PIB cresce 0,5% em 2014 chega a R$ 5,8 trilhões, segundo IBGE

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PIB cresce 0,5% em 2014 chega a R$ 5,8 trilhões, segundo IBGE Foto: Divulgação PIB cresce 0,5% em 2014 chega a R$ 5,8 trilhões, segundo IBGE

O PIB chegou a R$ 5,779 trilhões em 2014 e o seu crescimento em relação a 2013 foi revisado de 0,1% para 0,5%, de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB per capita (R$ 28.498) teve queda de 0,4% em relação a 2013. Foi a terceira queda nesse indicador desde o ano 2000, sendo que os recuos mais recentes ocorreram em 2003 (-0,2%) e 2009 (-1,2%).

Pela ótica da produção, que mostra as contribuições para o PIB do valor gerado pelas atividades econômicas, a agropecuária e os serviços foram responsáveis, respectivamente, por 0,1 e 0,7 pontos percentuais do crescimento do valor adicionado, enquanto a indústria teve contribuição negativa de 0,4 pontos percentuais. Em 2014 a agropecuária (2,8%) e os serviços (1,0%) cresceram, enquanto a indústria caiu (-1,5%).

Esta queda abrangeu quase todos os ramos da indústria, as únicas exceções relevantes foram a extração de petróleo (10,9%), a extração de minério de ferro (6,8%), a indústria farmoquímica (7,4%) e as indústrias de açúcar (3,5%) e álcool (5,2%). Já as principais contribuições negativas vieram da indústria automobilística (-19,6%) e de autopeças (-16,1%), além da construção (-2,1%), que mostrou variação menos intensa, mas tem peso significativo na economia.

Entre as atividades dos serviços, houve estabilidade ou pequeno crescimento do valor adicionado. Os destaques negativos foram comércio de veículos (-6,2%), aluguéis não imobiliários (-4,5%) e alojamento (-2,8%). As contribuições positivas vieram das atividades de desenvolvimento de software (9,4%) e de rádio e TV (5,8%), além da educação privada (6,2%), que teve desempenho inverso ao da educação pública (-1,0%).

Aumento do consumo das famílias (2,3%) foi o principal impacto positivo

Pela ótica da despesa, que analisa o destino dos bens e serviços produzidos, o consumo das famílias aumentou 2,3% em relação a 2013 e foi o principal responsável pelo crescimento do PIB em 2014. O saldo externo (diferença de saldo entre importações e exportações) também contribuiu positivamente, pois a queda das importações (-1,9%) superou a das exportações (-1,1%). Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 4,2% no ano e a taxa de investimento (FBCF/PIB) recuou de 20,9%, em 2013, para 19,9% do PIB, em 2014.

Sob a ótica da renda, a participação da remuneração dos empregados no PIB continuou a crescer, passando de 43,2% em 2013 para 43,5% em 2014. Já a parcela do excedente operacional bruto (valor adicionado bruto menos as remunerações dos empregados, o rendimento misto e os impostos líquidos de subsídios incidentes sobre a produção) no PIB inverteu a tendência de queda observada desde 2010, indo de 32,6% em 2013 para 33,1% em 2014. Em contrapartida, a parcela dos impostos líquidos de subsídios sobre a produção e a importação recuou de 15,5% do PIB em 2013 para 14,9% em 2014.

Necessidade de financiamento da economia nacional em 2014 foi de R$ 262,0 bilhões, com crescimento de 46,3% em relação a 2013

A renda nacional bruta (PIB mais os rendimentos dos fatores de produção enviados ou recebidos do resto do mundo) foi de R$ 5,7 trilhões em 2014, contra R$ 5,3 trilhões em 2013. O pagamento líquido de rendas de propriedades ao resto do mundo (juros, dividendos e lucros reinvestidos) cresceu significativamente: 76,4%, passando de R$ 65,3 bilhões em 2013 para R$ 115,2 bilhões em 2014.

O crescimento nominal da despesa de consumo final (10,5%) superou o da renda nacional bruta (7,5%) e contribuiu para uma retração de 5,3% na poupança do país (de R$ 976,9 bilhões em 2013 para R$ 924,9 bilhões em 2014). Esse fato, associado ao crescimento nominal de 3,0% na formação bruta de capital (R$ 1,1 trilhão em 2014), fez com que a necessidade de financiamento da economia nacional chegasse a R$ 262,0 bilhões em 2014, um aumento de 46,3% frente ao ano anterior. As empresas não financeiras tiveram a maior participação (55,4%) no total da renda gerada.

A capacidade de financiamento do setor financeiro cresceu 14,0% e foi de R$ 90,2 bilhões em 2013 para R$ 102,8 bilhões em 2014. A elevação da Selic média para 10,9% (8,2% em 2013) e o aumento do spread médio (diferença, apropriada pelo intermediário financeiro, entre a taxa de juros cobrada ao tomador de um empréstimo e a taxa de juros que remunera o aplicador de recursos), que passou de 11,5% para 15,3% em 2014, contribuíram para o desempenho das empresas financeiras. A relação entre os empréstimos totais e o PIB recuou de 54,6% em 2013 para 52,9% em 2014.

A capacidade de financiamento das famílias (R$ 35,3 bilhões) em 2014 ficou praticamente estável em relação a 2013 (R$ 35,2 bilhões), enquanto a despesa de consumo final em relação à remuneração recebida pelas famílias cresceu (de 9,1%% para 10,6%). Isso se deveu principalmente à alta de 7,9% nas rendas de propriedade líquidas das famílias (juros e dividendos) e ao menor crescimento da FBCF (13,1% em 2013 e 3,7% em 2014).

Em 2014, a necessidade de financiamento do governo (R$ 339,6 bilhões) cresceu 92,5% em relação a 2013 (R$ 176,4 bilhões). Pelo lado das receitas, os impostos líquidos de subsídios sobre a produção e importação cresceram 4,2%, os impostos sobre renda e patrimônio subiram 6,6% e as rendas de recursos naturais caíram 23,6%. Essas variações ficaram aquém das taxas observadas nas principais destinações desses recursos: benefícios sociais (13,0%), consumo final (9,9%) e a formação bruta de capital fixo do governo (19,3%).

(Redação - Agência IN)