Balança melhora, mas produção industrial não se recupera

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Balança melhora, mas produção industrial não se recupera Foto: Divulgação

Apesar da melhora expressiva da balança comercial brasileira em setembro, que registrou superávit de US$ 2,94 bilhões apenas no mês de agosto, a produção industrial brasileira segue em queda, tendo registrado retração de 1,2% em agosto frente ao mês anterior, quando já havia cedido 1,5%.

No caso da balança comercial, a melhoria se deve em grande medida à redução do volume de importações, que apresentou queda de 22,6% na comparação do acumulado entre janeiro/setembro de 2015 com o mesmo período do ano anterior, enquanto as exportações apresentam retração menos expressiva: de 16,3% na mesma comparação.

A expectativa é que o ano de 2015 registre superávit comercial da ordem de R$ 15 bilhões. Já a produção industrial não seguiu na mesma direção, tendo retraído 9% na comparação com agosto de 2014, com uma queda de 6,9% apenas em 2015 e de 5,7% no acumulado de 12 meses.

Em agosto, novamente o grande vilão foi o setor automotivo, com queda de 9% no mês, após ter apresentado uma recuperação de 1,9% em julho.

A produção de bens de capital também seguiu em queda acentuada, registrando retração de 7,6% na comparação mensal, enquanto o setor de bens de consumo duráveis cedeu 4%. Na comparação com agosto de 2014, a queda do setor de bens de capital somou 33,2%, enquanto bens de consumo duráveis apresentam retração de 14,6%.

A recuperação do setor externo se deve tanto à desvalorização cambial, que encarece os produtos importados e melhora a competitividade das exportações brasileiras, quanto à recessão atual, que reduz o consumo e assim afeta negativamente a importação.

A melhora da conta Petróleo, que reduziu seu déficit para apenas US$ 3,5 bilhões entre janeiro e setembro de 2015 (contra déficit de US$ 12,8 bi no mesmo período de 2014) dada a entrada em operação de novas plataformas e a queda de demanda por combustíveis, também foi decisiva para o saldo positivo. Esta combinação de fatores aumenta nossa capacidade exportadora e reduz a conveniência e necessidade de importação, não apenas de produtos finais, mas também de insumos produtivos.

A manutenção da taxa de câmbio em patamares competitivos é condição necessária (mesmo que não suficiente) para a retomada futura do crescimento econômico e da competitividade industrial, uma vez que o setor se beneficiará da desvalorização cambial assim que os efeitos da recessão forem superados.

Atualmente, a desvalorização cambial ainda apresenta apenas seus impactos negativos, reduzindo o poder de compra dos salários (devido particularmente ao aumento da inflação decorrente da correção de preços dos produtos importados), aumenta o endividamento das empresas com dívidas em dólar e encarecendo os insumos produtivos das indústrias que se acostumaram a comprá-los de fornecedores internacionais.

No médio/longo prazo, a substituição de fornecedores externos por fornecedores nacionais e a maior competitividade dos produtos brasileiros (tanto no mercado interno quanto externo) será um dos elementos decisivos para a retomada dos investimentos industriais. Até lá, teremos que encontrar uma fonte de demanda autônoma para nos retirar da recessão atual, pois não há sentido esperar uma recuperação do setor industrial em meio a uma recessão prolongada.

(Redação - Agência IN)