Crise econômica afetou emprego em 29,3% das cidades paulistas

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Crise econômica afetou emprego em 29,3% das cidades paulistas (Foto: Divulgação) Crise econômica afetou emprego em 29,3% das cidades paulistas

A crise econômica, que teve início em 2014 e causou forte recessão no país, fez com que o nível socioeconômico das cidades brasileiras retrocedesse três anos. É o que aponta o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM), divulgado pelo Sistema FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) com base em dados oficiais de 2016, últimos disponíveis. Apesar de ser o estado com maior proporção de cidades com alto desenvolvimento de forma geral (27,5%), a crise se manifestou fortemente em São Paulo na vertente Emprego e Renda, avaliada pelo IFDM: 29,3% dos municípios paulistas regrediram e nenhum alcançou o conceito máximo.

O índice monitora todas as cidades brasileiras e a avaliação varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 maior o seu desenvolvimento. Cada uma delas é classificada em uma das quatro categorias do estudo: baixo desenvolvimento (de 0 a 0,4), desenvolvimento regular (0,4 a 0,6), desenvolvimento moderado (de 0,6 a 0,8) e alto desenvolvimento (0,8 a 1). São acompanhadas as áreas de Emprego e Renda, Saúde e Educação e avaliadas conquistas e desafios socioeconômicos de competência municipal: manutenção de ambiente de negócios propício à geração local de emprego e renda, Educação Infantil e Fundamental, e atenção básica em saúde. O IFDM avaliou 5.471 cidades. As novas, para as quais ainda não há dados, e aquelas com ausência, insuficiência ou inconsistência de informações, não foram analisadas.

Louveira foi a cidade melhor avaliada de todo o país (0,9006), com alto desenvolvimento em Saúde e Educação e moderado em Emprego e Renda. Entre as 15 com melhor avaliação do país, 10 são paulistas. As demais são, na ordem: Olímpia, Estrela do Norte, Itatiba, Itupeva, São Caetano do Sul, Jundiaí, Jaguariúna, São José do Rio Preto e Paraguaçu Paulista. Todas apresentaram alto desenvolvimento no índice geral do IFDM. O segundo e terceiro lugares no ranking nacional ficaram também com Olímpia e Estrela do Norte, que avançou 13,4% no IFDM Emprego e Renda graças à abertura de novos postos de trabalho.

Das 643 cidades paulistas analisadas, mais da metade, 343, alcançaram desenvolvimento apenas regular em Emprego e Renda; 122 (17,4%) apresentaram baixo desenvolvimento e 188 (29,2%) avançaram moderadamente.

Educação é o quesito em que as cidades paulistas mais se destacam: 99,4% apresentam alto desenvolvimento. E 58,8% avançaram nesta categoria em 2016 na comparação com 2015. No IFDM Saúde, quase 70% dos municípios do estado conseguiram alto desenvolvimento, e 29,1% avançaram de forma moderada. Mais de 60% progrediram em Saúde graças a melhor identificação das causas das mortes e redução das mortes de crianças menores de 5 anos por causas evitáveis.

Mercado de trabalho encolheu em quase 60% das cidades brasileiras

Em relação à totalidade das cidades brasileiras, o estudo mostra que, na comparação com 2015, Educação e Saúde tiveram o menor avanço da última década. Nesta edição, o IFDM Brasil atingiu 0,6678 ponto – abaixo do nível observado em 2013. No resultado geral, que inclui a média das notas dos três indicadores (Emprego e Renda, Saúde e Educação) só 431 municípios (7,9%) tiveram alto desenvolvimento.

Em Emprego e Renda, o IFDM destaca que, entre 2015 e 2016, foram fechados quase 3 milhões de postos de trabalho formais no país. Em 2016, quase 60% das cidades fecharam postos de trabalho. Com isso, o indicador de Emprego e Renda do estudo registrou 0,4664 ponto, com pequena recuperação com relação a 2015 (0,4336). O movimento é explicado pelo aumento no rendimento real do trabalhador formal, em parte por conta da política de reajuste do salário mínimo.

Só cinco cidades alcançaram alto desenvolvimento nesse indicador: São Bento do Norte (RN), Capanema (PR), Telêmaco Borba (PR), Selvíria (MS) e Cristalina (GO). Foi o pior resultado da série histórica. O estudo destaca que a crise foi tão severa que mesmo que o IFDM Emprego e Renda cresça nos próximos anos com variação média de 1,5%, o país só alcançará o nível de 2013 em 2027. A recessão custou mais de uma década de desenvolvimento para o mercado de trabalho formal dos municípios.

O estudo revela que o país mantém enormes disparidades regionais: o Sul é a região mais desenvolvida, tendo 98,8% de cidades com desenvolvimento alto ou moderado. O Sudeste e o Centro-Oeste têm perfil semelhante. Já Norte e Nordeste têm, respectivamente, 60,2% e 50,1% dos municípios com desenvolvimento regular ou baixo. Florianópolis, com 0,8584, ocupa o primeiro lugar entre as capitais. No último lugar do ranking, com 0,3214, está Ipixuna, no Amazonas.

Desafios em Saúde e Educação continuam grandes

Nesta edição o IFDM Saúde teve o menor avanço da última década (1,6%). Entre as variáveis que compõem esse indicador, a que mais precisa se desenvolver é a de percentual de gestantes com sete ou mais consultas pré-natal, o recomendado pelo Ministério da Saúde. Em 2016, um terço (32,2%) delas não tiveram a quantidade mínima de consultas. A perspectiva não é positiva: caso a cobertura evolua na taxa média dos últimos três anos a universalização só será atingida em 2029.

O IFDM Educação também progrediu lentamente: foi o menor avanço da última década (0,6%): os indicadores que compõem esse quesito continuam longe das metas definidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE). A meta de universalizar a educação infantil na pré-escola, por exemplo, que deveria ter sido atingida em 2016, só deve ser alcançada em 2035 caso a taxa de crescimento permaneça em 1,2%.

Para o Sistema FIRJAN, políticas macroeconômicas para o equilíbrio fiscal e gestão eficiente dos recursos públicos são essenciais para que as cidades se recuperem e atinjam nível de desenvolvimento que atenda às necessidades dos brasileiros.