ICOMEX: superávit da balança comercial é recorde

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ICOMEX: superávit da balança comercial é recorde (Foto: Divulgação) ICOMEX: superávit da balança comercial é recorde

O superávit da balança comercial no valor de US$ 62 bilhões é o maior na série histórica do acumulado do ano até novembro. No entanto, as exportações no valor de US$ 200 bilhões estão abaixo dos valores observados entre 2011 e 2014 e as importações no valor de US$ 138 bilhões, abaixo dos valores entre 2010 e 2015.

Logo, o desafio de manter o crescimento dos fluxos de comércio em 2018 está mantido. Os dados do ICOMEX para o acumulado do ano até 2017 sugerem que esse crescimento irá continuar, mas 2018 deverá observar um superávit comercial menor.

Até o acumulado de novembro, o volume exportado cresceu 13,3% em relação a igual período do ano anterior e o volume importado 13,5%. Esse resultado decorre de uma desaceleração mais acentuada no ritmo de crescimento das exportações do que das importações no mês de novembro.

Destaca-se, porém, que o setor de agropecuária continua numa trajetória ascendente. O volume exportado pelo setor foi de 115,2%, a maior variação registrada desde julho de 2013. No acumulado do ano até novembro, porém, a variação é inferior ao da indústria extrativa: 25% (agropecuária) e 26,6% (extrativa).

O volume exportado da indústria de transformação desacelerou passando de 25,7% (outubro 2017/16) para 5,4% (novembro 2017/16) puxado pela redução no crescimento dos bens duráveis (automóveis), o que sugere taxas de variações menores para o ano de 2018.

Nas importações, crescem as importações de bens de capital pelo quarto mês consecutivo e pela primeira vez no ano, as compras de insumos intermediários para a indústria de transformação superaram as do setor agropecuário, o que indica aumento no nível de atividade da indústria.

“Os baixos patamares dos fluxos de comércio em 2016, o crescimento da demanda mundial e a retomada da expansão da atividade pelos principais parceiros na América Latina explicam o crescimento das exportações. Para 2018, deveremos ter mais importações (crescimento do Brasil) e menor crescimento das exportações (patamar dos fluxos de comércio são mais elevados em 2017)”, disse Lia Valls, coordenadora da pesquisa.

O volume exportado cresceu 11,2% e os preços recuaram 2,6% na comparação entre novembro de 2016 e 2017. No caso dos preços, após a aceleração no ritmo de crescimento entre agosto e outubro, volta uma tendência de queda que havia vigorado desde abril.

A queda nos preços foi puxada pelo comportamento das commodities que recuaram 2,2% entre novembro de 2016 e 2017. A principal contribuição foi a do complexo de soja com queda de 11% nos preços.
O volume importado segue em alta, aumento de 20,2% entre novembro 2016/17, confirmando a recuperação no nível de atividade. Observa-se que no acumulado do ano até novembro as importações cresceram em volume 13,5% e os preços recuaram 1,6%. No caso das exportações, a variação no volume foi de 13,3% e dos preços 6,5% na mesma base de comparação.

Os termos de troca se mantiveram relativamente estáveis entre outubro e novembro, variação de 1%. Em relação a 2016, os termos de troca continuam registrando desempenho favorável. Crescimento de 3,9% entre os meses de novembro (2016/17) e de 3,6% no acumulado do ano até novembro.

Consideramos que os preços de exportações irão ficar relativamente estáveis em 2018 e, logo, o aumento nos termos de troca deverá ficar ao redor de 3%.

Em novembro, a variação no volume exportado do setor agropecuário foi de 115,2%, o maior valor desde julho de 2013. Observa-se, porém que em novembro e dezembro de 2016, os índices foram baixos, o que explica esse alta variação. Os preços do setor estão em queda liderados pelo desempenho do complexo de soja. O volume da indústria extrativa teve pequeno aumento em novembro (0,2%), mas na comparação do acumulado do ano, o seu desempenho é superior ao do setor de agropecuária.

Ressalta-se que as exportações desses dois setores dependem em grande medida da demanda chinesa. No caso da soja, a China explicou 79% das compras desse produto e tem crescido a importância desse mercado para as vendas de carne bovina (38%, incluindo Hong Kong). Na indústria extrativa, a China comprou 54% do minério de ferro e 43% do petróleo bruto exportado no acumulado de janeiro a novembro de 2017. As previsões são de uma suave desaceleração do crescimento chinês. Segundo a última projeção do FMI, o crescimento chinês será de 6,8%, em 2017 e de 6,5%, em 2018, o que indica que a demanda deverá se manter estável.

Logo, não esperamos variações elevadas como as observadas em 2017, mas também não projetamos reduções no volume exportado.

A indústria de transformação registra ao longo do ano, o menor crescimento entre os setores, mas como mostrará a análise por categoria de uso, alguns segmentos se destacam como os bens duráveis de consumo.

Nas importações, a indústria extrativa, assim como no mês de outubro, registrou a maior variação na comparação mensal dos meses de novembro (37%), seguida da transformação (17,9%) e o setor agropecuário manteve sua tendência de queda em relação a 2016. Os preços de importações caíram no mês de novembro, exceto o da indústria de transformação (+2%) e no acumulado no ano até novembro é positivo somente para a agricultura (+5,2%).

A análise por categoria de uso da indústria de transformação mostra a variação mensal dos índices de volume. Nas exportações, a liderança continua com os bens de consumo duráveis que cresceram 27,8% e no acumulado do ano até novembro, 45,2%. As exportações de automóveis, o principal produto dessa categoria, foi o 5º principal produto exportado e contribuiu com 6% para o aumento total das exportações e 32% no grupo das manufaturas. Como já analisado no ICOMEX de novembro, houve crescimento elevado para vários mercados como México (101%), Chile (97%) e Colômbia (53%), por exemplo, mas as exportações continuam dependentes do mercado argentino que absorve cerca de 70% das vendas de automóveis do Brasil. Esperamos que o ritmo de crescimento das exportações diminua, mas ainda deverá ser acima de 20% com a expansão para novos mercados e a expansão da atividade econômica na Argentina.

Os bens de capital (57,8%) lideraram o aumento das importações, embora no acumulado do ano registrem recuo de 0,6%. A sequência de quatro aumentos consecutivos das importações de bens de capital indica uma recuperação da taxa de investimento.

Por último, outro indicador do nível de atividade são as importações de bens intermediários. O crescimento do setor agropecuário, que esse ano deverá contribuir com 12,3% para o crescimento do PIB, segundo projeções do modelo FGV/IBRE, explica o aumento das suas importações, que no acumulado do ano até novembro chegam a 58,4%. A variação das compras de intermediários pela indústria de transformação é menor do que na agropecuária, mas em novembro esse comportamento mudou e, além disso, as variações têm ficado próximas ou acima de 20%.

Os indicadores que confirmam a trajetória de recuperação da indústria de transformação também apontam para um crescimento mais elevado das importações para 2018.

Em suma, o cenário para a balança comercial continuará positivo em 2018, apenas esperamos um menor superávit comercial, o que não é fonte de preocupação.

(Redação – Investimentos e Notícias)