Cibersegurança da Febraban.

“Avaliamos que a quarta fase do Open e as novas iniciativas que ainda surgirão gerarão competitividade no mercado, novas oportunidades de negócio para os participantes e melhores serviços e produtos para os nossos clientes”.

Para quem ainda não conhece, o processo do Open Finance funciona por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações), que fazem a conexão entre as instituições e permite a troca de informações entre elas de forma totalmente padronizada.

Ou seja, ao passo que o usuário autoriza o compartilhamento de suas informações, as companhias podem utilizar aqueles dados para trabalhar a comercialização de produtos, desde que seja para a finalidade especificada e dentro de um período determinado.

Dados

Somente em setembro, o Open Finance registrou 40 milhões de consentimentos ativos de clientes, o que significa uma alta de 90% ante janeiro deste ano. Um estudo da Oliver Wyman – que presta consultoria para a Febraban no Open Finance – mostrou que o número de usuários poderá chegar a 60 milhões até 2025.

Além disso, o sistema conta com mais de 800 instituições cadastradas entre bancos, cooperativas de crédito, fintechs e instituições iniciadoras de transações de pagamentos.

Com a novidade, os usuários poderão autorizar instituições em que ainda não possuem relacionamento, a ter acesso a seus investimentos em outros locais, tais como CDB, Tesouro Direto, fundos de investimento e ações.

A partir de 2024, a quarta fase também prevê o compartilhamento de dados sobre câmbio, maquininhas de cartões, seguro, previdência e capitalização.

Produtos

Desde o início da implementação do Open Finance já foram mapeados mais de 45 produtos e serviços oferecidos aos clientes, entre eles, de agregadores financeiros, para iniciação de pagamentos e serviços voltados para cashbacks e tarifas.

O BC acompanha em tempo real as iniciativas e “tem sido bastante ativo na garantia da evolução do ecossistema e no endereçamento de desafios técnicos”, analisa Carolina.

Outras fases

Vale lembrar que o início da implementação dessa infraestrutura se deu em fevereiro de 2021, com o compartilhamento de informações sobre seus canais de atendimento.

Já na segunda fase, as instituições iniciaram as trocas de informações cadastrais dos clientes, como endereço, renda e dados pessoais. Em seguida, houve também a troca de informações relacionadas a contas de movimentação, seguido do intercâmbio de informações de operações de crédito e de cartões de crédito.

A terceira fase, por sua vez, permitiu que o cliente estivesse apto a iniciar pagamentos de contas e transferências bancárias fora do internet banking ou do aplicativo do banco, por meio de um app intermediário.

Agora, a quarta fase chega para tratar do mercado de investimentos, seguindo, até o momento, o cronograma provisionado pelos bancos (dada a complexidade do projeto, que passou por ajustes em seu calendário).

Além disso, a etapa é considerada complexa, visto a junção de outros participantes e reguladores fora do sistema bancário.

Por fim, para que o Open Finance chegue aos clientes de forma segura, um time de especialistas trabalha constantemente em melhorias. Com isso, todas as operações realizadas ocorrem em um ambiente com diversas camadas de proteção, seguindo padrões consolidados internacionalmente.