Economia brasileira deve crescer menos do que economia global, prevê BNP Paribas

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Economia brasileira deve crescer menos do que economia global, prevê BNP Paribas Foto: Divulgação Economia brasileira deve crescer menos do que economia global, prevê BNP Paribas

A economia brasileira deve começar a crescer a partir do segundo semestre de 2021, mas o ritmo de expansão deve ser menor do que o da economia global, de acordo com o economista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Gustavo Arruda. Para ele, o primeiro semestre deve ser mais fraco, com os três primeiros meses de 2021 podendo ainda apresentar queda, e uma pequena alta no segundo trimestre. “O segundo semestre deve ser bastante positivo, mas mesmo assim ainda vamos crescer menos do que outros países. Vamos passar por um período de acomodação”, avalia, ponderando, no entanto, que o retorno do PIB ao nível do quarto trimestre de 2019 deve ocorrer somente entre o primeiro e o segundo trimestre de 2022.

Para 2021, a expectativa é de um crescimento médio trimestre, em torno de 0,5%. Para este ano a expectativa é de queda do PIB de 5%. Ele ressalta que a queda do auxílio emergencial de R$ 600,00 para R$ 300,00 é um dos motivos que vão levar a economia a crescer menos no quarto trimestre deste ano e que, o fim do auxílio em 2021, vai impactar a expansão, principalmente no primeiro semestre do ano. 

Arruda destacou ainda o grande avanço da dívida bruta fiscal, que está próxima de 100% do PIB, e a importância do governo manter a âncora fiscal. “Nosso ponto de partida é de que o fiscal volte a ser condizente com a busca de teto de gasto, se vai cumprir ou não, vamos observando ao longo do caminho”, avalia, ressaltando ainda o aumento de gasto público chegou a 8% do PIB, sendo que 4,5% se refere ao programa emergencial. 

Banco Central
O economista-chefe do BNP Paribas mostrou surpresa com o comunicado do Comitê de Política Monetária na quarta-feira, após a decisão de manter a Selic em 2% ao ano. O BC informou que em breve abandonará o ‘forward guidance’, que nada mais é do que o compromisso de não subir juros. “Confesso que me surpreendeu o guidance sobre o forward guidance. Quando o BC avisa que, em algum momento isso vai deixar de existir, na prática ele já deixa de existir. O BC acabou de desfazer esse compromisso. Assim, quando o forward guidance for tirado passa a ser menos relevante, porque o BC já avisou que vai voltar para a política monetária tradicional”, avalia. 

Com essa mudança no comunicado, a instituição refez a projeção da Selic para 2021. Agora, o BNP Paribas estima que a alta da taxa básica será antecipada para setembro de 2021, começando com ciclo de alta de 0,50 pontos e encerrando 2021 em 3,5%. 

Reforma tributária
Arruda está bastante cético sobre a reforma tributária e acredita que o governo só conseguirá implementar essa reforma em 2023. “A reforma tributária é muito grande e as perspectivas são de que alguns setores, como o de serviços tenham a tributação elevada. É difícil imaginar que será possível um acordo para simplificar essa reforma”, pondera.

(Redação - Investimentos e Notícias)