PMI de serviços do Brasil recua em setembro

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Destaque PMI de serviços do Brasil recua em setembro (Foto: Pexels) PMI de serviços do Brasil recua em setembro

A atual situação política e econômica no Brasil continuou a afetar o setor de serviços em setembro, segundo dados do Instituto Markit Economics. As empresas observaram uma redução renovada na quantidade de novos negócios e relataram quedas adicionais tanto para o volume de produção quanto para o nível de empregos. Um aumento sólido nos preços médios de venda que, por sua vez, resultou de pressões acentuadas e constantes sobre os custos no setor, pressionou a capacidade das empresas de garantir novos trabalhos. O grau de sentimento positivo em relação aos negócios se reduziu, com a política permanecendo um ponto central.

Ao cair para 46,4 em setembro do valor de 46,8 observado em agosto, um recorde de dezenove meses de baixa, o Índice de Atividade de Negócios do setor de serviços - IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, indicou uma queda acentuada e acelerada no volume de produção. Segundo os entrevistados, as tensões políticas, a fragilidade econômica, a demanda fraca e a inadimplência por parte dos clientes foram alguns dos fatores por trás do declínio na atividade de negócios. No terceiro trimestre de 2018 como um todo, o Índice de Atividade de Negócios registrou 47,8, a média trimestral mais baixa desde o quarto trimestre de 2017.

O setor industrial continuou a ter um melhor desempenho do que o setor de serviços, registrando um aumento nos níveis de produção pelo terceiro mês consecutivo em setembro. Porém, a taxa de crescimento atenuou-se, atingindo um ritmo marginal que foi o mais fraco nesta sequência. Sendo assim, o Índice Consolidado de dados de Produção, PMI - IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, caiu pelo segundo mês consecutivo, de 47,8 em agosto para 47,3, a sua leitura mais baixa desde junho. A média trimestral (48,5) foi a mais fraca observada desde o início de 2017.

A quantidade de novos trabalhos recebida pelos provedores de serviços diminuiu pela primeira vez em quase um ano, em meio a relatos de um número mais baixo de clientes, desvalorização do real, menor poder de compra dos consumidores e campanhas eleitorais. Porém, o ritmo de contração foi, de um modo geral, marginal. Por outro lado, o crescimento do volume de novos pedidos do setor industrial se intensificou e atingiu o seu ponto mais rápido desde abril.

Diante de menores cargas de trabalho, as empresas do setor de serviços fizeram avanços em seus pedidos em atraso, que diminuíram pela segunda taxa mais acentuada na história da pesquisa. Esse fato, combinado com tentativas contínuas de contenção de gastos, fez com que algumas empresas reduzissem o número de empregos mais uma vez.

O ritmo de corte de empregos foi sólido, mas mais fraco do que o observado em agosto. Das cinco áreas amplas da economia de serviços, a de Finanças e Seguros foi a única a registrar uma criação líquida de empregos. Ao mesmo tempo, o número de funcionários do setor industrial caiu, embora marginalmente, pelo segundo mês consecutivo.

A inflação de custo de insumos se acelerou em setembro em meio a relatos de preços mais elevados pagos por gás de cozinha, energia, produtos alimentícios e combustível. As empresas também indicaram que negociações coletivas e uma desvalorização do real contribuíram para pressões para cima sobre os custos. Digno de nota foi que os fabricantes enfrentaram o aumento mensal mais acentuado nos preços médios de compra desde o início da pesquisa deste índice em fevereiro de 2006.

Para proteger as margens de lucro devido às elevações dos custos, as empresas brasileiras de serviços aumentaram ainda mais as suas tarifas em setembro. Além disso, a taxa de inflação de preços de venda atingiu um pico de trinta e dois meses. Da mesma forma, os fabricantes aumentaram seus preços cobrados da maneira mais significativa desde o início de 2016.

Os dados de setembro mostraram uma certa perda de otimismo por parte dos provedores de serviços no Brasil. De um modo geral, as empresas permaneceram otimistas em relação às perspectivas de atividade para daqui a doze meses, encorajadas por expectativas de que as condições econômicas se normalizem e que os investimentos sejam retomados após a eleição presidencial. As preocupações com as necessidades do novo governo em abordar o déficit fiscal e as eventuais iniciativas de privatização restringiram o sentimento positivo. Essa situação foi diferente no setor industrial, onde o grau de otimismo em relação aos negócios atingiu o seu nível mais elevado desde março.

(Redação – Investimentos e Notícias)