IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo

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Destaque Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta Foto: divulgação Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta

Entenda o que é IPCA e como este índice é calculado.

IPCA de abril fica em 0,57%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril foi de 0,57% e ficou 0,18 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de março (0,75%), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A variação acumulada no ano foi de 2,09%. Essas duas variações são as maiores para um mês de abril desde 2016 (0,61% e 3,25%, respectivamente). O acumulado dos últimos doze meses foi para 4,94%, contra os 4,58% nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2018, a taxa foi de 0,22%.

O resultado do IPCA de abril sofreu forte influência dos grupos Alimentação e bebidas (0,63%), Transportes (0,94%) e Saúde e cuidados pessoais (1,51%). Juntos, estes três grupos responderam por 89,5% do índice do mês, com impactos de 0,16 p.p., 0,17 p.p. e 0,18 p.p., respectivamente. O grupo Artigos de residência, com -0,24%, foi o único que apresentou deflação em abril.

O grupo Saúde e cuidados pessoais se destacou com a maior variação (1,51%) e o maior impacto (0,18 p.p.) dentre os grupos de produtos e serviços pesquisados. As principais altas foram nos grupamentos de remédios (2,25%), refletindo o reajuste anual, em vigor desde 31 de março, com teto de 4,33%; higiene pessoal (2,76%), com destaque para os perfumes (de 1,45% em março para 6,56% em abril) e plano de saúde (0,80%).

Mesmo com a desaceleração no nível de preços de março (1,44%) para abril (0,94%), o grupo dos Transportes foi o segundo com maior variação e impacto (0,17 p.p.) no IPCA de abril. A gasolina foi o principal impacto individual no mês (2,66% mais cara, em média). As variações ficaram entre o - 0,58% na região metropolitana de Salvador e a alta de 5,98% na região metropolitana de Porto Alegre.

Outras contribuições positivas no grupo dos Transportes vêm da passagem aérea (5,32%) e do ônibus urbano (0,74%), ambos com 0,02 p.p. de impacto no índice. Este último contempla os reajustes de 9,30% nas tarifas em Porto Alegre (3,98%), em vigor desde 13 de março, de 7,81% em Recife (0,58%) e de 5,88% em Curitiba (0,45%), ambos a partir de 02 de março. Os índices de Salvador (7,30%) e de Goiânia (2,75%) refletem os reajustes de 8,11%, desde 02 de abril e de 7,50%, desde 19 de abril, respectivamente.

Ainda nos Transportes, o ônibus intermunicipal (0,18%) considera os reajustes de 3,78% em Campo Grande (3,07%), a partir de 1º de abril, e de 19,57% em São Luís (15,91%), desde 23 de março. O trem (1,56%) leva em conta o reajuste de 27,30% em Porto Alegre (10,82%), em vigor desde 13 de março, e o metrô (1,52%) reflete o reajuste de 6,98% no Rio de Janeiro (6,28%) a partir de 02 de abril.

O grupo Alimentação e bebidas desacelerou de março (1,37%) para abril (0,63%). Os alimentos para consumo no domicílio saíram da alta de 2,07% no mês passado para 0,62% no mês corrente, influenciados pelas quedas no feijão-carioca (-9,09%) e nas frutas (-0,71%), mesmo com a pressão exercida pelo tomate (28,64%), pelo frango inteiro (3,32%), pela cebola (8,62%) e pelas carnes (0,46%). Por outro lado, a alimentação fora foi de 0,10% para 0,64%.

No grupo Habitação (0,24% e impacto 0,04 p.p.), destacam-se energia elétrica (0,10%), taxa de água e esgoto (0,49%) e gás encanado (1,38%). Este último reflete os reajustes da região metropolitana de Curitiba (16,48%), onde houve a apropriação integral do reajuste de 16,48% nas tarifas, vigente desde 28 de fevereiro, e que ainda não havia sido apropriado nos índices. Já na região metropolitana de São Paulo, a queda de 0,20% é reflexo da redução de 11,00% para 9,00% no reajuste aplicado, sendo o primeiro percentual vigente desde 1º de fevereiro e, o segundo, desde 1º de março.

Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto (0,49%) considera os reajustes de 2,99% a partir de 1º de abril em Brasília (2,81%); 15,86%, a partir de 24 de março, em Fortaleza (12,39%) e 5,89% desde 1º de março em Aracaju (0,36%).

O resultado da energia elétrica (0,10%) reflete a variação média apresentada nas regiões pesquisadas, que oscilou entre os -5,40% da região metropolitana de Vitória e os 6,65% de Campo Grande. Os principais reajustes incorporados ao índice ocorreram em: Campo Grande (6,65%), de 12,39% a partir de 08 de abril; Rio de Janeiro (4,20%): 11,53% e 9,72% nas concessionárias, a partir de 15 de março, sendo reduzido para 8,80% e 7,30%, respectivamente, a partir de 1º de abril; Fortaleza (2,91%): 7,39% a partir de 22 de abril; Recife (2,64%): 5,56% a partir de 29 de abril; Salvador (1,70%): 6,21% a partir de 22 de abril; e Aracaju (1,50%): 3,04% a partir de 22 de abril. Os destaques das quedas foram em Rio Branco (-2,60%), com redução de 3,16% nas tarifas a partir de 1º de abril, e na região metropolitana de Vitória (-5,40%), motivada pela redução na alíquota do PIS/COFINS.

Quanto aos índices regionais, Rio Branco (0,05%) apresentou a menor variação no IPCA de abril, em razão da queda na energia elétrica (-2,60%), decorrente da redução de 3,16% nas tarifas desde 1º de abril. O maior índice ficou com a região metropolitana de Fortaleza (0,91%), cujo resultado foi influenciado, principalmente, pelo item taxa de água e esgoto (12,39%), referente ao reajuste de 15,86%, em vigor desde 24 de março.

Série histórica do IPCA

O IPCA é um dos índices mais importantes da economia brasileira, por isso é fundamental acompanhar suas movimentações.

Confira abaixo a série histórica do IPCA nos últimos doze meses:

  IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo
Mês/ano Valor (%) Acumulado Ano (%) Acumulado 12 meses (%)
Abril de 2019 0,57 2,09 4,94
Março de 2019 0,75 1,51 4,58
Fevereiro de 2019 0,43 0,75 3,89
Janeiro de 2019 0,32 0,32 3,78
Dezembro de 2018 0,15 3,75 3,75
Novembro de 2018 -0,21 3,59 4,05
Outubro de 2018 0,45 3,81 4,56
Setembro de 2018 0,48 3,34 4,53
Agosto de 2018 -0,09 2,85 4,19
Julho de 2018 0,33 2,94 4,48
Junho de 2018 1,26 2,60 4,39
Maio de 2018 0,40 1,33 2,86
Abril de 2018 0,22 0,92
2,76
Março de 2018 0,09 0,70 2,68
Fevereiro 2018 0,32 0,61 2,84
Janeiro 2018 0,29 0,29 2,86
Dezembro 2017 0,44 2,95 2,95
Novembro 2017 0,28 2,50 2,80
Outubro 2017 0,42 2,21 2,70
Setembro 2017 0,16 1,78 2,54
Agosto 2017 0,19 1,62 2,46
Julho 2017 0,24 1,43 2,71
Junho 2017 - 0,23 1,18 3,00
Maio 2017 0,31 1,42 3,60
Abril 2017 0,14 1,10 4,08
Março 2017 0,25 0,96 4,57
Fevereiro 2017 0,33 0,71 4,76
Janeiro 2017 0,38 0,38 5,35

Fonte: IBGE

Por ser considerado o índice oficial para medir a inflação no Brasil, é normal que os valores do IPCA sejam bastante semelhantes aos da inflação acumulada. Na tabela abaixo, você encontra a inflação acumulada e a meta de cada ano desde 2007 até 2017.

Analisando os dados a seguir, será possível perceber que a inflação acumulada no Brasil em 2017 ficou bem abaixo da meta na comparação com os anos anteriores. Essas mudanças de panorama justificam a importância do IPCA, já que o índice permite que essa situação possa ser monitorada tanto pelos órgãos competentes quanto pela população.

Inflação Acumulada Atual 
 Inflação Taxa  Meta
2017 2,95 4,5
2016 6,29 4,5
2015 10,67 4,5
2014 6,41 4,5
2013 5,91 4,5
2012 5,84 4,5
2011 6,50 4,5
2010 5,91 4,5
2009 4,31 4,5
2008 5,90 4,5
2007 4,46 4,5

Fonte: Banco Central do Brasil

O que é IPCA?

A sigla IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Este é um índice criado em 1980 para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final. Devido à sua abrangência e relevância, a partir dos anos 2000 se tornou o indicador de referência para o governo medir a inflação no País.

O período em que é feita a medição da variação dos preços ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês. A divulgação dos valores mensais para o público é feita no mês seguinte, entre os dias cinco e doze.

Este índice é importante porque reflete o custo de vida das famílias brasileiras com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera gastos em diferentes setores, como:

- Moradia

- Alimentação e bebidas

- Educação

- Comunicação

- Transporte

- Vestuário

- Saúde e higiene pessoal

- Artigos para casa

- Despesas pessoais

Estas despesas diversas são levantadas em 13 regiões metropolitanas do País, buscando mensurar o padrão de consumo da população brasileira. Por ser grande em território e diversidade de culturas, os pesquisadores do IBGE levam em consideração as diferenças entre regiões. Um exemplo é o tipo de feijão analisado no quesito alimentação.

Nos estados do Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro é coletado o preço do feijão preto. Todavia, no restante dos estados, há maior consumo do feijão carioca e, portanto, é ele que aparece na cesta de produtos pesquisados.

É importante entender que quando o IPCA sobe, indica que os preços de alguns produtos e serviços poderão ficar mais caros. No entanto, quando ocorre queda do índice de um mês para o outro, significa que os preços subiram menos no período e não que caíram.

Apenas quando o IPCA fica negativo é que há queda nos preços dos produtos e serviços pesquisados. Esse movimento também é chamado de deflação.

Com esses dados em mãos, o Banco Central juntamente com o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode verificar se o custo de vida das famílias brasileiras está aumentando ou não. Além disso, o monitoramento do IPCA é importante para que o governo averigue se tem cumprido as metas para a inflação. Caso contrário, seria difícil elaborar e colocar em prática medidas para conter a situação.

Muitos não sabem, mas o IPCA possui duas variações: o IPCA-15 e o IPCA-E. O primeiro funciona como uma prévia de inflação do mês, pois o período de coleta das informações vai do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

O IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial), por sua vez, possui a mesma metodologia de coleta utilizada no IPCA. A diferença entre eles é que o IPCA-E é divulgado ao final de cada trimestre, oferecendo um balanço trimestral da inflação. Ele é muito utilizado para calcular o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano, mais conhecido pela sigla IPTU.

Outro detalhe: o IPCA-15 e o IPCA-E não abrangem a cidade de Campo Grande.

Como o IPCA afeta o bolso dos brasileiros

Como foi apresentado anteriormente, o IPCA é usado como referência para que o Banco Central monitore a inflação acumulada do País. Com isso, a população brasileira pode ser diretamente afetada pelas variações do índice, não só nas contas básicas do dia a dia como também nos investimentos.

Quando a inflação aumenta, há impacto direto no poder de compra da população. Ou seja, o preço de determinado produto fica mais caro e, portanto, exigirá uma parcela maior do orçamento familiar. Por isso que, de tempos em tempos, os salários também devem ser reajustados, para que haja alinhamento com a inflação.

Outra forma com que o IPCA afeta o bolso dos brasileiros é em relação à taxa básica de juros do País, também chamada de Selic. Se a inflação está alta, o governo costuma aumentar a taxa Selic com o objetivo de conter a inflação. Por outro lado, quando a inflação está sob controle, é possível que o governo brasileiro reduza a taxa de juros para incentivar o crescimento econômico no País.

No que se refere aos investimentos, uma das modalidades que está diretamente ligada ao IPCA é o Tesouro Direto. O programa do governo federal permite a compra e venda de títulos públicos através da internet e oferece títulos com rentabilidade atrelada a este índice.

Os títulos do Tesouro IPCA têm parte de sua remuneração atrelada ao índice e a outra parte se refere a uma taxa prefixada. Dessa forma, essa se torna uma opção interessante para quem quer investir e ter rentabilidade acima da inflação, especialmente no longo prazo.

Outras modalidades que também podem estar atreladas ao IPCA são:

- Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

- Fundos de Investimento

Resumo: ficha técnica do IPCA

Para resumir as principais características desse índice, veja abaixo uma ficha técnica sobre o IPCA:

- Para que ele serve?

Monitora o custo de vida da população brasileira e é utilizado como indicador oficial de inflação pelo governo brasileiro.

- Qual é sua abrangência?

Os dados são coletados nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

- Quais setores são incluídos em seu cálculo?

Seu cálculo engloba os custos com moradia, alimentação, transporte, vestuário, educação, saúde, artigos para casa, despesas pessoais e comunicação.  

- Quando informações são coletadas?

A coleta de dados para medir o IPCA ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês.

- Quem é responsável pela apuração deste índice?

O órgão responsável é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- Qual é a periodicidade do índice?

A atualização dos valores do IPCA é mensal.

Para conhecer outros índices fundamentais para a economia brasileira, veja também:

- IGP-M