O Banco Central tem compromisso com a meta de inflação de 3% e tem tomado providências para que ela retorne ao intervalo de tolerância e atinja o alvo, disse nesta quinta-feira o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.
Após descumprimento do alvo contínuo por seis meses consecutivos no ano até junho, Galípolo previu em carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que a taxa de inflação retornará ao intervalo de tolerância da meta a partir do final do primeiro trimestre de 2026. Até lá, segundo ele, o BC vai reforçar sua comunicação.
“Durante o período de desenquadramento, o Banco Central investirá no reforço da comunicação sobre as razões do descumprimento da meta, sobre as medidas adotadas e sobre a evolução do cenário de convergência da inflação”, disse.
A inflação no país acumulou 5,35% nos 12 meses encerrados em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permanecendo em todos os meses de 2025 acima do teto da meta contínua de 3%, que tem margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O Brasil adotou a meta contínua de inflação a partir deste ano, prevendo que o BC deve se explicar ao governo se o alvo for descumprido por seis meses consecutivos.
A regra prevê que o BC divulgue publicamente as razões do descumprimento, detalhando as causas, as medidas necessárias para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo esperado para que as medidas produzam efeito.
No documento, Galípolo disse que o atual horizonte relevante da política monetária é o último trimestre de 2026 e que o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que a condução da política de juros está adequada e compatível com a estratégia de convergência da inflação nesse horizonte.
Em junho, o BC elevou a Selic a 15%, maior patamar em duas décadas, prevendo que a taxa permanecerá nesse patamar por período bastante prolongado para levar a inflação à meta.
Razões
- Na carta, o presidente do BC disse que a inflação acima do intervalo de tolerância observada até o momento é consequência de uma série de fatores, com maior peso para a inércia inflacionária do período anterior, a desancoragem das expectativas de mercado e a baixa ociosidade da economia.
- “A atividade econômica mostrou-se dinâmica e surpreendeu positivamente… As expectativas de inflação mantiveram-se bastante superiores à meta desde meados de 2024”, disse.
- Também contribuíram para preços mais altos, segundo ele, a inflação importada (relacionada à desvalorização cambial) e a bandeira tarifária de energia elétrica.
- “Os efeitos defasados da alta do câmbio ao longo de 2024 ainda tiveram forte impacto na inflação medida no segundo trimestre de 2025, como pode ser observado com a inflação de bens industriais e alimentos industrializados pressionada”, apontou.
- Ele enfatizou que o BC reiniciou ciclo de aperto monetário em setembro de 2024, elevando a Selic em 4,5 pontos percentuais até junho deste ano para levar a inflação à meta, ressaltando que o objetivo será cumprido a partir da permanência dos juros em nível significativamente contracionista por período bastante prolongado.
(Com Reuters)