Investimentos apresentam sinais de recuperação

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Investimentos apresentam sinais de recuperação (Foto:Divulgação) Investimentos apresentam sinais de recuperação

No boletim de Conjuntura Econômica do mês de setembro de 2016, elaborado pelo Ceper/Fundace, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) para o segundo trimestre de 2016, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), indicam uma leve possibilidade de recuperação da economia brasileira.

Os dados mostram que, após uma queda de 5,4% no primeiro trimestre de 2016, houve uma redução na retração do PIB em relação ao mesmo período de 2015(- 3,8%). O levantamento destaca ainda que a queda real no PIB neste segundo trimestre foi a menor desde o terceiro trimestre de 2015 e que as expectativas começaram a melhorar por volta de maio deste ano, devido a possibilidade de mudança no cenário político e de reformas na economia.

O Boletim aponta ainda que a retração do setor industrial no período (segundo trimestre de 2016) foi de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O consumo das famílias também apresentou retração da ordem de 5,6%, o que de acordo com os pesquisadores do Ceper, reflete a piora que o mercado de trabalho vem apresentado ao longo dos últimos anos, tanto em termos de emprego quando de salários.

Desemprego – O levantamento indica ainda que o aumento da inflação contribuiu para a queda na massa salarial real e perda de poder aquisitivo da população. O saldo de empregos acumulado em 12 meses experimentou uma redução de quase dois milhões de empregos no período de julho de 2015 a junho de 2016, o que ajuda a entender a redução da massa salarial.

Investimentos – Em relação aos investimentos, a análise mostra uma queda que vem ocorrendo desde 2013. O fraco desempenho dos investimentos, explicam os pesquisadores, refletem, além da queda na demanda agregada, expectativas negativas em relação ao cenário econômico.

“Apesar da recente melhora nas expectativas, elas ainda estão têm pouco reflexo sobre os investimentos produtivos”, avalia o professor doutor da FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto) da Universidade de São Paulo Luciano Nakabashi, coordenador do Boletim Conjuntura Econômica do Ceper/Fundace.

Inflação e juros – Ainflação superou o teto da meta em dois momentos, no intervalo de novembro de 2014 a março de 2015, mas após agosto de 2015 iniciou uma trajetória de queda e ficou abaixo do teto a partir do início de 2016.
Considerando os juros reais, percebe-se uma tendência de elevação até mesmo como consequência da queda da inflação. A manutenção da taxa de juros nominal em um patamar fixo com a queda da inflação tem se traduzido em crescimento dos juros reais, o que também reflete uma política monetária mais restrita para manter a trajetória de queda da inflação.

Análise da conjuntura – Para os pesquisadores, analisando os resultados apresentados, fica claro que a economia brasileira ainda enfrenta um cenário difícil e que não deve melhorar de forma clara antes de 2017.

Por outro lado, os dados também sugerem que a economia pode ter atingindo o fundo do poço, o que depende de uma melhora no cenário político e de medidas que sinalizem de forma clara uma melhora na trajetória da dívida pública, como a implantação de uma reforma trabalhista, previdenciária, entre outras que reduzam os gastos do governo ao longo do tempo.

Com reformas que levem a uma melhora na trajetória da dívida pública, a economia irá apresentar melhoras importantes a partir de 2017, pois a inflação já está mais controlada, o que permitiria a redução dos juros de forma mais sustentável, afetando positivamente as contas do governo e estimulando os investimentos produtivos.

(Redação – Agência IN)