Empresas brasileiras investiram cerca de US$ 79 milhões em IoT

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Ainda há importantes obstáculos no caminho das organizações que buscam capitalizar a Internet das Coisas. Foto: Divulgação Ainda há importantes obstáculos no caminho das organizações que buscam capitalizar a Internet das Coisas.

A Tata Consultancy Services (TCS), (BSE: 532540, NSE: TCS), empresa líder em serviços de TI, consultoria e soluções de negócios, apresentou um estudo sobre os impactos das tecnologias de Internet das Coisas (IoT) em um vasto espectro de segmentos ao redor do mundo.

O estudo TCS Global Trends, que entrevistou 795 executivos de grandes multinacionais, identificou o enorme potencial da IoT para elevar as receitas e também destacou os grandes desafios enfrentados pelas empresas que estão promovendo a transição para esse novo modelo de negócios.

Comentando o estudo, Natarajan Chandrasekaran, CEO e diretor de operações da TCS, afirma que "a era da Internet das Coisas já está bem adiantada. A questão é se as empresas estão prontas para explorar todo o potencial dessas tecnologias. Nosso mais recente estudo de tendências globais revelou que aqueles que lideram o uso das tecnologias de IoT estão aplicando-as para reimaginar completamente suas operações, modificando todos os aspectos da empresa, desde o modelo de negócios e produtos até processos e ambiente de trabalho".

O executivo acrescenta que "agora é o momento de cada líder em cada segmento de atividade reinventar as possibilidades para seus negócios em um mundo de 'coisas inteligentes conectadas".

Em todos os segmentos, aquelas empresas que estão investindo na IoT reportam um crescimento expressivo da receita como resultado dessas iniciativas, com um aumento médio de 15,6%em 2014. Praticamente uma em 10 (9%) organizações teve uma elevação de pelo menos 30% na receita.

Os executivos ainda encaram a IoT como uma área de crescimento para os negócios. Entre as 795 empresas entrevistadas, 12% dos líderes de negócios planejam investir US$ 100 milhões em 2015 e 3% buscam fazer um investimento mínimo de US$ 1 bilhão. O relatório também mostrou que as empresas esperam que seus orçamentos para IoT continuem crescendo ano a ano, com valores que devem aumentar 20% até 2018, somando US$ 103 milhões.

Empresas na vanguarda dessa onda de inovação têm conquistado grandes resultados a partir de seus investimentos na IoT. Um grupo de 8% dos entrevistados, selecionado com base no melhor retorno sobre investimentos em IoT, reportou um surpreendente ganho médio de receita de 64% em 2014 como resultado direto dessas iniciativas. Atualmente, o maior impacto nos negócios é a possibilidade de oferecer mais serviços e produtos personalizados, no entanto, até 2020, isso deixará de ser uma função de marketing para se tornar um meio de aumentar as vendas por meio de maior valor agregado para os clientes.

Esse fato está contemplado na constatação de que o uso mais frequente das tecnologias de IoT pelas empresas é o monitoramento de clientes através de aplicativos móveis - quase metade de todas as empresas (47%) adota essa prática. Mais da metade (50,8%) das organizações que lideram as iniciativas de IoT admite investir nessas tecnologias para rastrear seus produtos e saber como eles estão se comportando, enquanto isso acontece apenas com 16,1%dos entrevistados com os níveis mais baixos de retorno sobre investimentos em IoT.

Apesar dos dados animadores sobre investimentos em IoT e os impactos positivos na receita, o relatório também revelou que ainda existem grandes desafios para tornar realidade a promessa da IoT para empresas em todos os segmentos. O estudo constatou que os três principais obstáculos são:

I. Cultura corporativa: os entrevistados identificaram como uma importante barreira a incapacidade de fazer os funcionários mudarem a maneira como enxergam clientes, produtos e processos;

II. Liderança: é fundamental ter altos executivos que acreditem na IoT e estejam dispostos a investir tempo e recursos;

III. Tecnologia: questões em torno da tecnologia continuam sendo motivo de preocupação, incluindo a capacidade de lidar com grandes volumes de dados, desenvolvimento interno versus externo, a integração da IoT com sistemas corporativos, segurança e confiabilidade.

Em relação ao setor de Saúde, o setor tem sido aclamado como aquele com maior potencial para se beneficiar com a IoT, porém continua sendo um dos segmentos mais subdesenvolvidos nesse campo devido a restrições regulatórias e preocupações relacionadas à segurança de dados que atualmente dificultam a inovação. O setor planeja investir apenas 0,3% de sua receita em IoT em 2015, mas aumentará esse valor em pelo menos 30% até 2018. O segmento da saúde impulsionado pela IoT deve valer US$ 117 bilhões até 2020.

De outro lado, o segmento de Manufatura Industrial reportou o maior aumento na receita gerado pela IoT, com uma média de 28,5%, seguido pelos setores de Serviços Financeiros (17,7%) e Mídia & Entretenimento (17,4%). A indústria Automotiva tem o menor ganho de receita com apenas 9,9%.

O relatório, que abrange tendências de 13 grandes setores, identificou que os investimentos em grande escala em infraestrutura e monitoramento de IoT não se limitam à Manufatura. Os segmentos de Viagem, Transporte e Hospitalidade planejam investir 0,6% de suas receitas este ano. Empresas de Mídia & Entretenimento investirão 0,57% da receita em IoT também este ano – valores significativamente maiores do que a média de 0,4% e 0,44%que será investida por Bancos e Serviços Financeiros.

O aumento da receita está sendo registrado em várias partes do mundo, com todas as regiões reportando crescimento de dois dígitos em 2014. As empresas norte-americanas tiveram os maiores ganhos, 18,8% em relação ao ano anterior. A Europa como um todo apresentou um crescimento de 12,9%, enquanto a região Ásia-Pacífico viu um aumento de 14,1%. Já a América Latina comemorou um impressionante crescimento de 18,3%. Em 2015, as empresas europeias planejam investir US$ 93,9 milhões em média, com as empresas francesas liderando o grupo (US$ 138 milhões em média) à frente da Alemanha (US$ 86,2 milhões) e do Reino Unido (US$ 80,9 milhões).

Companhias norte-americanas vão investir 0,45% da receita este ano em iniciativas de IoT, enquanto as europeias farão investimentos de 4,0%. Empresas da Ásia-Pacífico investirão 0,34% da receita em IoT. Isso tem levado empresas da América do Norte e da Europa a vender produtos inteligentes conectados com mais frequência do que as da Ásia-Pacífico e América Latina.

As empresas latino-americanas pesquisadas relataram investimentos de US$ 54,7 milhões em Internet das Coisas, o que representa 0,23% do total de suas receitas que são investidos nesta tecnologia. No Brasil o valor do investimento é de aproximadamente US$ 79 milhões, enquanto no México, as empresas estão começando a investir um total de US$ 1,8 milhões. Em 2018, espera-se que os orçamentos sejam maiores, com empresas da América Latina gastando 22% a mais em IoT.

Em termos globais, o México foi um dos países onde a maioria das empresas relataram um aumento de 21% nas receitas de 2013-2014, fruto da implementação de iniciativas de IoT. As empresas brasileiras, em comparação com os outros países pesquisados, foram as que mais reportaram aumento na receita, em torno de 11% a 20%.

Entre 2015 e 2018, as companhias latino-americanas esperam que as suas receitas tenham um aumento de 17,8% por conta das iniciativas da Internet das Coisas.

(Redação - Agência IN)