Guerra comercial e alguns riscos para a balança comercial

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Guerra comercial e alguns riscos para a balança comercial (Foto: Pexels) Guerra comercial e alguns riscos para a balança comercial

No Informe ICOMEX de janeiro de 2019 chama a atenção o efeito das operações com as plataformas de petróleo no saldo da balança comercial, o que se repetiu em janeiro de 2019, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). O saldo da balança foi de US$ 2,2 bilhões, mas, se retirarmos as plataformas de petróleo das exportações e das importações, o saldo passa para US$ 3 bilhões. 

Com as plataformas, o crescimento em valor das importações entre os meses de janeiro de 2018 e 2019 foi de 15,4% e sem as plataformas de 0,7%. Nas exportações os resultados são de um aumento de 9,1% e de 1,5% com e sem as plataformas, respectivamente. O maior efeito, portanto, foi nas importações, que em volume cresceram 11,2% e sem as plataformas recuaram em 2,9%, enquanto nas exportações, o volume exportado cai de 14,6% para 6,6%, com a exclusão das plataformas.

Ressalta-se o resultado das importações que sem as plataformas registraram recuo e, logo, um sinal de menor nível de atividade na comparação entre os meses de janeiro de 2018 e 2019. O que é confirmado com a queda do volume de bens intermediários utilizados na indústria de transformação em 5,2%, nesse mesmo período.

O segundo destaque de 2018, que se repete em janeiro á a liderança das China nas exportações e a queda da Argentina. No caso da China, a participação em janeiro de 2019 foi de 20,9%, 2,6 pontos percentuais acima de janeiro de 2018. A ascensão chinesa continua dependente do desempenho das commodities — petróleo, minério de ferro e soja explicaram 72% das exportações brasileiras para esse mercado. Para a Argentina, a participação caiu de 7,1% para 3,7% e o país passou para a quinta posição na lista dos principais mercados de destino das vendas brasileiras no exterior.

Qual deverá ser a tendência ao longo de 2019?

Os compromissos da Argentina com o Fundo Monetário Internacional levam a que o PIB do país deva recuar esse ano. Espera-se, portanto, que as vendas de automóveis continuem caindo em 2019, pois o país é o principal comparador desse produto. Logo é alta a probabilidade que se repita o resultado de 2018, quando houve recuo no volume exportado de bens duráveis (o setor automotivo é o principal componente). Na comparação mensal dos meses de janeiro, o volume exportado de bens duráveis caiu 45%.

A importância da China na pauta de exportações do Brasil leva ao tema dos possíveis desdobramentos da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos para a balança comercial do país. Em 2018, algumas análises destacaram que o Brasil estaria obtendo ganhos com essa guerra, em especial no caso da soja. As vendas para a China aumentaram 35% e o país absorveu 82% do total das vendas de soja brasileiras. 

No entanto, por traz desse ganho existe um risco maior: a guerra entre os dois países desencadearia uma onda protecionista que levaria a uma desaceleração do comércio mundial. Observa-se que o FMI anunciou em janeiro a revisão para baixo do crescimento da economia mundial (3,5%), esperado para 2019. Citou entre as principais razões, a guerra comercial.

No entanto, os efeitos para o Brasil não se esgotam num cenário de desaceleração da demanda mundial. Em dezembro China e Estados Unidos negociaram uma trégua em relação aos aumentos de tarifas que começariam em janeiro e foram adiados para março. Nessa negociação, os chineses através de suas empresas estatais anunciaram compras de soja dos Estados Unidos, que estavam suspensas. 

O que esse episódio mostra? Na barganha entre China e Estados Unidos, conceder preferências para os Estados Unidos no setor de agropecuária, não é problema para a China. Nesse jogo o Brasil perde e logo mostra a importância de se manter boas relações com o governo chinês. Em adição, como é esperada uma menor colheita de soja para esse ano no Brasil, as vendas de soja para a China deverão registrar uma menor taxa de crescimento do que em 2018.

Um novo produto que pode entrar na mesa de negociação são as exportações de carne de frango. A China estabeleceu uma taxa antidumping que pode chegar a 32,4% incidente sobre as importações oriundas do Brasil. 

Quatorze empresas fizeram acordos de preços (negocia o aumento do preço no lugar da cobrança do antidumping), entre elas os maiores frigoríficos. As exportações de frangos oriundas dos Estados Unidos estão proibidas na China, desde 2015. Logo esse seria um possível candidato para a mesa de negociações.

A China continuará como o principal mercado para o Brasil, porém o valor exportado deve crescer, mas menos do que em 2018.

Menor taxa esperada de crescimento para a economia mundial, inclusive a China, riscos para as exportações de agropecuária, baixa probabilidade que outros mercados compensem as perdas das exportações de manufaturas na Argentina levam a expectativa de uma redução no superávit comercial de 2019.

(Redação – Investimentos e Notícias)