Como funciona a caderneta de poupança

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No Brasil, a caderneta de poupança se tornou o investimento mais popular e tradicional entre a população. Por mais que muitas pessoas acreditem que a poupança seja uma boa escolha, é de extrema importância ter conhecimento completo sobre a aplicação.

Isso porque, se analisada sua rentabilidade, é possível perceber que este investimento não tem apresentado os melhores resultados aos poupadores do País.

História da caderneta de poupança

A caderneta de poupança foi criada em 12 de janeiro de 1861 pelo Imperador Dom Pedro II, por meio do decreto nº 2.723 que tinha a finalidade de ajudar as pessoas a armazenar uma quantia de dinheiro periodicamente.

No início desta atividade, eram utilizados pequenos cadernos para anotar o valor poupado e os juros arrecadado. Daí vem o nome usado até hoje: caderneta.

A princípio, esta modalidade foi determinada para a população de baixa renda. Conforme o decreto nº 5153 de 1872, foi autorizado que escravos utilizassem a poupança para armazenar dinheiro. Além disso, naquela época, era permitido depósitos de até 50 mil réis.

No começo, a caderneta de poupança pagava 6% de juros ao ano para os poupadores. E como regra estipulada, a pessoa podia solicitar a devolução do dinheiro quando desejasse. Mas, a partir de 1874, ocorreu alteração do rendimento da poupança, no qual foi estabelecido que as taxas de juros não podiam ser superiores a 6% ao ano, fazendo com que os valores ficassem constantes ao longo do ano.

Em 1915, o decreto nº 11.820 permitiu que mulheres casadas pudessem abrir uma conta poupança. Entretanto, só era possível realizar o procedimento com o aval do marido.

A partir de 1934, através do decreto nº 24.427, novas regras para depósito foram criadas e colocadas em prática. Além disso, teve início o controle e a fiscalização das Caixas Econômicas que existiam naquela época, por meio do Conselho Superior.

Apenas em 1964, com a lei nº 4.380, novas mudanças ocorreram na caderneta de poupança. A partir daquele ano, a regra do cálculo da rentabilidade passou a ser a taxa de 0,5% mensal, mais correção monetária.

Ao longo dos anos a poupança foi ganhando espaço no mercado e alguns benefícios, que se perpetuam até hoje, como por exemplo a isenção do Imposto de Renda (IRPF) e a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Como funciona o rendimento da caderneta de poupança

A regra para o rendimento da poupança é igual para todos os bancos. Logo, uma conta no banco X ou no Y terá a mesma remuneração.

O rendimento é calculado mensalmente sobre o dinheiro que está na conta poupança. E o valor dos juros é depositado automaticamente em cada data de aniversário, que pode ser o dia que a conta foi aberta ou a data em que o depósito foi realizado.

As pessoas que recebem depósitos em várias datas no mês podem ter várias datas de aniversário. Além disso, é importante estar ciente de que os depósitos feitos nos dias 29,30 ou 31 do mês terão a data de aniversário definida para o 1º dia do próximo mês.

O rendimento da caderneta de poupança

Após a alteração das regras da rentabilidade da poupança em 2012, a remuneração passou a ser formada da seguinte maneira:

Remuneração Básica

A remuneração da poupança depende do valor da taxa referencial (TR). Esta taxa é calculada diariamente pelo Banco Central do Brasil.

Remuneração Adicional

A Taxa Selic possui grande influência na remuneração da poupança. Dependendo do valor da Selic, o cálculo será diferente. Veja como:

  • Caso a taxa Selic esteja menor ou igual a 8,5% ao ano, então o rendimento da poupança é igual a 70% da Selic mais a Taxa Referencial.
  • Caso a Selic esteja maior que 8,5% ao ano, então a poupança terá um retorno fixo de 0,5% mais a TR.

Atualmente, não existe um valor limite para depósitos na caderneta de poupança. No entanto, é preciso que se tenha atenção para que o dinheiro não sofra desvalorização devido à inflação.

Esta taxa atua nos preços de alguns produtos e serviços. E, quando o rendimento da poupança não supera a inflação, o investidor vai precisar ter mais dinheiro para adquirir os produtos ou serviços desejados.

Para entender o efeito da inflação sobre os juros da caderneta de poupança, é preciso considerar dois valores:

  • Retorno Absoluto: apresenta o rendimento bruto da aplicação. Ou seja, representa o valor do investimento sem nenhum desconto.
  • Retorno Real: mostra o rendimento da poupança com o desconto da inflação.

Analisando esses valores, é possível compreender que a rentabilidade real da caderneta de poupança é baixa.

Acompanhe a rentabilidade da caderneta em 2018 mês a mês:

Rendimento da Caderneta de Poupança - 2018
Mês Retorno Absoluto (%) Retorno Real (%) Inflação (%)
Julho 0,37 0,04 0,33
Junho 0,37 -0,88 1,26
Maio 0,37 -0,03 0,30
Abril 0,37 0,15 0,22
Março 0,39 0,09 0,30
Fevereiro 0,40 0,08 0,32
Janeiro 0,40  0,10 0,39

 

Agora, veja o rendimento mensal da poupança no último ano:

Rendimento da Caderneta de Poupança - 2017
Mês Retorno Absoluto (%) Retorno Real (%) Inflação (%)
Janeiro 0,67 0,29  0,38 
Fevereiro 0,53  0,20  0,33 
Março 0,65  0,40  0,25 
Abril 0,50  0,36 0,14 
Maio 0,58  0,27  0,31 
Junho 0,55  0,78  -0,23 
Julho 0,56  0,32  0,24 
Agosto 0,55  0,36  0,19 
Setembro 0,50  0,34  0,16 
Outubro 0,47  0,05  0,42 
Novembro 0,43  0,01  0,28 
Dezembro 0,43  -0,01  0,44 

 

Para ficar mais fácil entender, veja o rendimento anual da poupança nos últimos anos:

Rendimento da Poupança - Anual
Ano Retorno Absoluto (%) Retorno Real (%)
2017 6,61   3,55
2016 8,30 1,89 
2015 8,15  -2,28 
2014 7,16  0,71 
2013 6,37 0,43 
2012 6,47  0,60 
2011 7,50  0,94 
2010 6,90 0,94 
2009 7,05 2,63 
2008 7,90 1,89 
2007 7,77 3,17 
2006 8,40  5,10 
2005 9,21  3,33 
2004 8,10 0,46 
2003 11,21  1,75 
2002 9,27  -2,90 
2001 8,63  0,89 
2000 8,32  2,21 
1999 12,76  3,50 
1998 15,16  13,28 
1997 16,85  11,05 
1996 16,34  6,19 
1995 40,38  14,68 

Existem muitas possibilidades além da caderneta de poupança e o investidor pode encontrar no mercado financeiro investimentos que oferecem retornos mais interessantes.

Por isso, muitos poupadores têm buscado novos caminhos para aplicar suas economias. Algumas das alternativas são os investimentos de renda fixa. Essa categoria abrange aplicações que podem ser emitidas por instituições financeiras, como empresas de financiamento, bancos ou até mesmo o governo.

Mas, antes de aproveitar essas oportunidades, o investidor deve conhecer melhor esses investimentos para verificar as melhores opções de acordo com seu perfil e objetivos financeiros.

Além disso, contar com ajuda de profissionais habilitados pode ser um grande diferencial nesse momento, principalmente para aqueles que estão descobrindo todas as possibilidades que o mercado financeiro oferece.