Volume de fusões e aquisições no Brasil tem queda de 27% nos primeiros oito meses de 2018

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Volume de fusões e aquisições no Brasil tem queda de 27% nos primeiros oito meses de 2018 Foto: Divulgação Volume de fusões e aquisições no Brasil tem queda de 27% nos primeiros oito meses de 2018

Se o primeiro quadrimestre de 2018 apontava para um ano de crescimento no volume de fusões e aquisições no Brasil, após movimentos como os da Suzano Papel e Celulose, da Kroton Educacional e da Eletropaulo, a tendência não se confirmou com o decorrer do ano, à medida que as incertezas eleitorais foram ganhando mais destaque. Ao final do segundo quadrimestre, o ano de 2018 já acumula queda de 27% no volume de fusões e aquisições quando comparado aos oito primeiros meses de 2017, segundo levantamento realizado pela Thomson Reuters Deals Intelligence.

Até o final de agosto foram registradas quedas tanto nas fusões e aquisições de empresas locais por estrangeiras quando nas transações envolvendo a compra de companhias estrangeiras por brasileiras. As operações de fusões e aquisições de empresas brasileiras por estrangeiras registraram queda de 11% nos dois primeiros quadrimestres de 2018, totalizando 121 transações que movimentaram US$ 12,6 bilhões. Já as operações em que companhias nacionais compraram ou se fundiram a empresas estrangeiras registraram queda de 62% comparado aos dois primeiros quadrimestres de 2017, atingindo o menor volume em 15 anos.

As fusões e aquisições internas também tiveram forte queda, com retração de 34% para o período em 2018, somando 142 transações e US$ 18,4 bilhões movimentados. A marca é a mais baixa em fusões e aquisições internas desde 2006.

Na outra ponta, destaque para o pico em volume movimentado por aquisições de brasileiras por companhias dos EUA e Itália. Puxado pela negociação entre Boeing e Embraer, o volume movimentado em negociações de companhias americanas adquirindo empresas do Brasil saltou de US$ 1,29 bilhão, nos primeiros 8 meses de 2017, para US$ 4,24 bilhões no mesmo período de 2018, em um crescimento de 229%. A aquisição de 70% da Eletropaulo pela italiana Enel também foi fator determinante para o pico de aquisições de brasileiras pelo país. O volume total de transações entre italianas e brasileiras passou de US$ 184 milhões entre janeiro e agosto de 2017 para US$ 3,27 bilhões no mesmo período de 2018, aumento de 1.680%.

“Apesar da queda apresentada na comparação ano a ano, o Brasil acumula US$ 31 bilhões em volume de fusões e aquisições nos primeiros 8 meses de 2018, o que é acima da média para o período nos últimos 5 anos, que é de US$ 28 bilhões. No entanto, se puxarmos a média para os últimos 10 anos, o volume sobe para US$ 36,9 bilhões por ano entre janeiro e agosto, sinalizando que os últimos anos têm sido os mais modestos nesta área”, aponta José Leonelio de Souza, Gerente de Soluções de Risk da Thomson Reuters Financial & Risk.

Fusões e Aquisições em ano de eleições presidenciais

O levantamento realizado pela provedora de soluções para o mercado financeiro e de risco analisou os volumes de fusões e aquisições dividindo-os também pelos mandatos presidenciais de cada período desde 1995. O momento de maior aquecimento aparece no último mandato do ex-presidente Lula. Entre 2008 e 2010 registrou-se volume superior a US$ 300 bilhões movimentados em fusões e aquisições com empresas brasileiras. A partir do início do primeiro mandato da ex-presidente Dilma, os gráficos apontam quedas constantes, partindo de um volume de mais de US$ 70 bilhões em 2011 até menos de US$ 40 bilhões em 2015. Nos dois primeiros anos de gestão do presidente Michel Temer, registrou-se crescimento e, agora, um novo movimento de queda.

"Os gráficos sugerem que este mercado, assim como tantos outros, reage aos momentos de estabilidade política no país e também aos momentos de maior incerteza. Conforme a crise avançou sobre a economia nacional, é quase natural que as aquisições de grande porte também tenham se retraído, apesar da valorização de mais de 25% da moeda americana neste ano, o que torna as empresas nacionais mais baratas. Apesar disso, é natural que as empresas esperem um cenário mais definido antes de tomar decisões de investimento", explica Leonelio.

(Redação - Investimentos e Notícias)