Cortar embaixadas não resolverá parte financeira do Itamaraty

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Para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reduzir o número de representações diplomáticas do Brasil no exterior não vai resolver a crise financeira do Itamaraty. A instituição vem sofrendo com cortes orçamentários impostos pelo governo e com a crescente desvalorização do real frente ao dólar.

O ministro, que participou de audiência no Senado nesta quinta-feira (3), disse ser contra o fechamento de postos já existentes e afirmou que tal estratégia já foi feita antes, mas gerou mais prejuízo.

- Em 2001 foram fechadas várias embaixadas e um ano e meio depois tivemos que reabrir. É muito mais importante racionalizar os gastos. A presença do Brasil nos países caribenhos, por exemplo, abriu portas e criou oportunidades comerciais. Enquanto puder, resistirei à proposta de fechar representações - afirmou o chanceler à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

A questão havia sido levantada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que sugeriu a acumulação de cargos para embaixadores em países menores e com os quais o Brasil tenha poucas relações comerciais. Tasso e Ricardo Ferraço (PMDB-ES) mostraram-se preocupados com relatos de atrasos de aluguéis pagos pelo Itamaraty no exterior e com a inadimplência do Brasil diante de organismos internacionais. Eles cobraram uma lista com as dívidas do país.

Outro tema abordado na audiência da CRE foi a eleição parlamentar da Venezuela. Os parlamentares cobraram a presença do Brasil atuando como observador a fim de se garantir a lisura do processo. O ministro disse estar confiante:

- Os sinais são positivos. As eleições foram marcadas para 6 de dezembro e continuamos trabalhando em uma missão de acompanhamento pela Unasul. O governo brasileiro e a Unasul querem participar desse esforço para resguardar a ordem constitucional - explicou.

O senador José Agripino (DEM-RN) aproveitou para ler uma carta da ex-deputada venezuelana Maria Corina criticando a opressão do governo Nicolás Maduro e pedindo a intervenção do Brasil nas eleições. Segundo ele, a carta foi enviada à presidente Dilma Rousseff, que não respondeu.

Os rumos da política externa brasileira geraram discussão entre os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), que acusou o governo de adotar uma estratégia mais ideológica do que pragmática na relação com outros países.

- Nossa política internacional deveria estar, desde 2002, virada para o mundo desenvolvido. Com todo respeito e sem nenhum preconceito com os países mais pobres. Mas essa é a visão que devemos ter sob o ponto de vista comercial. Mas a estratégia até agora tem sido mais ideológica do que pragmática, com privilégio a países com afinidade com o atual governo - reclamou.

Para Lindbergh, foi fundamental o Brasil ter se livrado da dependência externa aos Estados Unidos.

- Isso refletiu na melhoria do nosso desempenho comercial. Não se trata de questões ideológicas, mas comerciais. Não tenho tenho posição contrária aos Estados Unidos, mas é preciso entender que o mundo mudou - opinou.

(Redação - Agência IN)