MUFG espera manutenção da taxa Selic em 2,25% até 2021

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MUFG espera manutenção da taxa Selic em 2,25% até 2021 Foto: Divulgação

O Banco Central anunciou ontem, 17, a nova taxa básica de juros, a Taxa Selic. O Comitê de Política Monetária, Copom, decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 2,25% a.a.

 

Segundo o BC, a decisão reflete o cenário básico e um balanço de riscos avaliando a inflação no horizonte, que inclui o ano-calendário de 2021.

O MUFG (Mitsubishi UFJ Financial Group, Inc), holding do Banco MUFG Brasil divulgou nota afirmando que espera a manutenção da taxa Selic em 2,25% até julho de 2021.

De acordo com a instituição, o pano de fundo para essa expectativa se baseia no balanço de riscos entre a combinação de inflação baixa e fraca atividade econômica, e os riscos advindos do saldo fiscal e os efeitos defasados da política monetária sobre a atividade e a inflação.

"Esperamos uma contração de 12% do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre, com ajuste sazonal, sendo seguida de lenta recuperação nos trimestres seguintes. Nesse cenário, não há sinais de pressão inflacionária significativa, e nossa expectativa para o IPCA para todo ano é de 1,7%, muito abaixo da meta de 4%, assim como abaixo do piso de 2,50%. Além disso, a mediana de expectativa de inflação para 2021 é de 3,00%, também bem abaixo da meta de 3,75%. Olhando para essa perspectiva, o Banco Central poderia se sentir confortável em reduzir ainda mais a Selic na próxima reunião, especialmente no caso da pandemia ser mais prolongada do que o esperado, levando a um cenário de atividade econômica ainda mais fraco."

Ainda segundo o Banco, essa atividade econômica mais fraca leva a uma arrecadação de impostos mais também mais baixa, além de de uma extensão das despesas do governo para apoiar famílias, empresas, bem como a extensão da isenção de impostos.

Portanto, o MUFG indica que o déficit primário seria ainda maior do que a estimativa de 700 bilhões de reais e a relação dívida pública bruta x PIB seria superior a 92,3% até o final deste ano. Essa deterioração fiscal, juntamente com os riscos decorrentes de algumas despesas temporárias tornando-se permanentes e a falha na aprovação de reformas estruturais substanciais no próximo ano podem ser motivo de preocupação sobre o rating soberano. Nesse cenário negativo, qualquer corte adicional da taxa Selic não teria impacto nas taxas de operações de crédito que são importantes para os estímulos da atividade econômica.

A entidade também coloca mais duas razões pelas quais a Selic pode ser mantida no nível atual são: (i) considerando os efeitos defasados de todo o ciclo de cortes nas taxas de juros já realizados sobre a atividade e a inflação e, (ii) o fato de o atual nível da taxa Selic estar na zona expansionista.

(Redação - Investimentos e Notícias)