Setor de serviços se contrai novamente em agosto

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Setor de serviços se contrai novamente em agosto (Foto: Pexels) Setor de serviços se contrai novamente em agosto

O setor de serviços do Brasil se contraiu em agosto, já que a pandemia do coronavírus de 2019 (COVID-19) continuou a pesar sobre o setor, segundo dados do Markit Economics. Contudo, a taxa de declínio foi apenas modesta, com o volume de novos trabalhos voltando a crescer em meio a relatos de uma retomada estável da atividade de mercado.

Apesar do aumento nas cargas de trabalho, os cortes de empregos continuaram a uma taxa pesada, com as empresas tentando minimizar os custos. Apesar disso, as despesas cresceram a uma taxa acelerada, ao passo que o ambiente econômico desafiador levou a mais um mês de descontos nos preços.

O Índice de Atividade de Negócios do setor de Serviços - IHS Markit para o Brasil de agosto continuou a sua ascensão recente mas permaneceu preso abaixo da marca de 50,0, indicativa de ausência de mudanças. Após os ajustes para fatores sazonais, o índice registrou 49,5, acima do valor de 42,5 observado em julho. Apesar dessa ter sido a melhor leitura desde fevereiro, os dados mais recentes estenderam o atual período de contração para seis meses.

As empresas continuaram a relatar que a pandemia global estava pressionando a atividade, com algumas unidades sendo fechadas devido a níveis baixos de entrada de novos negócios. Porém, houve alguns desenvolvimentos positivos no que se refere à demanda, já que os níveis de novos trabalhos aumentaram pela primeira vez em seis meses. O crescimento foi modesto, mas as empresas mencionaram uma retomada estável da atividade de mercado e indicações de uma melhoria na demanda. Contudo, todos os ganhos foram especificamente impulsionados por clientes nacionais, com as empresas indicando outra deterioração acentuada de novas vendas para exportação. A demanda externa tem diminuído por oito meses consecutivos.

Apesar de um crescimento, de um modo geral, na carga de trabalho, o que ajudou a empurrar para cima os volumes de pedidos em atraso pela primeira vez em quase cinco anos e meio, os provedores brasileiros de serviços registraram outro mês de queda no nível de empregos em suas unidades. Segundo os dados mais recentes, têm sido registradas perdas de empregos por seis períodos consecutivos de pesquisa e, apesar de ter diminuído e atingido o seu ponto mais baixo nesta sequência, a taxa de contração foi novamente acentuada.

Questões de custos foram mencionadas como sendo um fator importante por trás da perda de empregos, com as empresas indicando que as despesas operacionais estavam continuando a crescer. A inflação de preços de insumos se acelerou e atingiu um recorde de alta de cinco meses, em meio a relatos de preços mais elevados pagos por equipamentos de proteção pessoal (EPP) e por produtos de limpeza. Porém, as tentativas de repassar o aumento de custos aos clientes foram, no geral, frustradas por pressões competitivas, por negociações por parte dos clientes no sentido de reduzir os preços e pelo clima de negócios desafiador. Embora apenas marginalmente, as taxas de preços cobrados diminuíram pelo quinto mês consecutivo em agosto. Analisando as perspectivas para os próximos doze meses, quase 50% dos entrevistados da pesquisa esperam um crescimento na atividade em relação aos níveis atuais. Isto, no geral, ajudou a aumentar as expectativas das empresas, que atingiram o seu nível mais elevado desde fevereiro. Houve indicações dos entrevistados da pesquisa de que o contínuo processo de recuperação da pandemia deveria ajudar a impulsionar as vendas de novos negócios, e, como resultado, o nível de atividade, no próximo ano.

Consolidado

O Índice Consolidado de dados de Produção voltou a registrar acima da marca de 50,0, indicativa de ausência de mudanças em agosto, atingindo um nível de 53,9, acima do valor de 47,3 observado em julho, e indicando o primeiro crescimento desde fevereiro. Além disso, o aumento da atividade, de um modo geral, foi o mais elevado desde o início de 2013.

O setor industrial liderou a retomada, registrando o seu crescimento mais forte na história da pesquisa. Em contraste, o setor de serviços continuou a se contrair, embora de forma marginal.

Um aumento recorde para a pesquisa no volume de novos pedidos do setor industrial também foi registrado em agosto, ao passo que um retorno ao crescimento de novos negócios no setor dos serviços significou que o volume global de novos trabalhos do setor privado, de um modo geral, cresceu e atingiu o seu grau mais forte em quase um ano e meio.

No que diz respeito ao nível de empregos, houve indicações contrastantes no setor privado como um todo. As perdas de empregos foram mantidas junto aos provedores de serviços, mas o número de funcionários do setor industrial aumentou ao ritmo mais acentuado em dez anos e meio.

Ao mesmo tempo, fatores cambiais desfavoráveis e preços crescentes de mercadorias com oferta escassa (tais como EPP e produtos de limpeza) fizeram com que os preços de insumos do setor privado aumentassem da maneira mais significativa em quase dois anos. Contudo, enquanto os fabricantes aumentaram consideravelmente seus preços cobrados, as taxas do setor de serviços continuaram a baixar.

(Redação – Investimentos e Notícias)