Rombo nas contas do governo foram destaque da última semana

  •  
Pesquisas de intenção de voto também entraram no radar dos investidores Foto: divulgação Pesquisas de intenção de voto também entraram no radar dos investidores

Outro ponto de atenção foi o início da divulgação dos balanços corporativos referentes ao quarto trimestre de 2017.

Brasil

As contas do governo registraram rombo de R$124 bilhões em 2017. Este foi o 4° ano seguido em que as despesas superaram a arrecadação com impostos e tributos. O governo cumpriu a meta para as contas públicas, mas os investimentos caíram fortemente.

Esse valor equivale a 1,9% do PIB, segundo informações da Secretaria do Tesouro Nacional. No ano passado, a meta fiscal do governo federal era de déficit de até R$ 159 bilhões. Ou seja, o governo tinha permissão do Congresso para que suas despesas superassem as receitas até esse valor.

Na última quarta-feira, foi divulgada a taxa de desemprego, indicador mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice encerrou o quarto trimestre de 2017 em 11,8%, valor abaixo que o trimestre imediatamente anterior (12,4%), totalizando 12,3 milhões de pessoas.

Apesar da queda, a principal influência para o resultado foram os trabalhadores por conta própria, cujo crescimento foi de 1,3%. Ainda de acordo com o IBGE, o trabalho sem carteira assinada e por conta própria superou, pela primeira vez em 2017, o número de empregos formais.

A Balança Comercial do Brasil apresentou superávit de US$2,76 bilhões em janeiro deste ano, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Esse foi o melhor resultado para o mês de janeiro desde 2006. O superávit do mês passado foi o segundo maior da série histórica, iniciada em 1989.

Depois de fechar no vermelho por três anos seguidos, a indústria brasileira voltou a crescer e fechou 2017 em alta de 2,5%, de acordo com os dados do IBGE. A indústria mostrou o melhor resultado desde 2010, quando a produção industrial tinha avançado 10,2%. Contudo, o patamar de produção ainda está longe do que já foi produzido.

Cenário Político

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o objetivo do governo é aprovar a proposta ainda em fevereiro e que, se a votação não acontecer nas próximas semanas, o governo entende que não pode ficar com a pauta de forma indefinida.

Sobre a apreciação dos deputados para a reforma mesmo sem o número de votos necessários, Padilha afirmou que a intenção do governo é colocar o texto para a votação no dia 19 de fevereiro e que a pauta na Câmara dos Deputados fica a critério de Rodrigo Maia, presidente da Casa.

Após o julgamento e condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado ficou atento para a corrida presidencial em 2018. De acordo com a pesquisa eleitoral para a presidência em 2018, realizada pelo Datafolha, se Lula concorrer às eleições tem 34% das intenções de votos, seguido por Jair Bolsonaro (16%) e Marina Silva (8%). Já na pesquisa sem Lula, Bolsonaro aparece com 18%, seguido por Marina (13%), Ciro Gomes (10%), Geraldo Alckmin (8%) e Luciano Huck (8%).

Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro seria derrotado tanto por Lula (49% a 32%) quanto por Marina Silva (42% a 32%). Ainda no âmbito da pesquisa, em um cenário sem o petista, o “Lulismo” fica sem dono e apresenta número bastante elevado de votos brancos e nulos. Caso este cenário seja confirmado, uma candidatura de centro tende a levar os votos de Lula.

Cenário Corporativo

Nesta semana, as empresas listadas na Bolsa de Valores começaram a apresentar os resultados referentes ao quarto trimestre do ano passado.

O Bradesco (BBDC4) divulgou no dia 1º de fevereiro seus resultados referentes ao 4º trimestre de 2017. O lucro líquido ajustado foi de R$ 4,862 bilhões, alta de 10,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido médio, por sua vez, foi de 18,1%.

A Cielo (CIEL3) fechou o 4T17 com lucro líquido de R$1,04 bilhão, alta de 3,1% na comparação anual. Segundo o presidente da companhia, Eduardo Gouveia, o “pior período já passou”.

A Fibria (FIBR3), por sua vez, encerrou o 4º trimestre de 2017 com lucro líquido atribuível aos acionistas controladores de R$ 278 milhões, revertendo o prejuízo líquido de R$ 92 milhões registrado no mesmo intervalo de 2016.

O setor de concessões rodoviárias foi um dos destaques da última semana, em meio à compra da Concessionária de Rodovias Minas Gerais Goiás (MGO) pela Ecorodovias (ECOR3), por R$600 milhões. Em janeiro, a companhia arrematou o trecho Norte do Rodoanel de São Paulo.

Outro destaque foi a negociação entre Embraer (EMBR3) e Boeing para a possível criação de uma terceira empresa, que será responsável pela operação comercial da fabricante de aviões. Ainda não foi sacramentada, mas o governo vê com bons olhos, uma vez que não abre mão da golden share detida.

Mundo

EUA

O grande destaque de indicadores nos EUA foi o Payroll, relatório de empregos não-agrícola, divulgado no dia 02 de fevereiro. No mês passado, foram criados 200 mil postos de trabalho, ante previsão de 184 mil. Após o resultado, as principais Bolsas nos EUA operavam em queda acentuada.

Ainda em relação à principal economia do mundo, o presidente Donald Trump fez seu primeiro discurso do Estado da união nesta semana. Ele pediu para que o Congresso se una para aprovar o plano de infraestrutura e a reforma imigratória. Ao comentar sobre o terrorismo, Trump assinou uma ordem para manter em aberto o presídio de Guantánamo, situado em Cuba.

Europa

As principais praças financeiras na Europa fecharam o último pregão da semana majoritariamente em tom mais pessimista, com os investidores digerindo os dados de empregos nos EUA e com a atenção voltada para a temporada de divulgação de resultados. No início da semana foi divulgado o PIB trimestral da Zona do Euro, que veio em linha com a expectativa de mercado (crescimento de 0,6%).