PMI do Brasil cai e atinge novo recorde de baixa

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PMI do Brasil cai e atinge novo recorde de baixa (Foto: Pexels) PMI do Brasil cai e atinge novo recorde de baixa

A pandemia do coronavírus 2019 (COVID-19) e as tentativas de evitar a propagação do vírus tiveram um impacto severo no setor industrial brasileiro em abril, especialmente no que diz respeito aos volumes de produção e de novos pedidos, que caíram a taxas recordes. Em função disto, as empresas reduziram acentuadamente o nível de empregos e a atividade de compra, ao mesmo tempo em que o grau de otimismo em relação aos negócios diminuiu significativamente.

Apesar da forte queda na demanda no setor como um todo, as pressões inflacionárias permaneceram acentuadas, devido ao enfraquecimento da moeda. Tanto os custos de insumos quanto os preços dos produtos cresceram a taxas acima da média.
O número básico Índice Consolidado de dados de Produção - IHS Markit para o Brasil (PMI®), sazonalmente ajustado, caiu acentuadamente de 48,4 em março para 36,0 em abril. A leitura indicou uma deterioração substancial nas condições de negócios no setor, a mais acentuada desde o início da pesquisa, em fevereiro de 2006. O recorde anterior de declínio aconteceu no auge da crise financeira mundial em janeiro de 2009.

Foram observadas contrações recordes para os volumes tanto de produção quanto de novos pedidos no início do segundo trimestre, com o fechamento de empresas e as outras restrições impostas para tentar evitar a propagação do vírus, aliados a uma queda acentuada da demanda, tendo intensificado as reduções. O impacto da COVID-19 nos mercados de todo o mundo fez com que o volume de novos pedidos para exportação também se contraísse a um ritmo substancial.

Os fabricantes responderam à queda na demanda reduzindo o nível de empregos e a atividade de compra. O número de funcionários diminuiu ao ritmo mais acentuado desde junho de 2016, ao mesmo tempo em que a redução na compra de insumos registrou um novo recorde para a pesquisa. Alguns entrevistados indicaram que o nível de empregos tinha sido reduzido como parte de tentativas de redução de custos.

Os preços de insumos continuaram a aumentar a um ritmo acentuado, que foi mais rápido do que a média para as séries, com as empresas atribuindo os custos mais elevados dos insumos principalmente ao enfraquecimento da moeda. Como resultado, as empresas aumentaram acentuadamente os seus preços de venda.

A interrupção das cadeias de abastecimento continuou a ser uma característica fundamental da pandemia da COVID-19, com paralisações nos fornecedores e escassez de material sendo mencionadas pelos entrevistados. Os prazos de entrega se alongaram da segunda maneira mais significativa na pesquisa até agora. Ao mesmo tempo, as empresas se mostraram, de um modo geral, relutantes em manter estoques, devido à queda na demanda. Como resultado, os estoques de compras e de produtos acabados diminuíram.

Por fim, o sentimento em relação aos negócios caiu acentuadamente pelo segundo mês consecutivo, e atingiu um recorde de baixa de quarenta e nove meses. Embora algumas empresas antecipem um retorno do crescimento de novos negócios e da produção quando o pior da pandemia estiver sob controle, houve preocupações crescentes quanto ao tempo necessário para que se voltasse a condições normais.

(Redação – Investimentos e Notícias)