Preços de alimentação e bebidas pressionam custo de vida em SP

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Preços de alimentação e bebidas pressionam custo de vida em SP Foto: Divulgação Preços de alimentação e bebidas pressionam custo de vida em SP

Em setembro, o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) subiu 0,19% na comparação com agosto quando houve aumento de 0,37%. Esta foi a menor elevação desde julho de 2014, quando o índice havia apontado acréscimo de 0,12%. No acumulado do ano, a elevação foi de 5,39% e 8,57% nos últimos 12 meses. Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

A alta no indicador foi influenciada principalmente pelo grupo de Alimentação e Bebidas que passou de uma variação de 0,39% em agosto para os atuais 0,62%. Já no ano, houve um acréscimo de 8,12% e nos últimos 12 meses alcançou 11,84%. Como esse grupo tem o maior peso dentro do orçamento familiar, ele foi responsável por cerca de 70% da alta do CVCS em setembro. Os grupos de Habitação (0,27%), Vestuário (0,75%), Saúde (0,30%), e Comunicação (0,31%) também registraram aumento no mês.

Por outro lado, colaboraram para a desaceleração os grupos de Artigos do lar (-0,86%), Despesas pessoais (-0,47%), Transportes (-0,08%) e Educação (-0,04%).

As famílias das classes B e C foram as que mais sentiram o aumento nos preços em setembro, com alta de 0,25% e 0,19%, respectivamente. Seguidas pelas classes D e E, ambas com incremento de 0,11% no mês. Já a classe A foi a que sofreu menor impacto pelo aumento de preço tendo em vista que encerrou o mês com variação de 0,06%. Segundo a FecomercioSP, a classe A é a que menos compromete sua renda - proporcionalmente - com alimentação, e, por isso, foi menos afetada pelas oscilações nos preços desses itens.

IPV

Após 24 meses de altas consecutivas, o Índice de Preços no Varejo (IPV) registrou leve queda de 0,01%. Em 2016, os preços do setor acumulam alta de 5,95% e nos últimos doze meses, 10,39%.

O segmento de Vestuário foi o responsável pela principal pressão de alta no IPV, registrando alta de 0,75%. Com o início da primavera e a entrada da nova coleção, era esperada uma elevação nos preços. Os destaques mais relevantes foram observados em: Calçados (2,48%), Roupa infantil (0,36%) e Roupa masculina (0,21%).

O segundo maior impacto foi registrado no setor de Alimentação e Bebidas (0,26%), com destaque para os itens Tangerina (14,53%), Banana d'água (9,30%), Melancia (6,07%), Leite em pó (6,04%), Contrafilé (4,97%) e Alcatra (4,83%).

Por outro lado, os grupos de Transportes (-0,20%), Artigos de Residência (-1,02%), Saúde e cuidados pessoais (-0,07%) e Despesas pessoais (-1,56%) colaboraram para a desaceleração do IPV.

A classe B foi a mais atingida pela alta dos preços em setembro, com 0,04%. Já as classes A (-0,30%) e D (-0,02%) foram as menos impactadas pela elevação do IPV.

IPS

O Índice de Preços de Serviços (IPS) registrou aumento de 0,41% em setembro, ante a alta de 0,25% em agosto. Dos nove segmentos analisados, apenas Educação registrou queda no mês, com -0,07%. A principal alta verificada em setembro no IPS foi do segmento Alimentação e Bebidas, que se elevou em 1,15%, tendo como influência o subitem Alimentação fora do domicílio. Tomar café da manhã fora de casa ficou 3,17% mais caro que em agosto, assim como tomar um cafezinho (2,77%), acompanhado de um doce (1,69%).

Já a segunda maior influência de alta foi do grupo Saúde e cuidados pessoais, que apontou crescimento de 0,78% em setembro.

As famílias das classes A e B foram as que mais sentiram as altas dos preços de serviços em agosto (elevações de 0,38% e 0,44% respectivamente). Por outro lado, as classes D e E foram as que menos sofreram com o avanço dos preços de serviços e apresentaram quedas de 0,30% e 0,26%, respectivamente.

Segundo a FecomercioSP, no primeiro semestre do ano os preços no varejo paulistano se mantiveram em tendência de elevação, sendo que os produtos se elevaram mais que os serviços. No início da segunda metade do ano, aparentemente, a situação se mantém sem alterações, muito embora tenha havido uma pressão na margem nos serviços em setembro. Ainda de acordo com a Entidade, é importante atentar que a pressão no preços de itens básicos como alimentação fora do domicílio e serviços de saúde, refletem os impactos dos aumentos nos custos, e não, uma pressão de demanda, visto que esta não se sustenta nos mesmos patamares em tempos de renda restrita.

Para a Federação, o resultado obtido em setembro é bastante oportuno e confirma uma tendência de arrefecimento na inflação brasileira, ao menos no último trimestre. Com isso, as autoridades monetárias já teriam espaço para seguir com a redução dos juros, o que favoreceria, principalmente, as expectativas dos empresários para retomada da economia em 2017.

(Redação - Agência IN)