PMI industrial do Brasil recua em março

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PMI industrial do Brasil recua em março (Foto: Pexels) PMI industrial do Brasil recua em março

Os dados de março indicaram um retorno à contração dos níveis de produção no setor industrial brasileiro como um todo, com as medidas de saúde pública para deter a propagação da doença coronavírus 2019 (COVID-19) levando a uma demanda mais baixa tanto no mercado interno quanto no externo, segundo dados do Instituto Markit Economics. O volume de novos trabalhos recebidos diminuiu com o ritmo mais rápido desde janeiro de 2017, com fechamento parcial de fábricas e queda acentuada da demanda induzindo cancelamentos de pedidos por parte dos clientes.

Os fabricantes também registraram pressões fortes de custos, com os respondentes da pesquisa tendo mencionado que a desvalorização cambial em relação ao dólar americano se traduziu rapidamente em preços mais altos para componentes industriais.

O número básico Índice Gerente de Compras™ (PMI®) IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, caiu de 52,3 em fevereiro para 48,4 em março, registrando abaixo da marca de 50,0, indicativa de ausência de mudanças pela primeira vez em oito meses. Os dados mais recentes do PMI foram coletados entre 12 e 24 de março de 2020 e indicaram a queda mais acentuada no desempenho do setor industrial desde fevereiro de 2017.

Níveis mais baixos de produção, de novos pedidos e de empregos foram os principais fatores pressionando o índice básico em março.
As empresas do setor industrial mencionaram amplamente que os volumes de produção tinham sido reduzidos em meio a uma demanda mais baixa por parte dos clientes e, em alguns casos, em resposta às medidas de saúde pública para deter a propagação do coronavírus. Os dados mais recentes indicaram que as vendas para exportação caíram a um ritmo acelerado em março, o que foi atribuído, de forma preponderante, à paralisação de fábricas no exterior e ao atraso de projetos em resposta à pandemia da COVID-19.

Ao mesmo tempo, interrupções graves nas cadeias internacionais de fornecimento resultaram num aumento dos pedidos em atraso no setor industrial como um todo pela primeira vez desde os protestos dos caminhoneiros em junho de 2018. Este último alongamento dos prazos de entrega dos fornecedores foi também o maior a ser registrado em quase dois anos.

Os números de empregos no setor industrial brasileiro como um todo diminuíram a uma taxa sólida em março, com o grau de perda de empregos se revelando o maior a ser observado em pouco mais de três anos. Os entrevistados da pesquisa mencionaram que a diminuição da demanda por parte dos clientes, as preocupações com as perspectivas em relação aos negócios e as pressões intensas sobre os custos contribuíram para os cortes nos níveis de funcionários.

As cargas de custo médio cresceram acentuadamente em março em meio a relatos de que o fortalecimento do dólar americano havia empurrado para cima os preços dos insumos. A taxa de inflação de custo de insumos foi, de um modo geral, a mais rápida desde outubro de 2018. Como resultado, os preços de fábrica também cresceram novamente em março, com a taxa de inflação se revelando a mais alta em dezoito meses.

(Redação – Investimentos e Notícias)