PMI de serviços no Brasil marca 46,9 pontos em novembro

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PMI de serviços no Brasil marca 46,9 pontos em novembro (Foto: Divulgação) PMI de serviços no Brasil marca 46,9 pontos em novembro

O Instituto Markit Economics anunciou nesta terça-feira, 05, que a economia brasileira de serviços atuou como um freio para o setor privado em novembro, registrando uma redução sólida e acelerada na atividade de negócios. 

O volume de produção no setor privado brasileiro como um todo diminuiu em novembro, como reflexo de uma queda na atividade do seu principal segmento: o setor de serviços. O Índice Consolidado de Dados de Produção, PMI - IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, registrou território de contração pelo segundo mês consecutivo. Além disso, o número básico caiu de 49,5 em outubro para 48,9, sua marca mais baixa desde junho. Isso ocorreu apesar da produção industrial ter crescido pelo ritmo mais acentuado em quase cinco anos.

Ao registrar 46,9 em novembro, abaixo do valor de 48,8 divulgado em outubro, o Índice de Atividade de Negócios do setor de serviços, PMI - IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, registrou a sua marca mais baixa desde fevereiro. Isso indicou um declínio sólido e acelerado no volume de produção. As perdas de clientes, as inadimplências e um ambiente operacional desafiador foram os principais motivos por trás do declínio.

O volume de novos negócios no setor de serviços aumentou em novembro, revertendo a redução observada em outubro. Os relatos indicaram que a quantidade de novos trabalhos foi garantida em sintonia com políticas de preços competitivos. 

Porém, o ritmo de crescimento foi, de um modo geral, marginal. Em comparação, os produtores de mercadorias observaram o crescimento mais acentuado nos pedidos de fábrica em quase sete anos. Os preços de venda no setor de serviços ficaram basicamente inalterados em novembro, pondo um ponto final num período de três meses de desconto. Segundo relatos, algumas empresas aumentaram seus preços numa tentativa de dividir com os clientes as cargas adicionais de custos.

Contudo, outras efetuaram reduções num ambiente de folhas de pagamento reduzidas, taxas de juros em queda e pressões competitivas. Ao mesmo tempo, os preços de fábrica aumentaram de maneira mais significativa em nove meses. Embora os custos de insumos enfrentados pelas empresas de serviços continuassem a aumentar fortemente, a taxa de inflação atenuou-se e atingiu um recorde de baixa de quatro meses. Os entrevistados que observaram um aumento de cargas de custos mencionaram preços mais altos pagos por combustíveis, energia e materiais importados como causas. Ao mesmo tempo, a inflação de custos de compras na economia industrial alcançou um pico de dezessete meses.

Para aliviar a pressão sobre as margens de lucros decorrentes de cargas mais elevadas de custos e de um poder de precificação limitado, os provedores de serviços reduziram sua força de trabalho mais uma vez. A taxa de redução de empregos foi moderada em relação a alguns pontos na atual sequência de contração de trinta e três meses, mas se intensificou, atingindo seu ponto mais rápido desde agosto. Os fabricantes contrataram pessoal extra pelo segundo mês consecutivo, embora de forma marginal.

Em novembro, as expectativas dos provedores de serviços eram de que os planos de reestruturação, os investimentos em publicidade e as eleições de 2018 sustentassem o crescimento no volume de produção no próximo ano. No entanto, o nível de sentimento positivo registrado foi o mais baixo desde março de 2016. O grau de otimismo ficou restringido por preocupações com a escassez de crédito, as pressões inflacionárias e a demanda interna contida. Por outro lado, o sentimento positivo dos fabricantes melhorou e atingiu um recorde de alta de nove meses.

Para Pollyanna De Lima, economista principal da IHS Markit, o crescimento da produção no Brasil foi freado por uma redução na atividade de serviços, com o último conjunto de dados do PMI mostrando uma economia com duas velocidades. Ao mesmo tempo em que houve uma aceleração no setor industrial, a recuperação acentuada da produção registrada em novembro foi insuficiente para neutralizar outra contração no segmento dominante de serviços. 

"O impulso positivo observado no setor fabril provavelmente se prolongará até o ano novo, com as empresas trabalhando para repor seus estoques a fim de cumprir novos contratos. Por outro lado, as empresas de serviços estarão esperando uma recuperação significativa na demanda se quiserem se manter ocupadas. Entre os provedores de serviços, as projeções são de um crescimento no próximo ano, mas as empresas se tornaram ainda mais ansiosas devido à escassez de crédito, às pressões inflacionárias e à demanda básica fraca. Na realidade, a pesquisa mostrou que o otimismo diminuiu e atingiu o seu ponto mais baixo desde março de 2016", disse.

(Redação – Investimentos e Notícias)