PMI composto do Brasil recua em janeiro de 2021

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PMI composto do Brasil recua em janeiro de 2021 (Foto: Pexels) PMI composto do Brasil recua em janeiro de 2021

O setor de serviços brasileiro voltou a cair em contração no começo de 2021, com novos declínios em novos negócios causando a primeira redução no índice de produção desde agosto passado, segundo dados do Instituto Markit Economics. Ao mesmo tempo, a combinação de excedente de capacidade e estratégias de redução de custos levou à queda no índice de emprego.

Enquanto isso, os aumentos de preços em equipamentos de proteção individual (EPI) e itens de higiene se traduziram em um aumento acentuado em despesas gerais, que foram parcialmente repassadas aos clientes via aumentos nos preços de venda. A taxa de inflação dos preços atingiu uma alta de 15 meses. Ainda que o lançamento das vacinas tenha sustentado o otimismo nos negócios no sentido de perspectivas de crescimento, a confiança foi restringida por uma segunda onda de casos da doença causada pelo coronavírus 2019 (COVID-19) e pelas dificuldades financeiras entre os clientes.

Em 47,0, em janeiro, o Índice de Atividade de Negócios do Setor de Serviços da IHS Markit para o Brasil foi registrado abaixo do limite crítico de 50,0 pela primeira vez em cinco meses. Caindo de 51,1 em dezembro, os últimos números estavam em uma baixa de seis meses, mas eram indicativos de um ritmo moderado de redução em relação àqueles vistos no início da COVID-19. Os participantes da pesquisa associaram o declínio no índice de produção aos maiores números de caso, à perda de clientes existentes, ao fechamento de empresas e à fraca demanda por serviços.

Empresas monitoradas observaram um novo declínio nas demandas de novos negócios durante janeiro, que encerrou uma sequência de cinco meses de crescimento. Novos pedidos para exportação também caíram, depois de aumentarem ao ritmo mais rápido em mais de dois anos durante dezembro.

Diante de menores níveis de chegada de novos negócios, as empresas desviaram os recursos para a conclusão de projetos pendentes. O índice de pedidos em atraso caiu pelo terceiro mês consecutivo e ao ritmo mais rápido desde julho passado.

Junto ao excedente de capacidade, as condições de demanda fraca, os esforços de redução de custos e uma segunda onda de casos de COVID-19, os prestadores de serviços baixaram os números relativos à folha de pagamento em janeiro. A queda no índice de emprego foi a segunda em meses consecutivos, embora tenha sido moderada em comparação à média de 2020.

Os prestadores de serviços sinalizaram um aumento acentuado nos custos de insumos no começo do ano, que associam aos preços elevados de EPI e de materiais de higiene. A taxa de inflação diminuiu em relação a dezembro; contudo, esteve entre as mais fortes na história da pesquisa. Custos adicionais foram compartilhados com os clientes, em janeiro, como comprovado pelo aumento adicional nos preços cobrados para a prestação de serviços. A taxa de inflação do preço de bens finais foi notável e a mais rápida em 15 meses.

As empresas de serviços brasileiras preveem crescimento da produção nos próximos doze meses, com o otimismo vindo do lançamento das vacinas contra a COVID-19 e da esperança de que a pandemia chegue ao fim. Dito isso, o nível geral do sentimento caiu desde dezembro. Muitas empresas estão cada vez mais preocupadas com os problemas financeiros dos clientes e com um pico no número de casos, o que pode dar margem a restrições mais rígidas.

PMI consolidado

A recuperação do setor privado brasileiro foi interrompida no começo de 2021, com novo declínio no volume de novos pedidos causando redução de postos de trabalho e a primeira redução no índice de produção em seis meses.

O Índice Consolidado de Dados de Produção caiu de 53,5 em dezembro para 48,9 em janeiro, sinalizando um leve declínio no índice de produção do setor privado e encerrando uma sequência de cinco meses de expansão. A contração ocorreu majoritariamente na economia de serviços, embora o crescimento da produção fabril tenha diminuído visivelmente. Os novos pedidos do setor privado caíram pela primeira vez em seis meses, ainda que levemente. Embora os pedidos de fábrica tenham expandido, os prestadores de serviços notaram uma deterioração na demanda.

A tendência para o índice de emprego foi similar àquela relativa à produção, com uma queda para os prestadores de serviços em comparação ao crescimento mais lento entre fabricantes de produtos. Ao mesmo tempo, os números relativos à folha de pagamento declinaram em um nível consolidado. A confiança nos negócios enfraqueceu em empresas fabris e suas contrapartes de serviços, com o otimismo mais forte entre as primeiras. Custos de insumos agregados continuaram a aumentar no começo do ano.

A taxa de inflação diminuiu ao menor patamar em quatro meses, mas esteve mais forte do que qualquer uma vista antes da crise de COVID-19. A taxa de inflação dos preços do setor privado se compara à vista em dezembro, com isso, se mantendo notável e uma das mais fortes vistas desde que os dados consolidados se tornaram disponíveis em março de 2007.

(Redação – Investimentos e Notícias)