Transações correntes apresentam superávit pelo 2º mês consecutivo

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Transações correntes apresentam superávit pelo 2º mês consecutivo (Foto:Divulgação) Transações correntes apresentam superávit pelo 2º mês consecutivo

Em abril de 2020, as transações correntes apresentaram superávit pelo segundo mês consecutivo, US$3,8 bilhões, maior valor da série histórica mensal iniciada em janeiro de 1995, segundo dados do Banco Central (BC). Na comparação com o déficit de US$1,9 bilhão ocorrido em abril de 2019, contribuíram, principalmente, os recuos no déficit em renda primária, US$2,3 bilhões, e em serviços, US$2,1 bilhões, além da elevação do superávit da balança comercial, US$1,3 bilhão. O déficit em transações correntes do primeiro quadrimestre de 2020 somou US$11,9 bilhões, recuo de 29,9% em relação aos US$17,0 bilhões registrados em período correspondente de 2019. O déficit em transações correntes nos doze meses encerrados em abril de 2020 somou US$44,4 bilhões (2,61% do PIB), ante US$50,1 bilhões (2,87% do PIB), em março de 2020. 

As exportações de bens totalizaram US$18,4 bilhões em abril, recuo de 4,9% em relação ao mês correspondente de 2019. Na mesma base de comparação, as importações de bens diminuíram 15,9%, para US$11,9 bilhões. Na comparação entre os primeiros quadrimestres de 2020 e 2019, as exportações reduziram 4,2%, para US$67,6 bilhões, e as importações mantiveram-se estáveis em US$57,9 bilhões. O superávit comercial de bens do primeiro quadrimestre de 2020 atingiu US$9,6 bilhões, redução de 24,1% comparativamente aos US$12,7 bilhões observados no primeiro quadrimestre de 2019. 

O déficit na conta de serviços atingiu US$1,2 bilhão no mês, 63,4% inferior ao resultado de abril de 2019, US$3,3 bilhões. A maior contribuição para essa retração advém da redução de 91,2% nas despesas líquidas de viagens, que totalizaram US$90 milhões em abril de 2020 (US$1,0 bilhão em abril de 2019). Na comparação interanual houve recuo de 76,0% e de 86,4% nas receitas e despesas de viagens, respectivamente. As despesas líquidas de aluguel de equipamentos também apresentaram redução interanual, de US$1,5 bilhão para US$895 milhões, nos mesmos períodos comparativos, bem como as despesas líquidas de transporte, de US$426 milhões para US$206 milhões, na mesma ordem. 

Em abril de 2020, o déficit em renda primária recuou 59,7% na comparação com abril de 2019, atingindo US$1,6 bilhão. Os gastos líquidos com juros somaram US$1,6 bilhão no mês, estáveis em relação a abril de 2019. As despesas líquidas de lucros e dividendos situaram-se em US$4 milhões, significativamente inferiores aos US$2,3 bilhões observados em abril de 2019. As receitas e despesas de lucros remetidos superaram os lucros totais auferidos no período, evidenciando lucros reinvestidos negativos. 

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$234 milhões no mês, ante US$5,1 bilhões em abril de 2019. O fluxo foi composto por ingressos líquidos de US$320 milhões em participação no capital e por amortizações líquidas de US$86 milhões em operações intercompanhia. O resultado em participação no capital foi influenciado por lucros reinvestidos negativos (desinvestimentos) de US$834 milhões. Nos doze meses encerrados em março de 2020, o IDP totalizou US$73,2 bilhões, correspondendo a 4,31% do PIB, em comparação a US$78,1 bilhões (4,48% do PIB) no mês anterior.

Em abril de 2020, os fluxos líquidos de investimentos diretos no exterior (IDE) apresentaram – a exemplo do observado no mês anterior – regressos líquidos ao país (desinvestimentos), que totalizaram US$4,8 bilhões, ante aplicações líquidas de US$2,6 bilhões no exterior, no mês equivalente de 2019. 

No mês, a saída líquida de investimento em portfólio no mercado doméstico somou US$7,3 bilhões, com saídas líquidas de US$4,9 bilhões em títulos de dívida e de US$2,4 bilhões em ações e fundos de investimento. No primeiro quadrimestre de 2020 houve saídas líquidas de US$31,4 bilhões em instrumentos de portfólio negociados no mercado doméstico, comparativamente a ingressos líquidos de US$10,0 bilhões observados em período similar do ano anterior. Nos doze meses encerrados em abril de 2020, a saída líquida de investimento em portfólio no mercado doméstico somou US$49,0 bilhões.

Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$339,3 bilhões em abril de 2020. O decréscimo de US$3,8 bilhões, relativamente à posição de março, decorreu principalmente da liquidação de US$5,9 bilhões em intervenções no mercado de câmbio, compostas por US$6,6 bilhões em vendas à vista, US$24 milhões de concessões líquidas em linhas com recompra, e US$728 milhões em retornos líquidos nas operações compromissadas em moeda estrangeira. As variações por preço, por paridades e a receita de juros contribuíram, na ordem, para elevar o estoque de reservas em US$1,1 bilhão, US$129 milhões e em US$514 milhões.

(Redação – Investimentos e Notícias)