Parlamento Brasileiro ratifica o Acordo de Paris

Parlamento Brasileiro ratifica o Acordo de Paris Foto: Divulgação

Nos últimos anos o Brasil tem buscado aplicar sanções administrativas e penais aos que cometem crimes ambientais, em especial ao ecossistema amazônico, que ainda vem sofrendo desmatamentos descontrolados. Com a Lei de Crimes Ambientais (9605/98) houve uma melhora nos aspectos protecionistas, porém existe a necessidade de avançarmos ainda mais. Um novo esforço marcou este mês de julho, quando a Câmara dos Deputados aprovou a ratificação do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, em que mais de 195 países assumiram o compromisso de reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

 

Até agora 17 nações ratificaram o acordo. O referido acordo busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa para conter o aquecimento global abaixo de 2° C, se possível abaixo de 1,5° C em relação aos níveis da era pré-industrial. No caso do Brasil o objetivo é reduzir em 37% até 2025 e 43% até 2030.

É uma meta distante ainda, mas ações de mobilização nacional para a redução dos gases vêm sendo realizadas tanto no meio industrial, com novas tecnologias, como no ambiente dos grandes debates políticos, com ações e compromissos para a redução dos impactos ambientais.

Porém, é importante entender que atingir os objetivos em relação aos gases causadores do aquecimento global é uma questão complexa, que demanda uma grande articulação entre todos os setores da sociedade. Mesmo com a contribuição significativa dos setores industrial e de transportes para que as metas sejam atingidas, não podemos negar a nossa responsabilidade. Falar em redução de emissões demanda um olhar mais detalhado para questões como o consumismo, descarte de resíduos e queima de combustíveis fósseis.

Nossas ações são determinantes para que as metas sejam cumpridas. Para quem ainda tem dúvida, basta lembrar, por exemplo, que os resíduos orgânicos, quando entram em decomposição, contribuem significativamente com a intensificação do efeito estufa por meio do gás metano. Nosso papel é reavaliar o descarte e o desperdício de alimentos, que pode ser evitado em nossas casas.

Diante deste cenário, que apresenta calorosas e acentuadas discussões acerca das alterações climáticas, algumas iniciativas simples que estejam ao alcance da população como um todo, podem ser um diferencial no cumprimento das metas estipuladas em acordos internacionais, como preferir os transportes públicos para reduzir as emissões, ou economizar energia elétrica para evitar que centrais termelétricas a carvão precisem ser operadas para suprir a grande demanda por energia.

Transferir a responsabilidade somente para as práticas governamentais não é o caminho mais eficiente, pois, caso não exista uma mobilização, sensibilização e comprometimento de todos os setores da sociedade, dificilmente será possível uma reversão da realidade atual.

A preocupação com as questões ambientais deve ir além do simples equilíbrio dos ecossistemas planetários, sendo necessário dedicar atenção especial aos pilares da sustentabilidade, como os aspectos econômicos e sociais.


Rodrigo Berté é Diretor da Escola Superior de Saúde, Meio Ambiente, Sustentabilidade e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter

Augusto Lima da Silveira é coordenador de cursos de Pós-Graduação na área ambiental do Centro Universitário Internacional Uninter

André Maciel Pelanda é tutor de cursos de Pós-Graduação na área ambiental do Centro Universitário Internacional Uninter.

(Redação - Agência IN)