IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo

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Destaque Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta Foto: divulgação Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta

Entenda o que é IPCA e como este índice é calculado.

IPCA apresenta variação de 0,43% em fevereiro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro foi de 0,43%, enquanto em janeiro a taxa havia sido de 0,32%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado no ano foi para 0,75%, acima dos 0,61% registrados no mesmo período de 2018. Nos últimos doze meses, o acumulado foi de 3,89%, acima dos 3,78% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em fevereiro de 2018, a taxa fora de 0,32%.

Seis dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta, de janeiro para fevereiro, com destaque para Educação (3,53%), grupo responsável pelo segundo maior impacto positivo no IPCA de fevereiro, com 0,17 ponto percentual (p.p.), atrás apenas de Alimentação e Bebidas (0,78% e 0,19 p.p.). As outras altas ficaram por conta de: Saúde e Cuidados Pessoais (0,49% e 0,06 p.p.), Habitação (0,38% e 0,06 p.p.), Artigos de Residência (0,20% e 0,01 p.p.) e Despesas Pessoais (0,18% e 0,02 p.p.). Por outro lado, dois grupos tiveram deflação: Transportes (-0,34% e -0,06 p.p.) e Vestuário (-0,33% e -0,02 p.p.). Já o grupo de Comunicação ficou estável no período (0,00% e 0,00 p.p.).

Responsável pela maior variação entre os grupos de produtos e serviços pesquisados, o grupo Educação (3,53%) reflete os reajustes praticados no início do ano letivo, em especial nas mensalidades dos cursos regulares, cujos valores subiram, em média, 4,58%, gerando o mais elevado impacto individual sobre o índice do mês (0,15 p.p.). Regionalmente, os cursos regulares tiveram aumentos entre os 2,60% de Brasília e os 7,17% de Aracaju.

Alimentação e bebidas, grupo com o maior impacto no IPCA de fevereiro (0,19 p.p.), mostrou desaceleração, ao passar de 0,90% em janeiro para 0,78% em fevereiro. O grupamento da alimentação no domicílio subiu 1,24%, impulsionado, especialmente, pelas altas observadas nos preços do feijão-carioca (51,58%), da batata-inglesa (25,21%), das hortaliças (12,13%) e do leite longa vida (2,41%). No lado das quedas, destacam-se as carnes (-1,23%), o arroz (-1,23%), o frango inteiro (-1,69%) e o tomate (-5,95%). A alimentação fora recuou 0,04% influenciada, principalmente, pelo item refeição (-0,22%).

O item energia elétrica, com alta de 1,14%, foi o principal impacto (0,04 p.p.) do grupo Habitação (0,38%) no índice do mês, em razão dos aumentos nas alíquotas do PIS/COFINS na maioria das regiões pesquisadas. As variações ficaram entre os -2,35% de Aracaju e os 14,99% de Rio Branco, cuja alta contempla o reajuste médio de 21,29% nas tarifas, em vigor desde 13 de dezembro de 2018, suspenso pela justiça no dia 3 de janeiro, voltando a vigorar no dia 29 de janeiro. Ressalta-se ainda que permanece, desde de dezembro de 2018, a bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional por quilowatt-hora consumido.

Ainda em Habitação, a variação de 4,11% no item gás encanado ocorreu em razão do reajuste médio de 11% na tarifa em São Paulo (10,64%), em vigor desde 1º de fevereiro. Cabe destacar o reajuste de 1,04% concedido pela Petrobras, nas refinarias, no preço do gás de botijão (-0,72%), a partir do dia 5 de fevereiro.
Em Saúde e cuidados pessoais (0,49%) os destaques são os itens plano de saúde (0,79%) e higiene pessoal (0,74%). No lado das quedas, o Vestuário (-0,33%) sofreu influência, principalmente, dos calçados (-0,54%) e das roupas femininas (-0,56%).

Nos Transportes, a deflação de 0,34% foi impulsionada pelas quedas registradas nos itens passagem aérea (-16,65%) - maior impacto individual negativo no mês (-0,08 p.p.) - e gasolina (-1,26%). À exceção de Goiânia, que registrou alta de 3,21% na gasolina, as demais áreas apresentaram quedas que variaram entre os -4,26% da região metropolitana de Porto Alegre e o -0,37% das regiões metropolitanas de Recife e Salvador.

O etanol também apresentou queda de preços de janeiro para fevereiro (-0,81%), enquanto registraram altas o óleo diesel (0,36%) e o gás veicular (7,75%). Este último sob influência do reajuste de 40,11% em São Paulo (21,12%) em vigor desde 1º de fevereiro.

A maior contribuição positiva no grupo dos Transportes (-0,34%) ficou com o item ônibus urbano (1,50% e 0,04 p.p.), por conta de reajustes nas tarifas em cinco das dezesseis regiões pesquisadas durante o período de referência da pesquisa.

Ainda em Transportes destaca-se o ônibus intermunicipal (0,27%) que incorpora o reajuste médio de 6,00% nas tarifas em São Paulo (2,62%) a partir de 20 de janeiro e a redução média de 3,00% nas tarifas no Rio de Janeiro (-2,31%) desde 11 de fevereiro. Destaca-se, também, a alta de 3,85% no trem em razão do reajuste de 9,52% nas tarifas no Rio de Janeiro (8,57%) em vigor desde 02 de fevereiro e em São Paulo (3,37%), cujo reajuste foi de 7,50% a partir de 13 de janeiro. Com a mesma vigência, o item metrô (2,53%) apropria o mesmo reajuste em São Paulo (3,37%).

Quanto aos índices regionais, apenas Brasília (-0,18%) teve deflação em fevereiro, em razão das quedas nos preços da passagem aérea (-18,33%) e da gasolina (-1,63%). O maior índice ficou com o município de Rio Branco (1,12%), influenciado, principalmente, pelo feijão-carioca (69,46%) e pela energia elétrica (14,99%) em função do reajuste médio de 21,29% nas tarifas, em vigor desde 13 de dezembro de 2018, suspenso pela justiça no dia 3 de janeiro, voltando a vigorar no dia 29 de janeiro.

Série histórica do IPCA

O IPCA é um dos índices mais importantes da economia brasileira, por isso é fundamental acompanhar suas movimentações.

Confira abaixo a série histórica do IPCA nos últimos doze meses:

  IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo
Mês/ano Valor (%) Acumulado Ano (%) Acumulado 12 meses (%)
Fevereiro de 2019 0,43 0,75 3,89
Janeiro de 2019 0,32 0,32 3,78
Dezembro de 2018 0,15 3,75 3,75
Novembro de 2018 -0,21 3,59 4,05
Outubro de 2018 0,45 3,81 4,56
Setembro de 2018 0,48 3,34 4,53
Agosto de 2018 -0,09 2,85 4,19
Julho de 2018 0,33 2,94 4,48
Junho de 2018 1,26 2,60 4,39
Maio de 2018 0,40 1,33 2,86
Abril de 2018 0,22 0,92
2,76
Março de 2018 0,09 0,70 2,68
Fevereiro 2018 0,32 0,61 2,84
Janeiro 2018 0,29 0,29 2,86
Dezembro 2017 0,44 2,95 2,95
Novembro 2017 0,28 2,50 2,80
Outubro 2017 0,42 2,21 2,70
Setembro 2017 0,16 1,78 2,54
Agosto 2017 0,19 1,62 2,46
Julho 2017 0,24 1,43 2,71
Junho 2017 - 0,23 1,18 3,00
Maio 2017 0,31 1,42 3,60
Abril 2017 0,14 1,10 4,08
Março 2017 0,25 0,96 4,57
Fevereiro 2017 0,33 0,71 4,76
Janeiro 2017 0,38 0,38 5,35

Fonte: IBGE

Por ser considerado o índice oficial para medir a inflação no Brasil, é normal que os valores do IPCA sejam bastante semelhantes aos da inflação acumulada. Na tabela abaixo, você encontra a inflação acumulada e a meta de cada ano desde 2007 até 2017.

Analisando os dados a seguir, será possível perceber que a inflação acumulada no Brasil em 2017 ficou bem abaixo da meta na comparação com os anos anteriores. Essas mudanças de panorama justificam a importância do IPCA, já que o índice permite que essa situação possa ser monitorada tanto pelos órgãos competentes quanto pela população.

Inflação Acumulada Atual 
 Inflação Taxa  Meta
2017 2,95 4,5
2016 6,29 4,5
2015 10,67 4,5
2014 6,41 4,5
2013 5,91 4,5
2012 5,84 4,5
2011 6,50 4,5
2010 5,91 4,5
2009 4,31 4,5
2008 5,90 4,5
2007 4,46 4,5

Fonte: Banco Central do Brasil

O que é IPCA?

A sigla IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Este é um índice criado em 1980 para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final. Devido à sua abrangência e relevância, a partir dos anos 2000 se tornou o indicador de referência para o governo medir a inflação no País.

O período em que é feita a medição da variação dos preços ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês. A divulgação dos valores mensais para o público é feita no mês seguinte, entre os dias cinco e doze.

Este índice é importante porque reflete o custo de vida das famílias brasileiras com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera gastos em diferentes setores, como:

- Moradia

- Alimentação e bebidas

- Educação

- Comunicação

- Transporte

- Vestuário

- Saúde e higiene pessoal

- Artigos para casa

- Despesas pessoais

Estas despesas diversas são levantadas em 13 regiões metropolitanas do País, buscando mensurar o padrão de consumo da população brasileira. Por ser grande em território e diversidade de culturas, os pesquisadores do IBGE levam em consideração as diferenças entre regiões. Um exemplo é o tipo de feijão analisado no quesito alimentação.

Nos estados do Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro é coletado o preço do feijão preto. Todavia, no restante dos estados, há maior consumo do feijão carioca e, portanto, é ele que aparece na cesta de produtos pesquisados.

É importante entender que quando o IPCA sobe, indica que os preços de alguns produtos e serviços poderão ficar mais caros. No entanto, quando ocorre queda do índice de um mês para o outro, significa que os preços subiram menos no período e não que caíram.

Apenas quando o IPCA fica negativo é que há queda nos preços dos produtos e serviços pesquisados. Esse movimento também é chamado de deflação.

Com esses dados em mãos, o Banco Central juntamente com o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode verificar se o custo de vida das famílias brasileiras está aumentando ou não. Além disso, o monitoramento do IPCA é importante para que o governo averigue se tem cumprido as metas para a inflação. Caso contrário, seria difícil elaborar e colocar em prática medidas para conter a situação.

Muitos não sabem, mas o IPCA possui duas variações: o IPCA-15 e o IPCA-E. O primeiro funciona como uma prévia de inflação do mês, pois o período de coleta das informações vai do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

O IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial), por sua vez, possui a mesma metodologia de coleta utilizada no IPCA. A diferença entre eles é que o IPCA-E é divulgado ao final de cada trimestre, oferecendo um balanço trimestral da inflação. Ele é muito utilizado para calcular o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano, mais conhecido pela sigla IPTU.

Outro detalhe: o IPCA-15 e o IPCA-E não abrangem a cidade de Campo Grande.

Como o IPCA afeta o bolso dos brasileiros

Como foi apresentado anteriormente, o IPCA é usado como referência para que o Banco Central monitore a inflação acumulada do País. Com isso, a população brasileira pode ser diretamente afetada pelas variações do índice, não só nas contas básicas do dia a dia como também nos investimentos.

Quando a inflação aumenta, há impacto direto no poder de compra da população. Ou seja, o preço de determinado produto fica mais caro e, portanto, exigirá uma parcela maior do orçamento familiar. Por isso que, de tempos em tempos, os salários também devem ser reajustados, para que haja alinhamento com a inflação.

Outra forma com que o IPCA afeta o bolso dos brasileiros é em relação à taxa básica de juros do País, também chamada de Selic. Se a inflação está alta, o governo costuma aumentar a taxa Selic com o objetivo de conter a inflação. Por outro lado, quando a inflação está sob controle, é possível que o governo brasileiro reduza a taxa de juros para incentivar o crescimento econômico no País.

No que se refere aos investimentos, uma das modalidades que está diretamente ligada ao IPCA é o Tesouro Direto. O programa do governo federal permite a compra e venda de títulos públicos através da internet e oferece títulos com rentabilidade atrelada a este índice.

Os títulos do Tesouro IPCA têm parte de sua remuneração atrelada ao índice e a outra parte se refere a uma taxa prefixada. Dessa forma, essa se torna uma opção interessante para quem quer investir e ter rentabilidade acima da inflação, especialmente no longo prazo.

Outras modalidades que também podem estar atreladas ao IPCA são:

- Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

- Fundos de Investimento

Resumo: ficha técnica do IPCA

Para resumir as principais características desse índice, veja abaixo uma ficha técnica sobre o IPCA:

- Para que ele serve?

Monitora o custo de vida da população brasileira e é utilizado como indicador oficial de inflação pelo governo brasileiro.

- Qual é sua abrangência?

Os dados são coletados nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

- Quais setores são incluídos em seu cálculo?

Seu cálculo engloba os custos com moradia, alimentação, transporte, vestuário, educação, saúde, artigos para casa, despesas pessoais e comunicação.  

- Quando informações são coletadas?

A coleta de dados para medir o IPCA ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês.

- Quem é responsável pela apuração deste índice?

O órgão responsável é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- Qual é a periodicidade do índice?

A atualização dos valores do IPCA é mensal.

Para conhecer outros índices fundamentais para a economia brasileira, veja também:

- IGP-M