BNDES registra lucro líquido de R$ 2,06 bilhões no trimestre

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BNDES registra lucro líquido de R$ 2,06 bilhões no trimestre Foto: Divulgação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,06 bilhões no primeiro trimestre de 2018, um crescimento de 453,4% diante do mesmo trimestre de 2017. O resultado foi marcado pelos efeitos positivos da reversão da despesa com provisão para risco de crédito e do crescimento do resultado com participações societárias.

A necessidade de constituição de provisão para risco de crédito observada no ano anterior não se repetiu no primeiro trimestre de 2018 e culminou na redução da despesa dessa natureza em R$ 2,21 bilhões.

O desempenho positivo com participações societárias no primeiro trimestre de 2018 refletiu, basicamente: (1) o crescimento de R$ 322 milhões do resultado com derivativos embutidos em debêntures; (2) a redução de R$ 301 milhões da despesa com provisão para perdas em investimentos (impairment); (3) o crescimento de R$ 209 milhões do resultado com alienações de participações societárias, em que se destaca alienação de ações da Petrobras; e (4) aumento de R$ 183 milhões na receita com dividendos e juros sobre capital próprio, em especial dividendos pagos pela Vale.

O produto de intermediação financeira passou de R$ 4,51 bilhões no primeiro trimestre do ano passado para R$ 2,57 bilhões no mesmo trimestre de 2018, devido, principalmente, à redução na rentabilidade da carteira de títulos e valores mobiliários e dos resultados com operações de crédito e repasses, basicamente em função do declínio da carteira média no período.

Ativos - O ativo do Sistema BNDES totalizou R$ 860,11 bilhões, em 31 de março, o que significou um ajuste de R$ 7,4 bilhões (0,9%) no trimestre. A carteira de crédito e repasses, líquida de provisão, totalizou R$ 527,95 bilhões, uma retração de 3,7% no trimestre, devido ao volume de liquidações, que superou os desembolsos realizados no período em R$ 30,29 bilhões.

A boa qualidade da carteira se manteve no trimestre, com a concentração de 95,8% das operações entre os níveis de risco AA e C, considerados de baixo risco, percentual superior à média de 90,1% do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em 31/12/17 (última data disponível).

Inadimplência - A inadimplência (+ 30 dias) da carteira de crédito e repasses apresentou ligeiro crescimento no trimestre, passando de 2,12%, em dezembro de 2017, para 2,24% em 31 de março.

Já a inadimplência (+ 90 dias) apresentou queda no trimestre, passando de 2,08% em dezembro de 2017, para 1,62% em março de 2018. Esses números permanecem abaixo da inadimplência (+ 90 dias) do SFN (3,25% em 31/12/17 e 3,43% em 31/03/18).

Desconsideradas as operações cujas prestações são integralmente honradas pela União, o índice de inadimplência do BNDES seria de 0,98% (30 dias) e de 0,36% (90 dias).

O índice de renegociação, que compreende as operações de crédito renegociadas nos últimos 12 meses, cresceu de 3,62% em 31/12/17 para 5,18% em 31/03/18, sobretudo pelas renegociações de dívidas dos Estados ao amparo da Lei Complementar 156/2016.

A carteira de participações societárias (participações em sociedades coligadas e não coligadas + fundos de investimento de renda variável) atingiu R$ 96,04 bilhões no trimestre, um crescimento de R$ 14,36 bilhões (17,6%), devido à valorização de R$ 15,47 bilhões da carteira de participações em sociedades não coligadas, especialmente do investimento na Petrobras. O percentual de participação do BNDES no capital total da Petrobras ficou em 15,98% (16,54% em dezembro de 2017).

Fontes de Recursos - Em 31 de março, o Tesouro Nacional e o FAT/PIS-PASEP representavam 45,6% e 29,2%, respectivamente, das fontes de recursos do BNDES.

Por conta do pagamento antecipado de R$ 30,10 bilhões feito ao Tesouro em março de 2018, a dívida com o Tesouro recuou 5,8% e encerrou o trimestre em R$ 391,90 bilhões.

No trimestre, ingressaram R$ 4,69 bilhões de recursos do FAT, sendo R$ 4,46 bilhões do FAT Constitucional. O saldo com o FAT ao final de março de 2018 era de R$ 251,44 bilhões.

Patrimônio Líquido - O Patrimônio Líquido do BNDES totalizou R$ 74,18 bilhões ao final do trimestre. O crescimento de R$ 11,35 bilhões (18,1%) reflete basicamente os efeitos da valorização da carteira de ações, líquida de tributos, de R$ 9,62 bilhões, e do lucro líquido de R$ 2,06 bilhões.

Limites Prudenciais - O Patrimônio de Referência, base para o cálculo dos limites prudenciais estabelecidos pelo BACEN, alcançou R$ 163,13 bilhões em 31 de março. Os limites prudenciais do BNDES se mantiveram acima dos requerimentos mínimos exigidos pelo BACEN, apresentando, ainda, melhora diante de dezembro de 2017.

O índice de Basileia passou de 27,5% em 31 de dezembro de 2017 para 30,1% em 31 de março, bem acima dos 10,5% exigidos pelo Banco Central. Isso ocorreu, principalmente, pelo aumento do patrimônio de referência, que passou de R$ 146,37 bilhões para R$ 163,13 bilhões, no mesmo período.

Os índices de Capital Nível I e Capital Principal também apresentaram aumento no trimestre, de 18,3% para 20,1%, acima dos patamares mínimos exigidos pelo BACEN de 7,25% e 5,75%, respectivamente.

BNDESPAR - No primeiro trimestre de 2018, o lucro líquido da BNDESPAR, subsidiária de participações acionárias do Sistema BNDES - aqui entendido como o resultado do período acrescido do ganho líquido com alienações de ações reconhecido diretamente em Lucros Acumulados - foi de R$ 570 milhões, uma queda de 46% diante do lucro líquido de R$ 1,24 bilhão no primeiro trimestre de 2017. Esse declínio se deu pela provisão para perdas na carteira de debêntures de R$ 1,31 bilhão (ou R$ 865 milhões, se considerados os efeitos tributários).

O resultado líquido com alienações de participações societárias foi de R$ 831 milhões. O principal desinvestimento realizado pela BNDESPAR foi a alienação de ações da Petrobras, responsável por mais de 90% do resultado com alienações.

(Redação - Investimentos e Notícias)