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Primeira Liquidação Física de Derivativos de Grãos no Brasil em 15 Anos Impulsiona o Mercado Agrícola com Apoio da Rumo (RAIL3)

  • 13/11/2025 - 06h21
  • Atualizado 2 meses atrás
  • 3 min de leitura

O Balcão Agrícola do Brasil (BAB) registrou a primeira liquidação física de um contrato de derivativo de grãos no país em mais de 15 anos, com a entrega de milho no transbordo do terminal ferroviário da Rumo em Rondonópolis (MT), informou o BAB nesta quinta-feira.

A plataforma de negociação agrícola, anunciada no ano passado após aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), iniciou os primeiros negócios em setembro de 2025 e foi bem recebida pelo mercado, com novas entregas físicas sendo realizadas em novembro, disse o diretor-presidente do BAB, Eric Cardoni, em entrevista.

A primeira entrega envolveu 1.800 toneladas, o equivalente a três contratos. Para novembro, são esperadas entregas de mais 9.000 toneladas (15 contratos), de acordo com o executivo.

“O mercado gostou da entrega física, tem muito interesse de utilizar essa liquidação por entrega física nesses primeiros contratos que foram negociados”, afirmou Cardoni, ex-diretor de trading de grãos e oleaginosas da multinacional Louis Dreyfus Company.

A BAB, que tem a empresa de logística Rumo como principal investidora, foi idealizada para conectar diretamente o mercado de derivativos ao mercado físico regional de grãos, entrando em funcionamento em ano de colheita recorde de grãos em Mato Grosso e no Brasil como um todo.

O interesse na entrega física de grãos, que já não acontece mais nos derivativos negociados pela bolsa B3, é grande na BAB porque os participantes do mercado conseguem fazer a gestão de risco e a comercialização do físico com o mesmo instrumento, segundo Cardoni.

“Acaba sendo mais eficiente para eles”, ressaltou, lembrando que os derivativos de grãos oferecidos atualmente no Brasil são liquidados financeiramente.

O ambiente do BAB permite negociações bilaterais entre comprador e vendedor, deixando os participantes desse mercado livres do chamado “risco de basis”, que é o diferencial (prêmio ou desconto) de preços do mercado local em relação ao contrato futuro da bolsa de Chicago, acrescentou o executivo.

Em um momento de volatilidade nos mercados globais de commodities, em meio às tarifas da China contra a soja dos EUA que influenciam os prêmios no Brasil, o BAB destacou a importância do instrumento de hedge local.

A plataforma possui contratos padronizados e negociados em reais, para simplificar as operações de hedge no Brasil.

A liquidação marcou a entrega física do contrato de derivativo a termo de milho com período de entrega em outubro. Conforme as normativas do BAB, o pagamento foi realizado no início de novembro, terminando o ciclo completo de negociação, registro e liquidação do instrumento.

A companhia não divulga quem são os participantes da entrega.

Segundo Cardoni, há outros contratos em aberto para entrega em dezembro.

Volume de Negócios

  • Após os primeiros negócios em setembro, os volumes subiram 14 vezes em outubro ante o mês anterior, revelou o executivo. “São bons sinais”, frisou.

(Com Reuters)

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