Após oscilar em baixa no Brasil mais cedo, o dólar ganhou força no fim da manhã e passou a renovar máximas ante o real, novamente acima dos R$5,20, em meio a uma piora generalizada nos mercados globais após a abertura em baixa da bolsa de Nova York.
O avanço do dólar ante o real neste início de tarde ocorre em sintonia com o ganho de força da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, incluindo pares do real na América Latina.
Depois de registrar a cotação mínima de R$5,1659 (-0,81%) às 11h45, o dólar à vista avançou à máxima de R$5,2493 (+0,79%) às 12h18, em movimento em sintonia com a virada do Ibovespa para o negativo e do fortalecimento das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).
Às 12h35, na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,79%, aos R$5,2385.
Profissionais chamaram a atenção para a abertura negativa de Wall Street, em meio à queda de mais de 10% das ações da Microsoft após a divulgação de resultados da companhia.
Além do real, moedas pares como o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano também se enfraqueceram em relação ao dólar após a abertura do mercado de ações em Nova York.
Às 12h35, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,46%, a 96,610, após mostrar maior acomodação pela manhã.
Na noite de quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a manutenção da taxa básica Selic em 15% ao ano, como era largamente esperado, mas deixou claro que poderá iniciar o ciclo de cortes de juros em março no Brasil.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, disse o BC em comunicado. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”
O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.
Nos EUA, por exemplo, a taxa de referência segue na faixa de 3,50% a 3,75%, e na tarde de quarta-feira o Federal Reserve deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes.
Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.
Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil — com destaque para a bolsa — tem pesado sobre as cotações do dólar, que se reaproximou dos R$5,20.
(Com Reuters)