Indústria da construção apresenta resultados mais promissores

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Indústria da construção apresenta resultados mais promissores (Foto: Pixabay) Indústria da construção apresenta resultados mais promissores

O setor da indústria da construção parece apresentar algum sinal de recuperação, devido a melhora dos indicadores de condições financeiras, intenção de investimento e expectativas, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Desde outubro os resultados demonstram aumento de otimismo e confiança, mas no último trimestre de 2018 o índice de condições atuais superou a linha divisória de 50 pontos, o que não acontecia desde 2014, acompanhando o movimento mais promissor dos indicadores de confiança e expectativas.

Os índices de evolução de atividade e de número de empregados continuaram a apresentar queda no decorrer do quarto trimestre de 2018. Há uma sazonalidade clara no meio e fim do ano, mais forte no fim, em que a atividade e o emprego pioram nesses períodos. No último trimestre a sazonalidade foi mais forte, gerando o pior resultado do ano para o emprego.

O índice de atividade abriu o trimestre, em outubro, com 47,7 pontos, melhora expressiva em relação ao fim do terceiro trimestre. A atividade caiu 3,3 pontos entre outubro e dezembro e fechou o quarto trimestre com 44,4 pontos, o mesmo nível observado em maio e o pior resultado do ano. O enfraquecimento da atividade neste período do ano é esperado devido ao recesso das festas de fim de ano, que diminui a assiduidade dos empregados e o desempenho das obras do setor.

O índice de evolução do número de empregados registrou 42,8 pontos em dezembro, recuo de 2,1 pontos em relação ao início do trimestre. A queda da atividade gera um impacto mais intenso no emprego, que apresenta o pior resultado desde junho de 2017.
Ambos os indicadores se distanciaram da linha divisória de 50 pontos, indicando que tanto a atividade quanto o emprego permanecem em queda em relação ao nível registrado no mês anterior.

A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) fechou o último trimestre do ano em 57%, queda de 4 pontos percentuais (p.p.) em relação ao fechamento do terceiro trimestre. A UCO caiu 5 p.p. no decorrer de outubro e novembro, mas recuperou 1 p.p. em dezembro. Na comparação anual, o indicador está 1 ponto percentual abaixo do registrado em relação a dezembro do ano passado.

As empresas de médio e grande porte utilizaram, respectivamente, 56% e 58% da UCO em dezembro e o nível de capacidade operacional empregada vêm caindo desde agosto deste ano. Já as empresas de pequeno porte estão utilizando apenas 54% de UCO. Em dezembro a UCO das pequenas empresas aumentou 4 pontos percentuais, mas a recuperação apenas cobriu a queda de novembro.

Todos os indicadores de satisfação em relação às condições financeiras apresentaram melhora no quarto trimestre de 2018, com destaque para o indicador de acesso ao crédito. Entretanto, seguem abaixo da linha de 50 pontos, mostrando que há insatisfação com as condições financeiras das empresas no último trimestre do ano.

A margem de lucro operacional registrou 41,4 pontos no quarto trimestre, um aumento de 0,4 ponto em relação ao terceiro. O resultado positivo foi puxado pelo grupo de grandes empresas e pelas empresas responsáveis por obras de infraestrutura. Ressalta-se que há grande interseção entre esses grupos. Para as empresas de grande porte, a satisfação com relação à margem de lucro operacional aumentou 1,3 ponto. Já a satisfação nas pequenas e médias empresas diminuiu 0,3 e 0,7 ponto, respectivamente, na comparação trimestre a trimestre.

O índice de satisfação com relação à situação financeira foi de 41,4 pontos, um incremento de 0,6 ponto em relação ao terceiro trimestre do ano. Apesar da queda no nível de satisfação das empresas de pequeno e médio porte, 1,1 e 0,9, respectivamente, as empresas de grande porte tiveram uma melhora capaz de superar a insatisfação das primeiras. Neste grupo, o aumento foi de 2,2 pontos na comparação trimestral.

A satisfação com acesso ao crédito mostrou um incremento de 1,9 ponto, registrando 34 pontos no último trimestre do ano. Na separação por porte, todos os grupos apresentaram aumento da satisfação em relação ao acesso ao crédito, com destaque para as empresas de pequeno porte, cujo aumento foi de 3,4 pontos. Indicando que, no ultimo trimestre, o crédito ficou mais acessível para as pequenas empresas.

Os indicadores de expectativas do setor de construção aumentaram no decorrer do último trimestre do ano. Todos eles ficaram acima da linha divisória de 50 pontos, demonstrando otimismo em diversos aspectos.

Os indicadores de nível de atividade e novos empreendimentos e serviços avançaram 2,9 pontos entre dezembro e janeiro. O índice de expectativas de nível de atividade chegou a 58,4 pontos em janeiro e o de novos empreendimentos e serviços registrou 58,1 pontos.
As perspectivas de compras de insumos e matérias-primas atingiram 56,5 pontos em janeiro, um aumento de 3,7 pontos em relação a dezembro. Sobre o número de empregados, o indicador de expectativa registrou 56,1 pontos em janeiro, avançando 3,4 pontos em relação a dezembro.

O índice de intenção de investimento (compras de máquinas e equipamento, pesquisa e desenvolvimento, inovação de produto ou processo) registrou 38 pontos em janeiro, o maior valor desde janeiro de 2014. O indicador apresentou melhora significativa no decorrer do quarto trimestre, aumentando 5,5 pontos de outubro a janeiro. O nível do índice está acima de sua média histórica, de 33,6 pontos.

A intenção de investimento dos empresários demonstrou certa estagnação no segundo semestre do ano, até novembro. Possivelmente, antecipando a sazonalidade presente no setor, que mostra enfraquecimento da atividade no fim do ano. Dessa forma, o aumento expressivo da intenção de investimento a partir de novembro pode ser devido à antecipação de um aquecimento do setor a partir de janeiro.

O índice de confiança do empresário da indústria da construção (ICEI-Construção) aumentou no decorrer do último trimestre. Em janeiro o ICEIConstrução registrou 63,7 pontos, crescimento de 1,4 ponto em relação a setembro. O indicador supera em 10,6 pontos a média histórica de 53,1 pontos.

Todos os indicadores que compõem o ICEIconstrução aumentaram em janeiro, quando comparados a dezembro. O índice de Expectativa da Economia Brasileira para os próximos seis meses aumentou 1,7 ponto e o de Expectativas da empresa aumentou 1,3 ponto. O índice de Expectativas aumentou 1,5 ponto, chegando a 69,7 pontos em janeiro.

Por fim, o Índice de Condições Atuais avançou 1 ponto em janeiro, atingindo 51,6 pontos. Os indicadores de Condições da Empresa e da Economia cresceram 0,9 e 1,3 ponto, respectivamente.

(Redação – Investimentos e Notícias)