Custos industriais apresentam 2º menor crescimento em 2017

  •  
Custos industriais apresentam 2º menor crescimento em 2017 (Foto: Divulgação) Custos industriais apresentam 2º menor crescimento em 2017

O Indicador de Custos Industriais cresceu 0,6% na média de 2017 comparada à média de 2016, segundo menor crescimento da série histórica, ficando à frente apenas da retração nos custos industriais observada em 2009, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O baixo crescimento dos custos em 2017 derivou tanto de um crescimento mais moderado nos custos com pessoal e com intermediários domésticos quanto da queda do custo com intermediários importados e da queda no custo com capital de giro.

Apesar do crescimento moderado dos custos industriais, a indústria brasileira perdeu competitividade no ano por conta da queda dos produtos que competem com os produtos brasileiros no mercado doméstico e no mercado externo. Enquanto os custos industriais subiram 0,6%, o preço dos manufaturados importados, em reais, caiu 7,7% e o preço dos manufaturados nos Estados Unidos, também em reais, caiu 6,2%.

A redução dos preços dos produtos que competem com os fabricados no Brasil pode ser atribuída, em parte, à valorização do real no período. Quando o real se valoriza, as exportações brasileiras se tornam mais caras no mercado internacional e as importações que competem com os produtos brasileiros no mercado doméstico se tornam mais baratas. Apesar do efeito adverso sobre a competitividade, a valorização cambial ajudou a conter os custos industriais no ano por reduzir o preço dos intermediários importados pela indústria brasileira.

No quarto trimestre do ano, os custos apresentaram alta de 1,6% em relação ao terceiro trimestre, quando desconsiderados os efeitos sazonais. O aumento nos custos no final do ano foi puxado pelo crescimento no custo com intermediários domésticos e importados e pelo aumento no custo com energia. A continuada redução dos custos com capital de giro contribuiu para a mitigação dos custos no quarto trimestre.

O Indicador de custos industriais subiu 1,6% no quarto trimestre de 2017, em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano, quando desconsiderados os efeitos sazonais.

A alta do indicador no trimestre foi puxada pelo aumento de 3,0% no índice de custo com intermediários domésticos. Os preços dos intermediários importados e da energia também contribuíram com a alta do indicador. O índice de custo com intermediários importados subiu 3,7% no período e o índice de custo com energia, que contempla custo com energia elétrica e com óleo combustível, subiu 4,3%. Apesar das altas mais expressivas em percentuais, o impacto desses componentes é menor que o impacto dos intermediários domésticos, porque a energia e os intermediários importados têm peso menor no custo total.

A queda do custo com capital de giro (-7,6%) e do custo tributário (-1,2%) contribuíram para mitigar a alta dos outros componentes.

A alta de 4,3% no índice de custo com energia foi puxada pelo crescimento de 11,1% no preço do óleo combustível entre o terceiro e o quarto trimestres de 2017. A alta do óleo combustível reflete os aumentos no preço internacional do petróleo no quarto trimestre de 2017: nesse trimestre, o preço internacional do petróleo cresceu 17,9%, em dólares correntes, segundo dados do Europe Brent Spot Price.

O preço da energia elétrica também aumentou no período, crescendo 2,8% no quarto trimestre, quando desconsiderados os efeitos sazonais.

A queda de 7,6% no índice de custo com capital de giro contribuiu novamente para a contenção dos custos industriais no quarto trimestre de 2017. A redução do custo com capital de giro segue a queda da taxa SELIC.

Comparando o quarto trimestre de 2017 com o quarto trimestre de 2016, a média trimestral da meta da SELIC caiu 45,8%, enquanto o índice de custo com capital de giro se reduziu em 23,5% no mesmo período.

A recuperação da economia em 2018 deve melhorar a situação financeira das empresas, gerando redução das taxas de inadimplência. Esse fator, associado ao baixo patamar das taxas básicas de juros, permite redução adicional do custo com capital de giro para as empresas industriais em 2018.

A média do indicador de custos industriais em 2017 foi 0,6% maior que a média do indicador em 2016. Esse é a segunda menor taxa de variação do indicador, superior apenas à queda de 1,9% ocorrida em 2009.

Os custos com energia, com intermediários nacionais e com pessoal, que apresentaram variação positiva no ano, representaram aumento de 1,9 pontos percentuais no indicador agregado. O crescimento do indicador foi mitigado pela retração no custo com capital de giro, no custo tributário e no custo com intermediários importados, que conjuntamente representaram uma redução de 1,3 pontos percentuais no indicador agregado.

O ano de 2017 se destaca por ser aquele em que o custo com pessoal apresentou o menor crescimento na série histórica iniciada em 2006. Em 2017, o custo com pessoal cresceu, em média, 3,8% quando comparado com a média de 2016. Foi a primeira vez na série histórica que o crescimento anual médio do custo com pessoal ficou abaixo de 5%.

Em 2017, o aumento de 1,6% no índice de preços de produtos manufaturados superou o aumento de 0,6% no indicador de custos industriais, indicando aumento da lucratividade da indústria. Esse é o segundo ano seguido em que a indústria elevou seus preços mais que o aumento de seus custos, após a perda de lucratividade observada em 2015.

Apesar da contenção dos custos industriais no ano, a indústria brasileira perdeu competitividade em 2017 tanto no mercado doméstico, na competição com os produtos importados, quanto no mercado externo, onde as exportações brasileiras competem com os produtos fabricados nos mercados de destino e com as exportações de outros países.

O preço dos manufaturados importados, em reais, caiu 7,7% na média de 2017 comparada com a média de 2016. Assim, mesmo com os custos industriais crescendo apenas 0,6%, os produtos brasileiros ficaram relativamente mais caros que os produtos importados no ano.

O preço dos produtos manufaturados nos Estados Unidos, em reais, também apresentou retração de 6,2%, indicando que as exportações brasileiras no mercado externo também ficaram relativamente mais caras no período.

O barateamento dos produtos que competem com os produtos brasileiros no mercado doméstico e no mercado internacional está relacionado à valorização do real no período.

(Redação – Investimentos e Notícias)