Transações correntes foram deficitárias em agosto

  •  
Transações correntes foram deficitárias em agosto (Foto: Pexels) Transações correntes foram deficitárias em agosto

Em agosto de 2018, as transações correntes foram deficitárias em US$717 milhões, comparado a déficit de US$320 milhões no mês correspondente de 2017, impulsionado pela redução do superávit comercial, segundo dados do Banco Central (BC). O déficit em transações correntes acumulou US$15,5 bilhões (0,80% do PIB) nos doze meses encerrados em agosto.

O superávit comercial atingiu US$3,4 bilhões no mês, redução de US$2 bilhões em relação a agosto de 2017. Esse decréscimo decorreu da expansão interanual das importações de bens, 35,7%, influenciada pelo registro de US$2,1 bilhões associados a importação de plataforma de petróleo no âmbito do Repetro. Na mesma base comparativa, o crescimento de 15,8% das exportações de bens contempla US$1,3 bilhão de venda ficta de plataforma de petróleo, ao amparo do Repetro. No ano, as exportações de bens expandiram 9% comparativamente ao observado no mesmo período de 2017, somando US$158,7 bilhões, enquanto as importações de bens avançaram em ritmo superior, 24,8%, totalizando US$124 bilhões.

O déficit da conta de serviços atingiu US$2,7 bilhões no mês, 6,1% menor que o resultado de agosto de 2017. Destaque-se a elevação interanual de 16% nos gastos líquidos de transporte, e de 12,1% nos de aluguel de equipamento, em oposição ao recuo de 30,3% nos gastos líquidos de viagens, influenciado depreciação cambial. No acumulado do ano, até agosto, o déficit em serviços cresceu 4,1% relativamente ao mesmo período de 2017. 

Em agosto de 2018, o déficit em renda primária recuou 44,4% na comparação interanual, atingindo US$1,6 bilhão. Os gastos líquidos com juros somaram US$252 milhões no mês, relativamente a US$759 milhões em agosto de 2017, em função da expansão de 73% das receitas de juros, para US$759 milhões, diretamente afetadas pela elevação das taxas de juros internacionais, e da redução de 15,6% das despesas brutas de juros, que somaram US$1 bilhão no mês. As despesas líquidas de lucros e dividendos totalizaram US$1,4 bilhão no mês, recuo de 36,1% ante mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano houve redução de 21,7% no déficit em renda primária, para US$23 bilhões, destacando-se as expansões das receitas de juros (33,9%) e de lucros (108,7%).

Os investimentos diretos no país (IDP) somaram ingressos líquidos de US$10,6 bilhões em agosto, acumulando US$69,6 bilhões em doze meses, equivalentes a 3,61% do PIB. No período de janeiro a agosto de 2018, os ingressos líquidos de IDP somam US$44,4 bilhões, inferiores em US$1,1 bilhão ao observado nos primeiros oito meses de 2017.

Em agosto de 2018, as saídas líquidas de investimentos em ações, fundos de investimento e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico somaram US$7,9 bilhões, continuando a apresentar volatilidade. No acumulado em 12 meses, até agosto, ocorreram saídas líquidas de US$2 bilhões, primeiro valor negativo no ano.

Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$381,4 bilhões em agosto de 2018, correspondendo a 401,5% da dívida externa de curto prazo residual (exceto operações intercompanhia e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico). As reservas internacionais cresceram US$1,9 bilhão em relação a julho de 2018, com destaque para as variações positivas por preço, US$743 milhões, receitas de juros, US$622 milhões, e retorno de US$775 milhões em operações de linhas com recompra. O estoque de linhas com recompra encerrou agosto de 2018 em US$2,2 bilhões.

Posição de Investimento Internacional (PII)

Na posição de junho de 2018, os ativos da PII somaram US$891,0 bilhões, destacando-se as reservas internacionais (US$379,5 bilhões) e os Investimentos Diretos no Exterior (US$381,8 bilhões). Os passivos da PII atingiram US$1,4 trilhão, dos quais o IDP representou pouco mais da metade (US$715,8 bilhões). A PII líquida de junho de 2018, portanto, foi devedora em US$508,5 bilhões, equivalentes a 25,9% do PIB. 

A PII líquida de agosto de 2018 foi estimada em US$480,8 bilhões (24,9% do PIB), recuo de US$27,8 bilhões, comparativamente à posição de junho. A maior parte da redução deveu-se ao impacto da depreciação da taxa de câmbio nominal sobre passivos denominados em moeda nacional, que implicam transferência de risco cambial ao investidor não residente, a exemplo de IDP-Participação no capital, ações, e títulos de dívida negociados no mercado doméstico.

Aprimoramento dos processos de compilação de dívida externa

Em julho de 2018, o Banco Central do Brasil (BCB) aprimorou o sistema de Registro Declaratório Eletrônico - Registro de Operações Financeiras (RDE-ROF), módulo de títulos e empréstimos, principal fonte para a compilação de estatísticas de dívida externa. A modernização do sistema objetivou simplificar o registro dessas modalidades de capital estrangeiro, reduzindo o custo de prestação de informações por parte dos devedores, e, simultaneamente, permitindo aprimoramento dos processos de compilação estatística.

Os aprimoramentos nas estatísticas de dívida externa incluíram aprimoramento na classificação de devedores (residentes no Brasil) e credores (não residentes) por setor institucional, e na classificação de passivos entre curto prazo e longo prazo. As melhorias operacionais do processo de compilação elevam a aderência das estatísticas brasileiras de dívida externa ao padrão internacional da sexta edição Manual de Balanço de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional do FMI (BPM6).

A posição de dívida externa de junho de 2018 foi compilada integralmente sob o novo sistema, enquanto a posição de março de 2018 foi revisada, conforme os processos atuais de compilação. O gráfico a seguir compara as posições apuradas, para março de 2018, nos dois sistemas. Enquanto a variação do estoque total limitou-se a 0,6% (US$3,9 bilhões), houve rearranjo mais significativo entre os setores institucionais dos devedores e entre prazos. 

O setor institucional de bancos passou a compreender apenas instituições financeiras captadoras de depósitos, conforme definição do BPM6, que segue os conceitos das estatísticas de contas nacionais. Esse aprimoramento implicou redução da dívida externa devida por bancos, com migração de parcela para outros setores, que inclui empresas financeiras não bancárias, e operações intercompanhia. A identificação mais precisa do setor institucional de credor e devedor possibilitou aperfeiçoar a classificação de operações intercompanhia. A definição metodológica exige que devedor e credor sejam do mesmo grupo econômico, mas exclui das operações intercompanhia aquelas realizadas entre bancos, fundos de investimento e outros intermediários financeiros, exceto seguradoras e fundos de pensão.

Em relação aos prazos, o BPM6 define operações de longo prazo como aquelas de maturidade superior a um ano. No novo sistema de apuração, operações de dívida externa com prazo original exatamente igual a um ano foram reclassificadas para curto prazo, sem alterações no total.

(Redação – Investimentos e Notícias)