Custo da cesta básica diminui em 16 capitais no mês de abril

  •  
Custo da cesta básica diminui em 16 capitais no mês de abril Foto: Divulgação Custo da cesta básica diminui em 16 capitais no mês de abril

O custo do conjunto de alimentos essenciais diminuiu em 16 capitais, segundo os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). As reduções mais expressivas foram registradas em João Pessoa (-4,02%), Recife (-2,73%) e Fortaleza (-2,58%). As maiores altas ocorreram em Goiânia (1,49%), Salvador (0,79%), Aracaju (0,77%) e Manaus (0,66%).

A cesta mais cara foi a do Rio de Janeiro (R$ 440,06), seguida por São Paulo (R$ 434,80), Porto Alegre (R$ 430,29) e Florianópolis (R$ 426,73). Os menores valores médios foram observados em Salvador (R$ 325,42) e Recife (R$ 333,11).

Em 12 meses, entre abril de 2017 e 2018, os preços médios da cesta caíram em todas as cidades, com destaque para João Pessoa (-12,22%), Salvador (-11,24%) e Fortaleza (-10,42%). Nos quatro primeiros meses de 2018, todas as capitais mostraram elevação acumulada, com variações entre 0,29%, em Recife, e 6,39%, em Vitória.

Com base na cesta mais cara, que, em abril, foi a do Rio de Janeiro, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em abril de 2018, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.696,95, ou 3,88 vezes o salário mínimo nacional, de R$ 954,00. Em março, tinha sido estimado em R$ 3.706,44, ou 3,89 vezes o piso mínimo do país. Em abril de 2017, o mínimo necessário era equivalente a R$ 3.899,66, ou 4,16 vezes o salário mínimo nacional daquele ano, correspondente a R$ 937,00.

Em abril de 2018, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 87 horas e 21 minutos. Em março de 2018, a jornada necessária ficou em 88 horas e 07 minutos. Em abril de 2017, o tempo necessário era de 93 horas e 17 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em abril, 43,16% do salário mínimo líquido para adquirir os mesmos produtos que, em março, demandavam 43,54% e, em abril de 2017, 46,09%.

Entre março e abril de 2018, caíram os preços do açúcar, tomate e óleo de soja. Já os preços do leite integral e do arroz mostraram tendência de alta na maior parte das cidades.

Entre março e abril, o valor do quilo do açúcar refinado caiu em 16 cidades e aumentou em Belém (0,71%), Vitória (1,25%), Manaus (1,41%) e Goiânia (4,70%). As quedas variaram entre -11,45%, no Rio de Janeiro, e -0,50%, em Salvador. Em 12 meses, o valor do açúcar apresentou taxas negativas em todas as capitais, com destaque para Goiânia (-39,06%), Salvador (-34,53%) e Vitória (-33,06%). Apesar da pressão dos usineiros para elevar o preço do produto, no varejo, o valor segue em queda na maior parte das capitais.

O preço do tomate diminuiu em 15 capitais em abril. As quedas oscilaram entre -25,84%, em João Pessoa, e -2,92%, em São Paulo. As altas foram anotadas em Belo Horizonte (1,06%), Rio de Janeiro (4,43%), Goiânia (4,60%), Salvador (7,81%) e Florianópolis (9,49%). Em 12 meses, o valor caiu em 16 capitais, com destaque para João Pessoa (-29,48%), Salvador (-28,91%), Recife (-28,08%) e Natal (-25,90%). A maior taxa acumulada foi a de Manaus (9,54%). A entrada no atacado dos frutos colhidos nas safras de verão e inverno elevou a quantidade ofertada do produto e, apesar da baixa qualidade, fez diminuir o preço médio no varejo.

O preço do óleo de soja diminuiu em 15 capitais, entre março e abril. O valor ficou estável em Goiânia e Manaus e aumentou em Curitiba (0,53%), Recife (1,04%) e Belém (5,41%). As quedas oscilaram entre -2,07%, em Florianópolis, e -0,27%, em João Pessoa.

Em 12 meses, o produto apresentou taxa negativa em todas as cidades, em especial em Goiânia (-24,79%), Aracaju (-19,91%) e Belém (-19,91%). Apesar da elevação das exportações de óleo, internamente, a demanda seguiu baixa, o que reduziu os preços no varejo.

O valor do litro de leite aumentou em 18 cidades, com altas entre 0,71%, em Belém, e 8,12%, em Belo Horizonte. As quedas foram verificadas em Fortaleza (-0,80%) e Salvador (-0,29%). Em 12 meses, quase todas as cidades acumularam redução nas taxas, que variaram entre -19,33%, em Goiânia, e -1,17%, em Campo Grande. Houve elevação apenas em Curitiba (0,29%). A menor oferta de leite no campo elevou o preço dos derivados no varejo.

O preço do quilo do arroz aumentou em 12 capitais, entre março e abril, com taxas entre 0,37%, em Fortaleza, e 2,78%, em Brasília. As quedas mais expressivas ocorreram em Natal (-3,84%) e São Paulo (-3,12%). Em 12 meses, houve redução de preços em todas as cidades, com taxas entre -21,49%, em Belém, e -2,91%, em Aracaju. A disponibilidade de arroz esteve baixa, devido à retração da produção, e a demanda das indústrias pelo grão seguiu firme, o que provocou alta nos preços pagos ao produtor.

A cesta de alimentos básicos custou R$ 434,80 na cidade de São Paulo, em abril, com redução de -0,69% em relação a março. O município apresentou o segundo maior valor para o conjunto básico de alimentos entre os 20 pesquisados pelo DIEESE. Em 12 meses, a variação anual foi de -2,57% e, nos quatro primeiros meses de 2018, de 2,46%.

Entre março e abril de 2018, houve diminuição no valor médio de nove produtos: açúcar refinado (-4,20%), café em pó (-3,48%), arroz agulhinha (-3,12%), tomate (-2,92%), farinha de trigo (-1,37%), carne bovina de primeira (-1,26%), banana (-0,98%), óleo de soja (-0,88%) e pão francês (-0,35%). Os aumentos foram registrados para feijão carioquinha (1,09%), batata (2,10%), manteiga (2,14%) e leite integral (3,40%).

Em 12 meses, três produtos tiveram alta acumulada: batata (5,59%), manteiga (13,85%) e pão francês (14,74%). Os demais apresentaram redução: açúcar refinado (-21,65%), feijão carioquinha (-20,17%), banana (-16,27%), óleo de soja (-11,32%), arroz agulhinha (-9,42%), farinha de trigo (-8,30%), tomate (-6,30%), leite integral (-3,69%), café em pó (-2,90%) e carne bovina de primeira (-2,33%).

O trabalhador paulistano cuja remuneração equivale ao salário mínimo precisou cumprir jornada de trabalho, em abril, de 100 horas e 16 minutos, ligeiramente menor do que em março, quando ficou em 100 horas e 58 minutos. Em abril de 2017, a jornada era de 104 horas e 47 minutos.

Em abril de 2018, o custo da cesta em São Paulo comprometeu 49,54% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários). Em março, o percentual exigido era de 49,89% e, em abril de 2017, de 51,77%.

(Redação - Investimentos e Notícias)