PMI composto do Brasil registra 47,0 pontos em junho

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Destaque PMI composto do Brasil registra 47,0 pontos em junho (Foto: Pexels) PMI composto do Brasil registra 47,0 pontos em junho

A economia do setor privado brasileiro contraiu-se ainda mais em junho, com os fabricantes se juntando aos seus pares no setor de serviços e divulgando uma contração na atividade de negócios. O desempenho contido foi, em grande parte, atribuído aos protestos dos caminhoneiros em todo o país, o que também levou a quedas no volume de novos negócios e ao aumento da inflação. Para conter as despesas e proteger as margens de lucros, as empresas reduziram o número de funcionários e aumentaram seus preços de venda.

Ao atingir 47,0 em junho, abaixo do valor de 49,7 observado em maio, o Índice Consolidado de Dados de Produção — IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, indicou a redução mais acentuada na atividade do setor privado em dezesseis meses. A produção do setor industrial caiu pela primeira vez desde fevereiro de 2017, enquanto que a contração na atividade do setor de serviços foi a segunda em dois meses.

O Índice de Atividade de Negócios do setor de serviços — IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, caiu de 49,5 em maio para 47,0 em junho, destacando a redução mais rápida no volume de produção desde novembro de 2017. A desaceleração foi associada à demanda fraca, às greves dos caminhoneiros e à incerteza do mercado. O subsetor mais afetado foi o de Transporte e Armazenamento, enquanto que o de Finanças e Seguros foi o único segmento a registrar um crescimento.

Embora o volume de novos negócios recebidos pelos provedores de serviços continuasse a crescer, a recuperação moderou-se atingindo o seu ponto mais lento da atual sequência de seis meses de expansão e foi marginal. As evidências sugeriram que vendas foram garantidas em sintonia com novas ofertas e campanhas de marketing, mas que o crescimento foi dificultado pelo protesto dos caminhoneiros em todo o país.

Os pedidos de fábrica diminuíram solidamente em junho, pondo um ponto final numa sequência de quinze meses de expansão e contrabalançando o crescimento na quantidade de novos trabalhos do setor de serviços. Como resultado, as vendas do setor privado caíram pela primeira vez em um ano.

De um modo geral, os provedores de serviços preveem um volume maior de produção nos próximos doze meses. O grau de otimismo refletiu previsões de condições melhores de mercado após a eleição presidencial. Além disso, planos de reestruturação, novas ofertas e campanhas publicitárias foram alguns dos motivos que sustentaram o otimismo. Apesar da melhora em comparação com o recorde de baixa de vinte e seis meses de maio, o nível de sentimento positivo permaneceu fraco para os padrões históricos. Em comparação, o grau de otimismo dos fabricantes se enfraqueceu e atingiu um recorde de baixa de oito meses.

Os custos de insumos das empresas de serviços continuaram crescendo no final do segundo trimestre, com a taxa de inflação atingindo um pico de dezessete meses. Os respondentes da pesquisa relataram preços mais altos pagos por produtos alimentícios, combustíveis e energia. O aumento mais acentuado de cargas de custos foi verificado no subsetor de Transporte e Armazenamento, como tem acontecido por quase um ano.

No setor industrial como um todo, os preços de compra cresceram da maneira mais significativa em quase dez anos.

Para conter as despesas como um todo, os provedores brasileiros de serviços reduziram ainda mais o número de funcionários. A queda mais recente no número de pessoal foi a quadragésima em um período de quarenta meses, embora moderada em comparação com as observadas no auge dos cortes de empregos em 2016.

Com os empregos no setor industrial mostrando um declínio renovado, as contratações no setor privado como um todo permaneceram em território de contração.

Após terem oferecido descontos na metade do segundo trimestre, as empresas de serviços aumentaram seus preços de venda em junho. A taxa de inflação de preços cobrados foi modesta, mas a mais rápida desde fevereiro de 2016. Os produtores de mercadorias também aumentaram seus preços, com a inflação atingindo um recorde de vinte e oito meses.

Por fim, a quantidade de negócios pendentes do setor de serviços diminuiu em junho, assinalando uma sequência de trinta e cinco meses de redução. O ritmo de diminuição foi acentuado, mas se abrandou, atingindo o seu ponto mais lento em três meses. De modo oposto, a quantidade de trabalhos em processamento pelos fabricantes aumentou pelo ritmo mais acentuado na história da pesquisa, já que os bloqueios levaram a prazos de entrega mais longos por parte dos fornecedores e a uma escassez de insumos junto aos produtores de mercadorias.