Saldo das operações de crédito atingiu R$3,1 trilhões em abril

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Saldo das operações de crédito atingiu R$3,1 trilhões em abril (Foto: Pexels) Saldo das operações de crédito atingiu R$3,1 trilhões em abril

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$3,1 trilhões em abril, aumento de 0,3% no mês, refletindo a expansão continuada da carteira das famílias (0,6%), enquanto as operações com empresas permaneceram estáveis (-0,1%), segundo dados do Banco Central (BC). Nos últimos 12 meses até abril, a carteira total cresceu 0,6%, revertendo trajetória declinante desde agosto de 2016. A relação crédito/PIB atingiu 46,5% no mês.

Na carteira de pessoas físicas, ocorreu expansão notadamente nas operações com recursos livres - 0,8% no mês e 7,8% na comparação em doze meses - destacando-se, no mês, os aumentos nos financiamentos para veículos e cartão de crédito à vista. O saldo das operações de crédito com recursos direcionados destinados a pessoas físicas registrou aumentos respectivos de 0,4% e 4,9%, nas mesmas bases de comparação, com ênfase no desempenho da modalidade crédito rural, que tem superado os financiamentos imobiliários. 

Na carteira destinada a pessoas jurídicas, o crédito livre está em processo de recuperação desde o início deste ano. Em abril, houve crescimento de 0,4% (1,7% em doze meses), com destaque para os adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC). Nos financiamentos a empresas com recursos direcionados - variações de -0,7% e de -12,1%, na ordem, somente a modalidade crédito rural registra trajetória positiva. 

As concessões diminuíram 0,4% em abril, totalizando R$300 bilhões. As concessões permanecem em trajetória de expansão se considerados prazos mais longos, como as variações no ano, 12,9%, e em doze meses, 7,7%. 

Em relação às taxas de juros, o Indicador de Custo de Crédito (ICC), que mede o custo da carteira, manteve estabilidade em abril, situando-se em 21,5% a.a (-1,2 p.p. em doze meses). O ICC para as operações de crédito com recursos livres atingiu 34,5%, variação de -0,1 p.p. no mês e de -3,8 p.p. em doze meses.

Ressalte-se a redução mensal de 0,3 p.p. no ICC referente a crédito livre não-rotativo (30,2% a.a.). O spread do ICC e do ICC com recursos livres situaram-se em 14,5 p.p. e 25,9 p.p., variação de 0,1 p.p., em ambos os casos, no mês. 

A taxa média de juros das contratações de abril situou-se em 25,9% a.a., o que representou reduções de 0,3 p.p. no mês e de 4,2 p.p. em 12 meses. Para esse resultado foram relevantes a redução no custo das operações com empresas, redução de 0,6 p.p. no mês, para 16% a.a., notadamente em capital de giro, -0,4 p.p. Nas concessões para pessoas físicas, a taxa de juros média declinou 0,2 p.p., para 32,8% a.a., com redução disseminada por diversas modalidades. 

Em abril, o spread bancário do fluxo de crédito alcançou 19,7 p.p., tendo sido observada redução de 0,3 p.p. no mês. O spread para as operações de crédito livre também declinou no mês, 0,4 p.p., ao situar-se em 33,3 p.p. Na comparação em doze meses, também ocorreu redução nos spreads em ambas as medidas, -2,5 p.p. e -5,7 p.p., respectivamente, em linha com o efeito da política monetária sobre o spread das contratações de crédito. 

Em abril, a base monetária alcançou R$263,3 bilhões, o que representou diminuições de 4,3% no mês e de 0,1% em doze meses. O componente de reservas bancárias declinou 21,2% no mês, enquanto o papel-moeda emitido variou -0,4%. Os principais fatores que determinaram a contração da base foram as operações com títulos públicos federais, R$14,7 bilhões (vendas líquidas de R$21,6 bilhões no mercado secundário e resgates líquidos de R$6,9 bilhões no mercado primário) e os depósitos de instituições financeiras, R$6,9 bilhões, indicando aumento no montante dos recolhimentos compulsórios. Esses fluxos neutralizaram os efeitos expansivos ocorridos no mês na Conta Única do Tesouro Nacional, R$2,6 bilhões; nas operações com o setor externo, R$5,3 bilhões, refletindo compras líquidas de divisas no mercado a termo; e nos pagamentos de ajustes com derivativos em swap cambial, R$2,6 bi.

Em relação aos meios de pagamento em poder do público não emissor de moeda, o M1 (papel-moeda e depósitos à vista) alcançou R$333 bilhões, com variação de 0,7% no mês, após aumento de 2,6% nos depósitos à vista. O M2 totalizou R$2,5 trilhões, 0,5% no mês, destacando-se o crescimento de 0,7% em depósitos de poupança, após captações líquidas de R$1,2 bilhão no mês. O M3 atingiu R$6 trilhões, variação mensal de 0,7%, em função dos aumentos de 0,5% nas cotas de fundos de renda fixa e de 9,8% nos títulos em custódia dos detentores de moeda adquiridos em operações compromissadas com o setor emissor. O agregado monetário mais amplo, M4, atingiu R$6,8 trilhões, aumentos de 1% no mês e de 8,2% na comparação em doze meses.