Itaipu bate seu próprio recorde de MWh

Itaipu bate seu próprio recorde de MWh Foto: Divulgação Itaipu bate seu próprio recorde de MWh

Faltando 15 dias para fechar o ano, a usina de Itaipu quebrou, nesta sexta-feira (16), às 11h01 (Horário Brasileiro de Verão), seu recorde histórico de 98,6 milhões de megawatts-hora (MWh), registrado em 2013, e fica muito próxima de reconquistar o título mundial anual estabelecido por Três Gargantas, na China.

Pelos cálculos da área técnica da usina, a superação deve ocorrer em menos de 24 horas. Em 2014, a hidrelétrica chinesa superou em 0,2% a produção da binacional em 2013 (98,8 milhões de MWh contra 98,6 milhões de MWh).

A superação do recorde próprio foi marcada por uma solenidade no hall do Edifício da Produção, com a presença de funcionários e membros da diretoria binacional. O diretor-geral brasileiro, Jorge Samek, atribuiu o resultado ao esforço conjunto do corpo funcional da empresa.

“Os sucessivos recordes são uma consequência natural dos investimentos feitos pela empresa, no decorrer do projeto, na modernização dos equipamentos e na capacitação do corpo técnico, aliado ao alto comprometimento dos empregados”, avalia Jorge Samek.

O diretor lembra que, “quanto mais Itaipu produz, melhor para o Brasil. Nosso país depende de uma energia barata para garantir que, entre outros fatores, o custo de vida se mantenha sob controle. No Paraguai, a energia abundante e barata permite que o país se desenvolva mais rapidamente”.

James Spalding, diretor-geral paraguaio, reafirmou o otimismo de Itaipu em produzir mais de 100 milhões de MWh em 2016, reforçando o papel da usina como referência mundial em hidroeletricidade. “Além de ser um recurso energético tão importante para ambos os países, é uma energia limpa, que diminui a dependência de combustíveis fósseis e evita emissões de carbono”.

Retrospecto

A quebra de sua própria marca não chega a ser surpresa. Desde janeiro, Itaipu já vinha dando sinais de que 2016 seria um ano espetacular para a operação da usina. Foram sucessivos recordes de geração, diários e mensais. A hidrelétrica teve os melhores janeiro, fevereiro, maio, junho, semestre e ainda melhor outubro e novembro.

Uma combinação de fatores contribuiu para o bom desempenho: afluência regular do Rio Paraná, alto consumo de eletricidade no Brasil e no Paraguai, otimização do uso dos recursos naturais e excelente performance dos equipamentos.

“Em 2008, quando quebramos nosso próprio recorde mundial de 2000, vimos que poderíamos aprimorar nossos processos para produzir ainda mais. Para Itaipu, não é uma questão de quebrar recordes, mas de buscar cada vez mais eficiência. E hoje estamos colhendo os frutos desse trabalho”, afirmou o diretor técnico, José María Sánchez Tilleria.

No decorrer dos meses, ficava cada vez mais perto de se tornar realidade a meta inédita de 100 milhões de MWh, que a diretoria colocou como desafio, no fim de 2012, para os anos seguintes. Naquele ano, Itaipu gerou 98,2 milhões de MWh, sua melhor marca até então. Já em 2013, no entanto, veio o novo recorde - 98,6 milhões de MWh.

O diretor técnico executivo, Airton Dipp, lembra que, desde 1995, a usina sempre produziu acima do compromisso contratual, estabelecido no Tratado de Itaipu, de geração anual de 75 milhões de MWh. Para Dipp, "este recorde mundial é uma conquista coletiva, que deve ser compartilhada com toda a sociedade brasileira e paraguaia”.

Bom desempenho

O superintendente de Operação (OP.DT) da usina, Celso Torino, explica que o excepcional desempenho da usina "é resultado de um conjunto de ações, que conta externamente com uma boa coordenação entre Itaipu e seus parceiros na cadeia de suprimento, como Ande, Eletrobras, Operador Nacional do Sistema, Furnas e Copel. E, internamente, graças ao trabalho alinhado e colaborativo de toda a empresa, em especial das áreas de Engenharia, Obras, Manutenção e Operação".

Ainda segundo Torino, "é natural destacar a produção, porque, afinal, é isso que leva luz à casa das pessoas; mas é preciso também considerar a produtividade, isto é, fazer mais com a mesma quantidade de água. E Itaipu tem adotado ações que otimizam sua eficiência no uso da água, nosso recurso mais escasso na produção de energia".

Recorde sustentável

Caso a energia correspondente ao recorde de Itaipu (98,6 milhões de MWh) fosse gerada por uma termelétrica a gás, a emissão de gás carbônico equivalente (CO2eq) seria de 39 milhões de toneladas. Em uma termelétrica a carvão, o número seria ainda mais impressionante: 88 milhões de toneladas de CO2eq. O cálculo foi feito com base na tabela do Conselho Mundial de Energia (World Energy Council), que estabelece parâmetros para o CO2eq (unidade de medida universal para medição dos gases do efeito estufa).

Comparações

A produção de 98,6 milhões de MWh seria suficiente para atender o Brasil por dois meses e 15 dias ou o Paraguai por quase sete anos. Também poderia suprir o consumo da região Sul do Brasil por um ano e dois meses, o Estado de São Paulo por oito meses e 20 dias, a cidade do Rio de Janeiro por cinco anos e cinco meses, ou ainda a cidade de Curitiba por 20 anos e dez meses.

(Redação - Agência IN)