Governo pagou R$ 2,9 trilhões a mais em juros de 1996 a 2016, mostra estudo da Fiesp

Governo pagou R$ 2,9 trilhões a mais em juros de 1996 a 2016, mostra estudo da Fiesp Foto: Divulgação Governo pagou R$ 2,9 trilhões a mais em juros de 1996 a 2016, mostra estudo da Fiesp

Selic acima da paridade impede diminuição da dívida pública e da carga tributária e inibe investimento

De 1996 a 2016 a taxa básica de juros, a Selic, ficou em média 4,3 pontos percentuais acima do que deveria. O efeito disso foi o pagamento de R$ 2,9 trilhões em juros da dívida pública. São R$ 156 bilhões por ano, o equivalente a 3% do PIB brasileiro. Para chegar a esses números, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) usou a regra da paridade, segundo a qual a taxa de juros no Brasil deve equivaler à taxa de juros do Estados Unidos somada ao risco Brasil.

Se a Selic tivesse seguido a regra da paridade, a dívida pública, que hoje está em R$ 4,4 trilhões (70,5 % do PIB), estaria em R$ 1,8 trilhão, ou 28% do PIB. Outra possibilidade seria a redução da carga tributária, que poderia ser de 30,5% do PIB, com a arrecadação de R$ 1,9 trilhão, em vez de 33,5% do PIB (para arrecadar R$ 2,1 trilhões). Ou o investimento poderia ter sido de 21,6% do PIB durante todo o período (taxa 15% maior do que a ocorrida), fora o investimento privado adicional.

Dos resultados do estudo, feita pelo diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, em reunião da diretoria da Fiesp em 23 de janeiro. A Fiesp tem atuado pela redução das taxas de juros, por meio da apresentação de estudos, seminários e reuniões com o Banco Central. E o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, tem se manifestado sobre o tema. Por exemplo, em reunião em dezembro do ano passado com líderes de mais de 100 entidades da indústria, do comércio, dos serviços e do agronegócio, Skaf, disse que a recuperação do crescimento econômico depende da redução dos juros, tanto da Selic quanto do cartão de crédito e do cheque especial. “O Banco Central está errado em manter a taxa Selic neste nível absurdo”, afirmou.

(Redação - Agência IN)