Pedidos de recuperação judicial de MPEs crescem 131% em um ano

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Foram quase 70 requerimentos a mais entre julho de 2018 e 2019; número total de pedidos aumentou mais de 80% Foto: Divulgação Foram quase 70 requerimentos a mais entre julho de 2018 e 2019; número total de pedidos aumentou mais de 80%

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações Judiciais, as micro e pequenas empresas lideraram os pedidos em julho/19, com crescimento de 131% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No total, estes empreendimentos tiveram 120 requisições em 2019, enquanto em 2018 o número foi de 52. No comparativo mensal, o crescimento foi de 30,4% - 120 ante 92 em junho/19.

Segundo o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, "as Micro e Pequenas Empresas são as mais inadimplentes do país, dado que não apresentou queda desde outubro de 2018. Esta dificuldade em honrar seus compromissos faz com que elas peçam a recuperação judicial como uma alternativa para sair da crise financeira e salvar o negócio", analisa Rabi. Ainda no comparativo mês a mês, os valores também aumentaram nas médias e grandes empresas, representando 38,4% e 5,2%, respectivamente.

O número total de pedidos de recuperações judiciais em julho deste ano foi de 176, representando um aumento de 81,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Na análise comparativa entre junho e julho de 2019, o crescimento foi de 22,2%. Apesar da alta, o índice teve uma queda de 6,6% no acumulado de janeiro a julho deste ano (794 pedidos), quando comparado com os mesmos sete meses de 2018 (850 requerimentos).

Ao contrário da análise do semestre, que teve queda de 18% nos pedidos de recuperação judicial feitos entre janeiro e junho, o mês teve forte crescimento devido ao baixo volume de solicitações registrados em julho/ 2018 (97), e não a um possível indicativo de crescimento dos pedidos ao longo do segundo semestre. "A base de comparação (julho/18) estava atipicamente baixa, possivelmente porque as empresas adiaram a decisão de fazer o pedido de recuperação devido as incertezas econômicas que a greve dos caminhoneiros gerou no país. Uma indicação deste movimento é o salto de 132 pedidos em agosto de 2018, maior quantidade do segundo semestre do ano passado, um reflexo do possível represamento entre junho/18 e julho/18".

Quando comparado por setor, a maior variação entre junho-julho deste ano foi no setor primário, com um acréscimo de 31,2% de pedidos. Em segundo lugar, os requerimentos da área de serviços aumentaram 27,5%, seguida pelas empresas industriais com 26,1% e, por fim, comércio com 10,6%.

Os micro e pequenos empreendimentos também tiveram destaque nas falências, representando mais da metade das requisições em julho/19 (51,4%), seguido pelas grandes (25,7%) e médias empresas (22,8%). Quando comparado com julho de 2018, as companhias de grande porte apresentaram a maior variação anual, com 62,9% de pedidos, enquanto as MPEs aumentaram 33,3%. Os empreendimentos de porte médio aumentaram em 14,7%.

No acumulado dos sete meses, o Indicador verificou um aumento de 4,4% de pedidos de falências em relação ao mesmo período em 2018, registrando 849 contra 813. No período de um ano, na variação entre julho do ano passado e deste ano, o número saltou 34,6%, totalizando 171 pedidos em 2019. Considerando a análise mês a mês deste ano, quando comparado com os 98 requerimentos de junho, o número aumentou 74,5% em julho.

(Redação - Investimentos e Notícias)