Tarifas impedem aumento de exportação agrícola da AL e Caribe para a China

  •  
Tarifas impedem aumento de exportação agrícola da AL e Caribe para a China Foto: Divulgação

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lança amanhã, 10 de novembro, na sede do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) no Rio de Janeiro o estudo Revelando as Barreiras Comerciais da China e da América Latina e Caribe. O estudo revela que as exportações de produtos agrícolas da região para a China aumentariam em quase 10 por cento, e as de bens manufaturados mais de 37 por cento, se as tarifas de importação da China fossem reduzidas para os níveis dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), cuja média é de 3,6 por cento.

A mediana da tarifa importadora da China é aproximadamente o dobro da tarifa da OCDE para produtos agrícolas e mais que o triplo para produtos manufaturados. Depois de observar as taxas anuais de crescimento entre China e América Latina (ALC) de 31,2 por cento entre 2000 e 2011 (com uma breve interrupção em 2009), o comércio bilateral diminuiu drasticamente e se tornou negativo em 2014, devido a uma desaceleração acentuada do crescimento da China e da região.

Apesar disso, a China continua sendo o segundo maior parceiro comercial da América Latina com 13,7 por cento do comércio total da região em 2015. Além disso, o cenário mais provável no médio e longo prazo continua sendo um crescimento sólido da demanda chinesa por commodities latino-americanas, embora não tão alta como na década passada.

"Depois da década de bonança e a nova conjuntura econômica, os governos e o setor privado da América Latina terão que investir numa agenda de inteligência comercial que permita remover barreiras e maximizar os ganhos potenciais do intercâmbio", diz Maurício Mesquita Moreira, Principal Assessor Econômico de Integração e Comércio do BID e autor do relatório.

"Para levar adiante esta agenda de forma eficaz, as negociações devem ser, na medida do possível, isoladas das considerações políticas e ideológicas que têm caracterizado a relação no passado", diz Moreira.

Outro dado importante é que a estrutura tarifária chinesa tende a discriminar em detrimento das importações de bens de consumo - o que representam um desafio para os exportadores da ALC que procuram vender seus produtos diretamente aos consumidores chineses. Por exemplo, a tarifa média para os bens de consumo (11 por cento) é o dobro da dos bens intermediários (4,9 por cento) e dez vezes maior que a das matérias-primas (1,09 por cento).

Na última década, as barreiras não-tarifárias técnicas e não-técnicas se tornaram uma restrição ainda maior que as tarifas para uma quantidade significativa de exportações agrícolas da ALC.

Em 2014, por exemplo, os produtos agrícolas locais custavam em média 24 por cento mais que os produtos importados, enquanto a tarifa ponderada média era de 9,2 por cento. Esta diferença só pode ser explicada por outras medidas de intervenção do governo. A carne bovina, suína e de aves são os produtos mais afetados, com diferenças de preços bem acima de suas tarifas de importação.

A China, por sua vez, também sofre as consequências das barreiras comerciais na ALC na maioria dos países, especialmente no Mercosul. Isso, no entanto, não parece ter freado a grande incursão de estes exportadores na região.

O impacto da redução das tarifas da ALC para os níveis da OCDE aumentaria as exportações de produtos manufaturados chineses em 10 por cento, e a faixa de aumentos variaria entre 7% e 28%. Estima-se que a mediana da tarifa da ALC é quase duas vezes maior que a da OCDE.

Durante o lançamento do estudo também será lançado o paper "The Geopolitics of East Asia: New Geometries of Competition and Cooperation", de Adriana Abdenur, pelo CEBRI.

(Redação - Agência IN)