Custo de Vida em São Paulo sobe mais para famílias de menor renda

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Custo de Vida em São Paulo sobe mais para famílias de menor renda Foto: Divulgação Custo de Vida em São Paulo sobe mais para famílias de menor renda

O Índice do Custo de Vida no município de São Paulo aumentou 0,67% entre abril e maio, segundo cálculo do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. O índice por estrato de renda indicou que a maior alta foi registrada para as famílias com menor renda ou pertencentes ao estrato 1: 1,09% e menor para o estrato 3, ou para aquelas com maior renda: 0,51%. Para as famílias do estrato intermediário, a taxa foi de 0,83%.

Em maio, para o índice geral, os grupos que registraram as maiores taxas foram Despesas Pessoais (4,75%), Alimentação (0,91%), Saúde (0,86%) e Habitação (0,76%) que juntos contribuíram com 0,79 ponto percentual (p.p.) no índice final. Já a redução de -1,11% no grupo Transporte resultou em impacto de -0,16 p.p. na taxa de maio.

A alta do cigarro (8,77%) foi a principal responsável pela taxa de 4,75% no grupo Despesas Pessoais, que elevou o subgrupo fumo e acessórios em 8,67%, enquanto que o higiene e beleza variou 0,56%.

O grupo Saúde aumentou 0,86%, principalmente pelo reajuste de 1,15% nos convênios médicos empresariais, o que fez com que o subgrupo assistência médica subisse 1,02%. Já o subgrupo medicamentos e produtos farmacêuticos variou 0,09%. Foi registrada alta no grupo Habitação (0,76%), principalmente pelo reajuste da tarifa de água (6,31%), o que impactou no subgrupo operação do domicílio (1,01%) e no locação, impostos e condomínio (0,61%). A taxa do subgrupo conservação do domicílio foi de de 0,17%. A redução do álcool (-8,99%) e da gasolina (-0,64%) diminuiu o item combustível (-3,05%) e o subgrupo transporte individual (-1,62%), o que explicou a queda do grupo Transporte em -1,11%, uma vez que o transporte coletivo não variou.

As taxas dos subgrupos da Alimentação (0,91%) foram as seguintes: alimentação fora do domicílio (0,98%), indústria alimentícia (0,95%) e produtos in natura e semielaborados (0,84%).A desagregação dos itens que compõem o subgrupo produtos in natura e semielaborados (0,84%), incluídos nos gastos com Alimentação (0,91%), revelou o seguinte comportamento:

Legumes (12,13%) – todos os legumes tiveram aumento de preço, exceto o pimentão (-6,94%). As maiores altas foram verificadas na vagem (45,24%), chuchu (-43,62%), quiabo (38,22%) e pepino (19,21%);

Raízes e tubérculos (9,36%) – batata (18,39%), cebola (6,68%), mandioquinha (6,03%) e alho (5,67%) mostraram aumento de valor; e, mandioca (-0,62%), beterraba (-6,39%) e cenoura (-13,99%) registraram queda;

Grãos (2,63%) – os preços do quilo do feijão carioquinha (5,93%) e do arroz (0,94%) aumentaram e o do outros grãos quase não variou (0,01%);

Leite in natura (2,27%) – o preço do leite aumentou, em média, 2,27%; sendo que o leite A subiu 1,90%, o B, 2,34% e o C, 2,24%.

Carnes (-0,45%) – a redução da carne bovina e da suína foram iguais (-0,45%);

Aves e ovos (-1,14%) – houve retração no valor das aves (-1,11%) e dos ovos (-1,25%);

Frutas (-1,48%) – as frutas com maiores altas foram: limão (32,76%), morango (14,35%), manga (12,83%) e maracujá (12,51%), já as que mostraram maiores quedas foram melão (-13,44%) e mamão (-13,13%);

Hortaliças (-5,36%) – as maiores quedas foram anotadas na escarola (-8,51%), alface (-8,47%) e agrião (-6,88%). As únicas altas ocorreram no preço da couve flor (4,62%) e da couve (2,43%);

Em maio, os produtos que registraram aumentos mais expressivos no subgrupo indústria da alimentação (0,95%) foram: leite longa vida (4,37%), iogurtes (4,32%), queijo prato (4,06%), macarrão com ovos (3,85%), salsicha (3,03%), café em pó (2,75%), cerveja (1,86%), carnes industrializadas (1,22%), pão francês (1,10%) A queda mais significativa foi anotada nos refrigerantes (-0,66%). As altas no subgrupo alimentação fora do domicílio (0,98%) ocorreram da seguinte forma: refeições principais (1,34%) e lanches matinais e vespertinos (0,52%).

As taxas dos dois estratos de menor renda mostraram alta em relação ao mês anterior: para o primeiro estrato o aumento foi de 0,52 p.p., para o segundo, 0,28 p.p.. Para o terceiro estrato, a redução foi de -0,07 p.p..

Resultados da inflação nas taxas por estrato

As taxas de inflação por estrato de renda resultam da forma como as famílias distribuem seus gastos, que varia segundo o poder aquisitivo e o comportamento dos preços de bens e serviços.

A alta da Alimentação teve maior impacto no custo de vida das famílias de mais baixa renda: no estrato 1, a taxa foi de 1,01% e a contribuição de 0,41 p.p.. Para o estrato 2, a variação foi de 0,94% e a contribuição, de 0,35 p.p. e para o estrato 3, 0,83% e 0,23 p.p., respectivamente.

O aumento dos cigarros elevou a taxa do grupo Despesas Pessoais, com maior impacto para o estrato 1: a taxa foi de 5,46% e a contribuição de 0,33 p.p.. Para o estrato 2, a alta foi de 5,08%, o que impactou 0,26 p.p. e, para o estrato 3, de 4,33% e 0,16 p.p., respectivamente.

A alta da tarifa de água em São Paulo foi o principal responsável pelo aumento na Habitação, e teve maior impacto para as famílias do estrato 1, com taxa de 1,17% e contribuição de 0,27 p.p.; no estrato 2, a taxa foi de 0,99% e o impacto de 0,22 p.p. e no estrato 3, de 0,63% e 0,14 p.p., respectivamente.

O aumento dos convênios médicos explicou a alta no grupo Saúde, com maior impacto para o estrato 3: a taxa foi de 0,88% e a contribuição de 0,14 p.p.. Para o estrato 2, a taxa também foi de 0,88% e e a contribuição de 0,11 p.p. e para o 1, foi de 0,77% e 0,08 p.p., respectivamente.

A redução dos combustíveis fez com que a taxa do grupo Transporte fosse negativa, o que beneficiou mais o estrato 3: a taxa foi de -1,26% e a contribuição de -0,19 p.p.; para o estrato 2, -0,99% e -0,14 p.p. e para o estrato 1, de -0,52% e -0,05 p.p., respectivamente.

Inflação acumulada

De junho de 2015 a maio de 2016, o ICV-DIEESE acumulou variação de 9,44%. Nas famílias pertencentes aos estratos de renda mais baixos foram observadas as maiores taxas: 10,22% para o estrato 1; 9,80% para o estrato 2; e 9,13% para o estrato 3. Em 2016, o índice geral foi de 4,25%. As taxas por estrato de renda apresentaram comportamento semelhante ao anual: 1º estrato, 4,68%; 2º estrato, 4,41%; e 3º estrato, 4,06%.

Comportamento dos preços em 2016

Quatro dos dez grupos do ICV apresentaram taxas superiores ao índice geral (4,25%): Despesas Pessoais (12,00%), Educação e Leitura (7,78%), Alimentação (5,93%), e Saúde (4,60%). Nos outros seis, foram verificadas variações menores: Recreação (3,46%), Transporte (3,31%), Equipamento Doméstico (1,48%), Despesas Diversas (1,96%), Vestuário (1,39%) e Habitação (0,18%).

O grupo Despesas Pessoais (12,00%) foi o que apresentou a maior taxa acumulada em 2016. Enquanto a variação do subgrupo higiene e beleza (3,77%) ficou abaixo do índice geral (4,25%); o subgrupo fumo e acessórios registrou alta de 20,23%, devido aos reajustes ocorridos para os cigarros (20,43%).

Tanto no subgrupo educação quanto no da leitura, que compõem o grupo Educação e Leitura (7,78%), foram observadas altas taxas acumuladas, 7,81% e 7,33% respectivamente. Nos itens do subgrupo educação (7,81%) foram observadas as seguintes taxas: 9,08% para os livros didáticos; 8,35% para os cursos formais;6,07% para os artigos de papelaria; e 4,70% para os cursos diversos. No subgrupo leitura (7,33%), os jornais não variaram e as revistas apresentaram taxa de 12,79%.

Na Alimentação (5,93%), as variações que mais se destacaram por subgrupo em 2016 são as seguintes:

produtos in natura e semielaborados (6,03%): 37,02% para raízes e tubérculos; 20,28% para legumes; 11,83% para grãos e 11,10% para frutas;

indústria da alimentação (6,38%): 15,86% para açúcar; 9,93% para óleos e gorduras; 8,62% para os frios; 8,31% para bebidas alcoólicas; 8,31% para os derivados do leite; 7,03% para os peixes enlatados; 6,94% para as farinhas; 4,33% para condimentos e enlatados; 6,81% para o café e chá; 5,64% para as massas e 5,16% para os panificados; e,

alimentação fora do domicílio (5,06%): os lanches tiveram reajuste de 4,80% e as refeições principais, de 5,26%. A Saúde apresentou variação acumulada de 4,60%. Os medicamentos e produtos farmacêuticos registraram taxa de 11,46%, em razão do reajuste dos remédios. A taxa do subgrupo assistência médica foi menor, 3,18%.

Comportamento dos preços nos últimos 12 meses

Entre junho de 2015 e maio de 2016, a taxa acumulada foi de 9,44%. Foram observadas variações superiores ao índice geral para os grupos Despesas Pessoais (15,80%), Alimentação (11,36%), Saúde (10,19%) e Transporte (9,76%).

Despesas Pessoais (15,80%) – no subgrupo higiene e beleza (11,00%), enquanto os produtos aumentaram 13,81%, os serviços variaram 3,16%. Já para o subgrupo fumo e acessórios (20,29%), a alta foi determinada pelo reajuste de 20,43% dos cigarros.

Alimentação (11,36%) – os produtos in natura e semielaborados subiram 11,17%, com destaque para: limão (101,45%), chuchu (99,82%), manga (79,21%), batata (69,63%), mamão (66,29%), alho (47,32%), maçã (45,19%) e feijão (40,43%). Os itens da indústria alimentícia acumularam alta de 12,28% e ressaltam-se as elevações do açúcar (48,09%), pêssego em calda (46,86%), azeite (32,10%), goiaba em calda (31,48%) e pimenta do reino (30,52%). A alimentação fora do domicílio acumulou taxa de 10,41%, sendo 9,14% para os lanches matinais e vespertinos e 11,40% para as refeições principais.

Saúde (10,19%) – enquanto a assistência médica aumentou 9,63%, os medicamentos e produtos farmacêuticos subiram 12,70%.

Transporte (9,76%) – no subgrupo transporte individual (10,53%) se destacaram os aumentos nos: combustíveis (14,35%) – álcool (19,99%) e gasolina (12,50%); estacionamento (12,13%); óleos lubrificantes (11,92%); e serviços de manutenção de automóveis (8,76%). A taxa acumulada do subgrupo transporte coletivo foi 8,14%.

(Redação - Agência IN)