Operações de crédito do sistema financeiro totalizaram R$3,1 tri

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Operações de crédito do sistema financeiro totalizou R$3,1 tri (Foto: Pexels) Operações de crédito do sistema financeiro totalizou R$3,1 tri

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro totalizou R$3,1 trilhões em junho, aumento de 0,7% no mês, destacando-se a carteira a pessoas jurídicas (crescimento de 1,2%, para R$1,4 trilhão), enquanto as operações com pessoas físicas cresceram 0,4%, para R$1,7 trilhão, segundo dados do Banco Central (BC). 

No primeiro semestre do ano, a carteira total cresceu 1,2%, refletindo notadamente as elevações no crédito livre a pessoas físicas (3,6%) e jurídicas (3,4%). Em doze meses, o crédito total acumula variação de 1,7%. 
Na carteira de pessoas físicas, as operações com recursos livres cresceram 0,4% no mês e 7,8% em doze meses, com elevações nas modalidades de crédito pessoal (consignado e não consignado) e veículos. Nas contratações com recursos direcionados, ocorreram aumentos no saldo de 0,3% no mês e 4,4% em doze meses. 

O crédito a pessoas jurídicas com recursos livres, em recuperação desde fevereiro, registrou elevações de 2,6% no mês e de 6,2% em doze meses. No mês, sobressaíram aumentos em linhas mais voltadas ao fluxos de caixa das empresas - tais como desconto de duplicatas e recebíveis, antecipação de faturas de cartão, compror - e financiamentos a exportações. Ressalte-se que parte do aumento na modalidade "antecipação de faturas" refletiu incorporação de carteira que antes estava fora do sistema financeiro. Excluindo-se esse efeito, o crédito livre a pessoas jurídicas cresceria 2,3% mês e 5,9% em doze meses, e o crédito total permaneceria a mesma expansão de 0,7% em junho. O crédito direcionado a empresas continua em trajetória de declínio, com reduções de 0,4% no mês e de 11,7% em doze meses. 

As concessões de crédito do sistema financeiro somaram R$312 bilhões em junho, volume 3,5% superior ao contratado em maio. No ano houve aumento de 10,3%, considerando a comparação entre o acumulado no primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano anterior. Nas operações com pessoas jurídicas, as concessões cresceram 9,2% no mês e 11,7% no ano, enquanto para pessoas físicas, ocorreram variações de -0,8% e +9,3%, respectivamente. 

O Indicador de Custo de Crédito (ICC), que mede o custo de todas as operações ativas na carteira do sistema financeiro, atingiu 21,1% a.a., reduções de 0,1 p.p. em junho e de 1,1 p.p. nos últimos doze meses. Para o crédito livre, o ICC situou-se em 33,3% a.a., recuando 0,4 p.p. e 3,7 p.p. nos mesmos períodos. Excluindo-se as operações rotativas, o ICC do crédito livre diminuiu 0,3 p.p., para 29,6% a.a. O spread do ICC alcançou 14,1 p.p. e o spread do ICC das operações com recursos livres, 24,8 p.p., com reduções mensais respectivas de 0,1 p.p. e 0,4 p.p.

A taxa média de juros das concessões contratadas em junho situou-se em 24,7% a.a., registrando declínios de 0,3 p.p. no mês e de 4,1 p.p. nos últimos doze meses. Na carteira livre, a taxa atingiu 38,5% (-0,7 p.p. e -7,7 p.p., nos mesmos períodos). A maior redução ocorreu no crédito livre às famílias (-0,6 p.p., para 53,2%), destacando-se cheque especial (-7 p.p.), cartão de crédito rotativo (-11,7 p.p.), e crédito consignado (-0,4 p.p.). No crédito livre às empresas, a taxa média alcançou 20,2% a.a. (-0,4 p.p. mês). A taxa de juros do crédito livre excluindo-se as operações rotativas situou-se em 28,7% a.a., declínios de 0,2 p.p. no mês e 3,2 p.p. na comparação com junho do ano anterior. 

Em junho, o spread bancário aferido em relação às taxas de juros do crédito concedido no mês situou-se em 17,8 p.p., reduções de 0,8 p.p. no mês e de 3,1 p.p. em doze meses. No crédito livre, o spread recuou 1,6 p.p. (-6,9 p.p. em 12 meses), situando-se em 29,4 p.p.

A base monetária atingiu R$270 bilhões em junho, apresentando estabilidade no mês e aumento de 3,7% em doze meses. No mês, o papel moeda emitido variou 0,6%, e as reservas bancárias, -2,5%. Os fatores contracionistas (setor externo, com vendas de divisas no mercado a termo, R$10,8 bilhões; Conta Única do Tesouro Nacional: R$16,1 bilhões) foram contrabalançados por operações com títulos públicos federais (R$18,7 bilhões, sendo R$19,8 bilhões de compras líquidas no mercado secundário e R$1,1 bilhão de colocações líquidas no primário) e por ajustes em swap cambial (R$7,1 bilhões).

Considerando-se a evolução da base monetária no primeiro semestre do ano ocorreu contração de R$27 bilhões, influenciada pelas operações com títulos públicos federais (R$55,4 bilhões) e pelo comportamento da Conta Única do Tesouro Nacional (R$37 bilhões). Esses fatores compensaram as expansões monetárias ocorridas no período devido principalmente às liberações nos recolhimentos compulsórios (depósitos de instituições financeiras, R$30,4 bilhões) e às intervenções no mercado de câmbio (setor externo, R$17,1 bilhões, e derivativos, R$16,4 bilhões).

Para finalizar, os meios de pagamento restritos, o M1 (papel-moeda e depósitos à vista), alcançaram R$334,4 bilhões, aumento de 0,9% no mês, determinado pelo comportamento do papel-moeda em poder do público, 1,7%. O M2 cresceu 1% no mês, alcançando R$2,6 trilhões, com expansões de 1% nos títulos privados e nos depósitos de poupança, influenciados, respectivamente, por captações líquidas de R$33 bilhões em depósitos a prazo e de R$5,6 bilhões na poupança. O M3 somou R$6 trilhões, variação de 0,7% mês, com acréscimo de 9,5% no saldo das operações compromissadas e estabilidade nas quotas de fundos de renda fixa. O M4 atingiu R$7 trilhões, elevações de 1,1% no mês e de 9,5% na comparação em doze meses.

(Redação – Investimentos e Notícias)