Crescimento do setor industrial desacelera em maio

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Destaque Crescimento do setor industrial desacelera em maio (Foto: Divulgação) Crescimento do setor industrial desacelera em maio

Embora a saúde do setor industrial do Brasil tenha continuado a melhorar na metade do segundo trimestre, os dados do PMI destacaram indícios generalizados de desaceleração. Como reflexo das condições contidas da demanda, assim como a instabilidade política, a produção e os pedidos de fábrica aumentaram às taxas mais fracas em suas respectivas sequências de quinze meses de crescimento ininterrupto. A depreciação da moeda aliada a uma alta das mercadorias básicas levou a inflação de custos ao segundo ponto mais alto em quase dois anos, fazendo com que algumas empresas adiassem a compra de insumos. A criação de empregos também se atenuou, ao mesmo tempo em que as empresas se tornaram menos otimistas em relação às perspectivas de atividade de negócios daqui a um ano.

O Índice Gerente de Compras™ (PMI®) IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, caiu de 52,3 em abril para um recorde de baixa de dez meses de 50,7 em maio. O número básico foi indicativo de uma melhoria marginal apenas nas condições de negócios.

Numa análise por subsetor, o de bens intermediários foi o de melhor desempenho em maio e o de bens de investimento a categoria de pior atuação. O crescimento do volume de novos pedidos atenuou-se atingindo o seu ponto mais fraco nos atuais quinze meses de expansão, em meio a relatos de problemas políticos prolongados e de condições contidas de demanda. 

Ao mesmo tempo, as vendas de exportação caíram após terem aumentado em cada um dos dois meses anteriores. Vendas mais fracas do que o esperado resultaram na armazenagem de produtos não vendidos, com a quantidade de estoques de produtos acabados aumentando pelo segundo mês consecutivo. 

O crescimento da produção foi parcialmente alcançado através da conclusão de negócios pendentes, mas a recuperação no volume de produção foi a mais fraca na atual sequência de quinze meses de expansão. 
Embora as quantidades de compras continuassem a crescer, a recuperação diminuiu consideravelmente em maio. Em alguns casos, os entrevistados sugeriram que o crescimento foi dificultado pelos preços elevados dos insumos. 

De fato, a taxa de inflação de custos alcançou sua segunda marca mais elevada desde meados de 2016. As evidências destacaram como causa o aumento dos preços de combustíveis, gás, metais e petróleo. Os aumentos contínuos nos custos levaram os fabricantes a aumentar seus preços de venda. Em maio, a taxa de inflação de preços atingiu um pico de vinte e sete meses, registrando bem acima de sua média de longo prazo.

Embora o nível de empregos do setor industrial tenha aumentado na metade do segundo trimestre, a recuperação foi marginal e a mais fraca desde o início do ano, com várias empresas buscando racionalizar os custos.

Como resultado da compra reduzida de insumos e dos atrasos na entrega, os estoques de matérias-primas e de itens semiacabados diminuíram ainda mais. Os fabricantes esperam que o volume de produção seja maior daqui a doze meses, mas o nível de sentimento positivo caiu em maio. As preocupações com a demanda básica fraca e as condições desafiadoras de mercado pressionaram o nível de otimismo.