IPO da Uber registra valor abaixo da expectativa

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IPO será em torno de US$ 91,5 bi Foto: Divulgação IPO será em torno de US$ 91,5 bi

A Uber - Uber Technologies (NYSE:UBER) - está prestes a iniciar suas atividades na bolsa de valores dos Estados Unidos. A companhia entregou no último dia 7 de abril toda a documentação necessária à SEC — a comissão de valores mobiliários americana - para que a oferta pública inicial (IPO) aconteça.

A sigla em inglês IPO se refere a oferta inicial de ações, um procedimento que indica a venda pública dos papéis de uma empresa pela primeira vez.

A partir de agora, a estreia da Uber na bolsa de valores é só uma questão de tempo, inclusive ela deverá acontecer no próximo dia 8 de maio, e, embora todo o processo tenha sido conduzido de forma confidencial, a notícia acabou se espalhando e causando bastante alvoroço no mercado financeiro.

Até hoje, segundo especialistas do mercado, o valor da companhia poderia chegar a US$ 120 bilhões. Caso esses dados se confirmassem, a valorização da empresa seria bastante expressiva, visto que a companhia vinha sendo avaliada em torno dos US$ 72 bilhões até meados do ano passado.

No entanto, a expectativa sobre os valores já teve seu fim decretado, pois a Uber anunciou nesta sexta-feira, 26, que o lançamento de seus papéis na Wall Street será de aproximadamente US$ 91,5 bi, que de qualquer forma bate o maior valor do ano até o momento.

A medida adotada indica que cada ação da empresa valerá entre US$ 44 e US$ 50 para sua IPO. Além disso, ela também pretende vender 180 milhões de ações na oferta, com um adicional de 27 milhões de papéis vendidos por investidores existentes.

Vale lembrar que o plano inicial da companhia era realizar a IPO em 2019, mas a decisão se adiantou ainda mais, após a sua rival Lyft (NASDAQ:LYFT) também entregar os documentos à SEC para estrear na bolsa dos EUA e fazer a oferta inicial neste mês de abril. Porém, um dos pontos que fez a Uber rever os valores de sua IPO, foi o fraco desempenho de sua concorrente, que já amargou quedas expressivas das ações nesses últimas dias.

Não é somente esse fator que está no calcanhar da empresa dona do aplicativo de transporte individual. A Uber também tem enfrentado dias difíceis, reportando prejuízos bilionários entre os anos de 2014 e 2018. Só no terceiro trimestre do ano passado, a companhia indicou prejuízo de US$ 1,07 bilhão. E, agora, o atual documento informou um novo prejuízo líquido no primeiro trimestre de 2019 de cerca de US$ 1 bilhão e receita de aproximadamente US$ 3 bilhões.

Em contrapartida, a empresa vem registrando um crescimento acelerado em diversos mercados e subindo mais de 300% no faturamento. Os mais de 91 milhões de usuários no mundo também parecem ajudar a imagem positiva que os 162 investidores iniciais possuem da marca, o que torna as ações da empresa possivelmente mais atraentes aos olhos de novos investidores.

Outra novidade é a confirmação da entrada da PayPal como acionista. O serviço investirá US$ 500 milhões para a compra de ações da Uber em uma forma privada e respeitando o valor estabelecido pela IPO.

Vale ressaltar, que o caminho para a empresa a partir de agora é mostrar se há um real potencial de crescimento. Isso porque, a Uber precisará comprovar aos investidores que os lucros aparecerão em breve, além de responder a diversos questionamentos como, por exemplo, o seu modelo de negócios e o tratamento referente aos motoristas que trabalham para a empresa.

Resta saber se a mais nova companhia de capital aberto dos EUA está pronta para lidar com esse instável cenário.

(Redação - Investimentos e Notícias)