Vendas de resinas termoplásticas recuam no semestre

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Vendas de resinas termoplásticas recuam no semestre (Foto: Divulgação) Vendas de resinas termoplásticas recuam no semestre

O conjunto das principais resinas termoplásticas produzidas no Brasil teve desempenho negativo nos primeiros seis meses de 2014. De acordo com a equipe de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a demanda interna por resinas, medida pelo Consumo Aparente Nacional (CAN) – produção mais importação, excluindo as exportações – registrou recuo de 3,1% em comparação ao primeiro semestre de 2013.

Os números divulgados pela Abiquim refletem o cenário desfavorável que o setor químico nacional tem vivenciado. O quadro atual de baixa competitividade da indústria, consequência da elevação dos custos de produção, particularmente no tocante às matérias-primas básicas, alta carga tributária e deficiências de infraestrutura, pode ser agravado com as incertezas em torno do fornecimento de energia e com a possibilidade de falta de água, por conta da escassez de chuvas na região sudeste.

Como reflexo desse ambiente, a produção local de resinas termoplásticas registrou recuo de 5,2% nos primeiros seis meses de 2014, em relação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma comparação, as exportações tiveram queda expressiva de 9,1%, enquanto as importações, na média, ficaram estáveis (+0,3%). Apesar de as importações terem se mantido, na média, estáveis no primeiro semestre, esse resultado pode ser atribuído especialmente à diminuição das compras externas de policloreto de vinila (PVC), em -15,1%, nos primeiros seis meses do ano. Essa diminuição é explicada pela inauguração de uma nova planta de PVC no país e pelo decréscimo da demanda interna do produto. Todas as outras resinas exibiram aumento nas importações, com destaque polietilenos, que teve elevação de 7,7%, e polipropileno, com alta de 15,5%. Como resultado, houve piora no saldo da balança comercial desse grupo de produtos. Nos primeiros seis meses do ano passado, o déficit foi de 390 mil toneladas de resinas, volume que saltou para 440 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, representando um crescimento, em volume, de 12,8%.

Outra variável que preocupa o setor e reflete a deterioração do ambiente interno de produção é a de utilização de capacidade instalada. Nos primeiros seis meses deste ano, as empresas operaram com 78% da sua capacidade de produção, três pontos percentuais abaixo da utilização de igual período do ano anterior. Segundo a diretora de Economia e Estatística, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, para um segmento que opera em regime de processo contínuo, trabalhar com ociosidade de 22% não só é preocupante no curto prazo, como também desestimula a atração por novos investimentos no setor no médio prazo.

Na análise dos últimos 12 meses findos em junho de 2014, sobre os 12 meses imediatamente anteriores, o CAN cresceu 1,1%. Analisando-se as variáveis que compõem esse índice, a produção caiu 2%, as exportações recuaram 5,5%, enquanto as importações cresceram 7,5%, ocupando uma fatia maior do mercado que antes era atendido pelo produtor local. Nesse período, o déficit de resinas, em volume, cresceu expressivos 36,7%.

Vale ressaltar que, nos últimos anos, as empresas brasileiras que atuam nesse segmento realizaram importantes investimentos em elevação de capacidade instalada, bem como em pesquisa e inovação e no desenvolvimento de novas aplicações, não obstante as dificuldades do ambiente de competitividade nacional. Apesar desses esforços, a ociosidade tem se situado em um patamar considerado elevado para os padrões da indústria petroquímica mundial. Ainda segundo Fátima, é possível constatar que o setor teria condições de atender praticamente à quase totalidade da demanda se reduzisse o atual nível de ociosidade. “A Abiquim acredita que dificilmente o quadro negativo observado no início deste ano conseguirá ser revertido no segundo semestre, especialmente porque não tivemos mudanças no quadro de competitividade e, além disso, a demanda em importantes segmentos clientes da cadeia não está aquecida.

Nesse contexto, é fundamental que as medidas que vêm sendo defendidas dentro do Conselho de Competitividade possam ser implementadas para tentar reverter o quadro, transformando as oportunidades de crescimento da demanda nacional em elevação de produção, num primeiro momento, e novos investimentos, no futuro próximo”, ressalta a diretora.

(Redação – Agência IN)