Clima Econômico da América Latina melhora, mostra FGV

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Clima Econômico da América Latina melhora, mostra FGV (Foto: Pexels) Clima Econômico da América Latina melhora, mostra FGV

Pela primeira vez depois do impacto da pandemia de covid-19, houve alguma melhora na percepção em relação à situação corrente, que continua difícil na maioria dos países. Em relação às expectativas o resultado é muito heterogêneo.

O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina da Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou de 60,7 para 70,5 pontos entre o 4º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021. Apesar da alta de 9,8 pontos, o indicador continua na zona desfavorável do ciclo econômico com uma combinação de avaliações desfavoráveis sobre o presente e expectativas otimistas em relação ao futuro próximo.

O ICE é uma média geométrica entre o Indicador da Situação Atual (ISA) e o Indicador de Expectativas (IE). A alta do ICE no primeiro trimestre de 2021 foi influenciada pela melhora do ISA, que subiu 13,0 pontos (para 19,4 pontos), em relação ao 4º trimestre de 2020, quando havia sido registrado o pior resultado na série iniciada no primeiro trimestre de 2001: 6,4 pontos. Esse é o terceiro pior resultado da série histórica do ISA da América Latina.

O IE ficou praticamente estável no primeiro trimestre de 2021 ao passar de 142,8 para 143,6 pontos, e manter-se zona favorável do ciclo (acima de 100 pontos) pelo terceiro trimestre consecutivo.

O resultado geral da pesquisa mostra que os especialistas continuam a avaliar a situação atual bastante desfavorável, mas estão otimistas com a perspectiva de melhoras nos próximos meses. Entre os fatores a justificar o otimismo está o início dos programas de imunização contra a covid-19 nas principais economias do mundo e nos países latinos, embora com cronogramas e ofertas de vacinas muito distintos. Os resultados dos países ajudam a esclarecer esse comportamento.

Clima econômico: Resultados dos países

O Clima Econômico melhorou em apenas metade das 10 maiores economias da região acompanhadas pelo FGV IBRE, mas os avanços foram mais expressivos que as perdas.

Houve melhora do ICE na Argentina, Brasil, Chile, México e Paraguai. Destacam-se os casos do Paraguai (avanço de 37,0 pontos no ICE), Chile (26,7 pontos) e México (19,7 pontos). No Brasil, o ICE ganhou 5,1 pontos, passando de 67,2 pontos para 72,3 pontos. No sentido oposto, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai registraram queda no ICE. As perdas ficaram abaixo de 10 pontos. A maior queda, de 9,3 pontos, ocorreu no Peru. No grupo de países que melhoraram o ICE, o ISA avançou em todos os casos. Destacam-se Paraguai (+63,5 pontos), Chile (+23,3 pontos), México (+20,0 pontos) e Brasil (+11,7 pontos). No caso das expectativas, Brasil e Paraguai registraram recuo. No Brasil, o IE caiu 9,2 pontos.

No grupo de países com queda no ICE, em todos os casos o indicador de expectativas recuou. A maior queda ocorreu na Bolívia (-72,2 pontos) e a menor na Colômbia (-21,9 pontos). Exceto o Peru, todos os países nesse grupo registraram melhora no ISA.

Em síntese, o ISA melhorou em todos os países, exceto no Peru, que registrou um recuo discreto, de apenas um ponto entre o 4º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021. O indicador mais alto foi o do Paraguai (77,8 pontos), seguido da Bolívia e o Chile, ambos com 33,3 pontos. O Brasil registrou um ISA de 25,0 pontos. O nível ainda baixo do ISA em todos países mostra que a região ainda está distante de alcançar uma fase favorável do ciclo econômico.

O IE caiu para todo os países, exceto Argentina, Chile e México. Nos demais países, o IE recuou, mas se manteve na zona favorável, salvo os casos de Bolívia e Equador. No grupo de países com o IE na zona favorável, o Chile registrou o valor mais elevado (187,5 pontos), e o Brasil, o mais baixo (137,5 pontos).

Previsões para o crescimento do PIB para 2021

Como seria esperado, após a recessão de 2020 associada ao choque de oferta e demanda trazido pela COVID-19, é esperada uma recuperação das economias latinas. A queda nos PIB dos países em 2020 é substituída por um aumento do produto, embora não seja assegurada uma volta aos níveis de produto de 2019, em todos os países.

Essa recuperação, entretanto, está acompanhada de um relativo pessimismo. Nos últimos três meses, 73,1% dos entrevistados mudaram a sua projeção para 2021 e, destes, 58,9% rebaixaram o valor esperado do crescimento econômico do seu país. Entre os países em que maioria dos especialistas consultados revisaram para cima estão Argentina (57,1%), Bolívia (75,0%), Chile (100%) e Paraguai (75,0%). Nas duas maiores economias da região, a maioria dos especialistas revisaram para baixo as suas projeções: Brasil (66,7%) e México (63,6%)

No grupo dos países que revisaram para cima o crescimento do PIB, o peso dos fatores varia. No Chile, o principal fator foi a chegada da vacina antes do esperado (100%), seguido de melhores condições macroeconômicas domésticas (60%) e internacionais (60%). Na Bolívia, o principal fator foi a melhora do ambiente político (66,7%), seguido antecipação da vacina, condições macro domésticas e internacionais e novos estímulos, todos com percentuais de 50,0%. No Paraguai, antecipação da vacina e melhoras das condições macroeconômicas internas, ambas com percentuais de 66,7%, explicam o resultado para o país. Na Argentina, onde a diferença entre os que revisaram para cima (57,1%) e os que revisaram pra baixo (42,9%) foi menor que a dos outros países desse grupo, destacam-se as condições macroeconômicas internacionais.

O Brasil lidera o ranking do grupo de especialistas que fizeram a revisão para baixo do PIB. No caso do Brasil, a segunda onda de Covid-19 (87,5%), o ambiente político (87,5%) e a demora na vacinação (75,0%) foram destacados. A segunda onda de Covid-19 também é ressaltada nos casos da Colômbia, México, Peru, Equador e Uruguai.

Novas medidas de estímulo contribuíram pouco para revisões para cima do PIB (apenas a Bolívia, em que o fator foi citado por 50,0%) e a eleição de Biden só teve repercussão relevante no México (100%), seguida do Chile (40%).

Em suma, a segunda onda de Covid-19, a avaliação se a vacinação começou mais cedo ou não, são os fatores mais lembrados como relevantes para as revisões de PIB em 2021, seguidas do ambiente político e macroeconômico.

(Redação – Investimentos e Notícias)