Indústria da construção em forte retração

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Indústria da construção em forte retração (Foto: Pexels) Indústria da construção em forte retração

Os indicadores de condições atuais e de expectativa da Sondagem da indústria da construção apresentaram forte recuo em maio, sendo que a maioria ficou abaixo dos 50 pontos, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado foi influenciado pelos impactos da paralização do transporte de cargas sobre o setor. A interrupção do fluxo de insumos e produtos provocou queda da atividade, aumento da ociosidade e impactou negativamente a expectativa dos empresários.

Os indicadores de nível de atividade e de número de empregados acentuaram suas trajetórias de queda, ficando ainda mais abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que denota queda da atividade e do emprego no mês de maio.

Os indicadores de expectativa também apresentaram queda e, em alguns casos, ficaram abaixo dos 50 pontos, o que sinaliza perspectiva de retração do setor nos próximos seis meses.

O índice de Confiança do Empresário da Construção (ICEI-Construção) ficou abaixo dos 50 pontos – caiu de 53,8 pontos, em maio, para 48,2 pontos, em junho, – indicando falta de confiança dos empresários do setor.
A paralisação do transporte de cargas causou um expressivo impacto sobre o nível de atividade da indústria da construção, que recuou 2,5 pontos: de 46,9, em abril, para 44,4, em maio. Essa foi a maior retração registrada desde dezembro de 2014, quando o indicador apresentou queda de 3,6 pontos. Com isso, o nível de atividade afastou-se ainda mais na linha dos 50 pontos, o que indica piora da situação atual do setor.

A queda do número de empregados foi menor (0,3 pontos), o que fez com que o indicador ficasse em 44,3 pontos, mostrando piora na situação atual no emprego. Ressalte-se que as implicações da paralisação sobre o emprego devem continuar a ser sentidas nos próximos meses, como revela o indicador expectativa do número de empregados, que recuou 3,8 pontos na passagem de maio para junho.

O indicador de nível de atividade em relação ao usual caiu 2,8 pontos, em maio, ao atingir 32,5 pontos. A nova queda distancia ainda mais o nível de atividade atual com o usual para o mês. A indústria da construção opera abaixo de 50 pontos desde fevereiro de 2012.

A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) registrou 57%, em maio, três pontos percentuais (p.p.) abaixo do observado em abril e dois p.p. acima da média histórica para o mês. Isso significa que a indústria da construção operou com 43% das suas máquinas, equipamentos e trabalhadores ociosos naquele mês.

Todos os indicadores de expectativa apresentaram expressiva queda em junho, quando comparados ao mês anterior. O indicador de expectativa do nível de atividade retraiu 4,3 pontos – saindo de 54,7 pontos, em maio, para 50,4 pontos, em junho –, o que sinaliza percepção de que a atividade permanecerá estável nos próximos seis meses.

Os indicadores de novos empreendimentos e serviços e de compras de insumos e matérias-primas recuaram 4,5 pontos, em ambos os casos, atingindo 49,2 pontos e 48,8 pontos, respectivamente. A expectativa de número de empregados também apresentou queda, atingindo 48,1 pontos. As quedas abaixo da linha de 50 pontos indicam expectativa de retração desses indicadores nos próximos seis meses.

O indicador de intenção de investimento caiu 2,7 pontos na passagem de maio para junho, atingindo 30,6 pontos. É a segunda queda consecutiva do índice. A maior queda foi registrada nas indústrias de grande porte, cuja retração foi de 4,3 pontos. 

Na comparação com o mesmo mês de 2017, o indicador apresentou alta de 3,4 pontos. O índice varia no intervalo de 0 a 100. Quanto maior o índice, maior é a intenção de investimento.

O índice de confiança do empresário da construção (ICEI-Construção) caiu pelo terceiro mês consecutivo na passagem de maio para junho. Com a forte queda – de 5,6 pontos –, o ICEI atingiu 48,2 pontos, ficando abaixo da linha divisória dos 50 pontos, o que significa falta de confiança dos empresários do setor da construção.

O resultado do ICEI está ancorado tanto no índice de condições atuais, como nos indicadores de expectativa, que sinalizaram maior pessimismo dos empresários para os próximos seis meses.

O índice de condições atuais mostrou queda de 5,6 pontos, em junho, atingindo 41,1 pontos. Destaca-se que o indicador de condições da economia brasileira apresentou recuo de 8,7 pontos, ficando em 37,6 pontos, o menor índice desde janeiro de 2017, quando atingiu 34,6 pontos.

O índice de expectativa também sofreu expressivo recuo (-5,6 pontos), ficando em 51,7 pontos. Isso ocorreu porque apesar do indicador da economia brasileira ter recuado em 7,9 pontos, atingindo 46,5 pontos, o indicador de expectativa da empresa continuou acima da linha divisória (em 54,6 pontos), mesmo tendo recuado 4,3 pontos.