Intenção de Consumo das Famílias cai em junho

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Intenção de Consumo das Famílias cai em junho (Foto: Divulgação) Intenção de Consumo das Famílias cai em junho

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) retraiu 2,3% em junho, a terceira queda mensal consecutiva, atingindo 89,7 pontos, ante os 91,8 pontos vistos em maio. Na comparação anual, no entanto, houve elevação de 15,5%, quando no mesmo período de 2017 registrou 77,7 pontos.

O ICF é apurado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e varia de zero a 200 pontos, sendo que abaixo de 100 pontos significa insatisfação, e acima de 100, satisfação em relação às condições de consumo.

Dos sete itens analisados pela pesquisa, seis recuaram na comparação mensal. O destaque negativo ficou por conta do item Perspectiva de consumo, que caiu 5,9%, passando de 98,5 pontos em maio para 92,7 pontos em junho. Apesar da retração mensal, o índice está 25,3% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, a pesquisa constatou que 30,4% das famílias paulistanas consideram ampliar os gastos nos próximos meses contra 34,1% do mês anterior e 21,6% de um ano atrás.

A maior variação negativa foi vista em Momento para duráveis (-6,2%). Entretanto, a perda em pontos foi menor que o item anterior, por isso o peso no resultado geral foi inferior. Em junho, o item atingiu 60,5 pontos, quatro abaixo do índice de maio, a pior avaliação da pesquisa neste mês. No contraponto anual, houve crescimento de 14,4%. Atualmente, são 66,3% que consideram um mau momento para compra de bens como TV, geladeira, fogão etc. No mês anterior, o porcentual tinha sido de 63,8%, ao passo que estava na casa dos 70% há um ano (70,5%).

O item Perspectiva profissional passou de 114,3 pontos em maio para os atuais 112 pontos, queda de 2%. Na comparação anual, houve aumento de 8%. Mesmo com o recuo mensal, o item foi o mais bem avaliado do ICF no mês e ainda está no patamar de satisfação, no qual a maioria das famílias (53,2% em junho) diz que deve haver uma melhora profissional para o responsável do domicílio.

Os três itens que completam o grupo que registraram queda em junho foram: Emprego atual, Acesso a crédito e Nível de consumo atual. O primeiro permaneceu no patamar acima dos 100 pontos (110,7), ligeiro recuo de 0,9% em relação a maio, mas com alta de 9,7% no contraponto anual. O segundo retraiu 1%, ao passar de 91,9 pontos em maio para 91 pontos em junho – na comparação anual, cresceu 21,1%. O terceiro apontou queda de 1,2%, passando de 62 pontos no mês passado para os atuais 61,2 pontos. Mesmo com um grau elevado de insatisfação com os gastos atuais – 52,2% dizem que estão comprando menos do há um ano –, o índice está 22% acima do visto nesse mesmo mês de 2017 (o porcentual de respostas negativa era de 59,4%).

O único indicador a apresentar elevação no comparativo mensal foi o de Renda atual (0,2%), atingindo exatos 100 pontos em junho, ante os 99,8 pontos do mês anterior. Na comparação anual, a alta foi de 14,7%. Esse é o patamar em que as repostas positivas e negativas se igualaram. Nesse caso, foram os mesmos dos 31,1% dos entrevistados que disseram que o nível de renda atual familiar está melhor e pior do que há um ano.

Faixa de renda

Para os que recebem abaixo dos dez salários mínimos (SM), o índice continuou na área de insatisfação, com 86,3 pontos, queda mensal de 2,5%, mas cresceu 15,1% em um ano. Para as famílias com renda superior a dez SM, também houve retração, mas um pouco menos (-1,7%), e voltou ao patamar inferior aos 100 pontos (99,5).

Segundo a FecomercioSP, a paralisação dos caminhoneiros foi o principal motivo da queda do ICF em junho. Além disso, a demora do governo para negociar e encerrar a greve gerou efeitos danosos para a economia e para a confiança do consumidor. Ainda de acordo com a Entidade, a insatisfação com o governo, que está frágil, – em decorrência das denúncias de corrupção e das eleições deste ano –, é mais um ponto que leva aos índices registrados em junho, uma vez que as reformas necessárias ou medidas que seriam importantes para acelerar o crescimento econômico não seguem adiante.

Com a credibilidade em baixa, a economia vai sofrendo com a desvalorização do real, a saída de capital do Brasil e o freio nos investimentos, e tudo isso mantém a taxa de desemprego elevada.

Entretanto, a Federação afirma que há pontos positivos. A inflação na região metropolitana de São Paulo está baixa, especialmente em alimentos (deflação de 0,9% no acumulado em 12 meses até maio), e os juros, inferiores aos patamares do ano passado. Esses dois fatores contribuíram para o avanço do ICF na comparação anual e foram importantes para garantir o crescimento das vendas do varejo na capital. Para o indicador, porém, não há perspectivas de um novo ciclo de crescimento no curto prazo, principalmente por causa do pouco emprego que está sendo gerado. A tendência é permanecer oscilando próximo aos 90 pontos.

(Redação – Investimentos e Notícias)