Índice do Custo de Vida avança 0,46% em junho em SP, segundo DIEESE

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Índice do Custo de Vida avança 0,46% em junho em SP, segundo DIEESE Foto: Divulgação Índice do Custo de Vida avança 0,46% em junho em SP, segundo DIEESE

Em junho, o Índice do Custo de Vida no município de São Paulo aumentou 0,45% em comparação com maio, segundo cálculo do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Pelo segundo mês consecutivo, o índice por estrato de renda indicou que a maior alta (0,82%) foi registrada para as famílias com renda mais baixa ou pertencentes ao estrato 1. Para as famílias do estrato 3, com maior renda, o impacto foi menor: 0,26%. Já para as do estrato intermediário, a taxa foi de 0,64%.

Para o índice geral, os grupos que registraram as maiores taxas em junho foram Alimentação (1,14%) e Habitação (0,52%), que juntos contribuíram com 0,47 ponto percentual (p.p.) no índice final. Já a diminuição no grupo Transporte de -0,48% resultou em impacto de -0,07 p.p. na taxa de junho.

O grupo Habitação subiu 0,52%, devido ao reajuste do subgrupo operação do domicílio (0,73%), ainda influenciado pela alta da tarifa de água (1,98%), ocorrida em meados de maio, e ao aumento nos serviços domésticos (1,44%). Já o subgrupo conservação do domicílio variou 0,30% e o locação, impostos e condomínio, 0,19%.

Apesar do menor ritmo de redução, as quedas do álcool (-1,90%) e da gasolina (-1,19%) foram as responsáveis pela diminuição do subgrupo transporte individual (-0,71%) e, consequentemente, do grupo Transporte (-0,48%), uma vez que o transporte coletivo não variou.

As taxas dos subgrupos da Alimentação (1,14%) foram as seguintes: indústria alimentícia (1,33%), produtos in natura e semielaborados (1,32%) e alimentação fora do domicílio (0,45%). A desagregação dos itens que compõem o subgrupo produtos in natura e semielaborados(1,32%), incluídos nos gastos com Alimentação (1,14%), revelou o seguinte comportamento:

Grãos (18,58%) – o preço do quilo do feijão carioquinha aumentou 45,09% e o do arroz, 4,28%. Já o dos outros grãos diminuiu -1,59%;

Hortaliças (2,95%) – alface (5,38%), escarola (4,21%), couve (0,83%) e couve-flor (0,67%) tiveram alta de valor, enquanto agrião (-2,13%), brócolis (-1,14%), repolho (-0,61%) e cheiro verde e temperos (-0,23%) apresentaram queda;

Leite in natura (1,54%) – o leite A subiu 2,75%, o B, 0,70% e o C, 1,95%;

Aves e ovos (1,18%) – aves (0,79%) e ovos (2,67%) subiram de preço;

Raízes e tubérculos (0,62%) – batata (9,49%), alho (1,55%) e mandioca (0,28%) tiveram aumento de valor e os demais, redução, com destaque para a cenoura (-14,18%), beterraba (-12,05%) e cebola (-11,08%);

Carnes (0,12%) – a carne bovina variou 0,09% e a suína, 0,82%;

Legumes (-0,87%) - altas foram verificadas na abobrinha (15,89%) e berinjela (8,43%). Os demais legumes tiveram diminuição de preço: quiabo (-11,05%), pepino (-5,82%), tomate (-2,49%), vagem (-1,89%), pimentão (-1,50%) e chuchu (0,66%);

Frutas (-5,05%) – a maior parte das frutas teve redução de preço. As quedas mais expressivas foram a do mamão (-21,46%), limão (-14,30%), maracujá (-11,82%), melão (-9,62%) e da manga (-8,69%). A alta mais significativa foi observada para o abacate (5,36%).

Em junho, os produtos que registraram aumentos mais expressivos no subgrupo indústria da alimentação (1,33%) foram: leite longa vida integral (14,87%), muçarela (7,60%), café em pó (4,20%), leite em pó (3,67%) e refrigerantes (1,45%). A queda mais significativa foi anotada na cerveja (-1,58%). As altas no subgrupo alimentação fora do domicílio (0,45%) ocorreram da seguinte forma: refeições principais (0,24%) e lanches matinais e vespertinos (0,73%).

Índices por estrato de renda

Além do índice geral, o DIEESE calcula mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas. Em junho, a inflação foi maior para as famílias com rendimentos mais baixos, incluídas no estrato 1 (0,82%); para as famílias que possuem rendimento intermediário, a taxa ficou em 0,64%; e para aquelas de maior poder aquisitivo, em 0,26%. Todas as taxas mostraram redução em relação ao mês anterior: para o primeiro estrato, a queda foi de -0,27 p.p., para o segundo, de -0,19 p.p., e para o terceiro, de -0,25 p.p.

Resultados da inflação nas taxas por estrato

As taxas de inflação por estrato de renda resultam da forma como as famílias distribuem os gastos, que varia segundo o poder aquisitivo e o comportamento dos preços de bens e serviços. O impacto do aumento da Alimentação fez com que o custo de vida das famílias de menor renda subisse mais: no estrato 1, a taxa foi de 1,74% e a contribuição ficou em 0,71 p.p.; para o estrato 2, a variação foi de 1,47% e a contribuição, de 0,54 p.p.; e para o estrato 3, de 0,65% e 0,18 p.p., respectivamente.

Em junho, no grupo Habitação, além dos serviços domésticos, houve elevação da tarifa de água em São Paulo, uma vez que o reajuste foi aplicado em meados de maio. Com isso, as famílias do estrato 2 foram as mais afetadas: variação de 0,58% e contribuição de 0,13 p.p.; no estrato 3, a alta foi de 0,53% e o impacto de 0,12 p.p.; e no estrato 1, 0,48% e 0,11 p.p., respectivamente. A redução dos combustíveis computada no grupo Transporte beneficiou mais as famílias do estrato 3, pois a queda foi de -0,52% e a contribuição de -0,08 p.p.; para o estrato 2, foi de -0,47% e -0,06 p.p. e para o 1, de -0,29% e -0,03 p.p., respectivamente.

Inflação acumulada

Entre julho de 2015 e junho de 2016, o ICV-DIEESE acumulou variação de 9,05%. Nas famílias pertencentes aos estratos de renda mais baixos foram observadas as maiores taxas: 9,93% para o estrato 1; 9,52% para o 2; e, 8,59% para o 3. No ano, o índice geral foi de 4,72%. As taxas por estrato de renda apresentaram comportamento semelhante ao anual: 1º estrato, 5,55%; 2º estrato, 5,08% e 3º, 4,33%.

Comportamento dos preços em 2016

Taxas superiores ao índice geral, de 4,72%, ocorreram em quatro dos 10 grupos do ICV:

Despesas Pessoais (12,06%), Educação e Leitura (7,85%), Despesas Diversas (7,46%) e Alimentação (7,14%). Para os seis grupos restantes, foram observadas variações menores: Saúde (4,70%), Recreação (3,11%), Transporte (2,81%), Equipamento Doméstico (1,64%), Vestuário (1,57%) e Habitação (0,70%).

A maior taxa acumulada em 2016 é a do grupo Despesas Pessoais (12,06%), pois o expressivo reajuste de 20,43% nos cigarros determinou a alta de 20,25% para o subgrupo fumo e acessórios; enquanto a variação de 3,88% do subgrupo higiene e beleza situou-se abaixo do índice geral (4,72%).

Os dois subgrupos da Educação e Leitura (7,85%) registraram taxas elevadas: 7,88% para educação e 7,38% para leitura. Os itens da educação tiveram os seguintes reajustes: 9,08% para os livros didáticos; 8,35% para os cursos formais; 7,53% para os artigos de papelaria e; 4,80% para os cursos diversos. Com relação à leitura, apenas as revistas (12,91%) registraram alteração nos preços. Os jornais não apresentaram variação. O aumento de 8,05% nas despesas com animais domésticos determinou a taxa do grupo Despesas Diversas (7,46%).

Na Alimentação (7,14%), as variações que mais se destacaram por subgrupo em 2016 são as seguintes:

produtos in natura e semielaborados (7,43%): 37,87% para raízes e tubérculos; 32,61% para grãos; 19,23% para legumes e; 7,09% para hortaliças;

indústria da alimentação (7,79%): 15,07% para açúcar; 13,57% para os derivados do leite; 10,78% para o café e chá; 10,14% para óleos e gorduras; 9,24% para as conservas doces; 8,91% para os frios; 8,05% para os peixes enlatados e; 8,01% para as farinhas e;

alimentação fora do domicílio (5,53%): os lanches tiveram reajuste de 5,56% e as refeições principais, de 5,51%.

Comportamento dos preços nos últimos 12 meses

De julho de 2015 a junho de 2016, a taxa acumulada foi de 9,05%. Foram observadas variações superiores ao índice geral para os grupos Despesas Pessoais (15,29%), Alimentação (12,07%), Despesas Diversas (10,06%), Saúde (9,68%) e Transporte (9,58%).

Despesas Pessoais (15,29%) – no subgrupo higiene e beleza (9,98%), enquanto os produtos aumentaram 13,25%, os serviços variaram 2,27%. Já para o subgrupo fumo e acessórios (20,31%), a alta foi determinada pelo reajuste de 20,43% nos cigarros.

Alimentação (12,07%) – os produtos in natura e semielaborados subiram 12,35%, com destaque para: feijão (107,03%), chuchu (95,80%), batata (80,94%), limão (62,39%), manga (61,39%), alho (46,72%), abobrinha (42,65%), vagem (41,37%) e maçã (40,61%). Os itens da indústria alimentícia acumularam alta de 12,98%, com maior evidência no açúcar (46,08%), pêssego em calda (40,68%), leite longa vida (35,81%), azeite (31,70%), farinha de milho (27,82%), goiaba em calda (27,69%) e manteiga (27,15%). A alimentação fora do domicílio acumulou taxa de 10,12%: 9,42% para os lanches matinais e vespertinos e 10,67% para as refeições principais.

Despesas Diversas (10,06%) – a alta do grupo foi determinada pelo reajuste de 10,18% na ração de animais.

Saúde (9,68%) – os dois subgrupos registraram aumento: assistência médica (9,02%) e medicamentos e produtos farmacêuticos (12,66%).

Transporte (9,58%) – os reajustes do álcool (19,72%), estacionamento (12,13%), gasolina (12,04%) e óleos lubrificantes (10,11%) destacaram-se no subgrupo transporte individual (10,28%). A taxa acumulada do subgrupo transporte coletivo foi de 8,14%.

(Redação - Agência IN)