Balança reflete o baixo dinamismo da economia mundial

  •  
Balança reflete o baixo dinamismo da economia mundial (Foto:Divulgação) Balança reflete o baixo dinamismo da economia mundial

Durante o mês de setembro pioraram as expectativas quanto aos rumos do comércio mundial com o aumento das tensões da guerra comercial China e Estados Unidos e as incertezas sobre o desfecho para o Brexit, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). 

Nesse contexto, o Fundo Monetário Internacional projetou para 2019 um aumento de 3% para o produto mundial e de 1,1% para o volume do comércio mundial, uma queda de 1,4 pontos percentuais em relação à projeção realizada em julho. No momento, ainda é prematuro considerar uma reversão desse quadro com o recente anúncio de uma possível trégua na guerra entre a China e os Estados Unidos e do término das negociações do Brexit na Comissão Europeia. A China não endossou expectativas otimistas e o resultado do Brexit precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e o britânico.

A desaceleração do comércio mundial junto com a crise argentina aponta para um quadro não favorável à expansão das exportações do país. O que mostram os dados da balança comercial até setembro.

Na comparação, em valor, entre os meses de setembro 2018/2019, as exportações recuaram 2,3% e as importações cresceram 16,8%. No acumulado do ano até setembro, as exportações caíram 5,6% e as importações, 1,3%. O saldo da balança comercial foi de US$ 33,6 bilhões, um valor inferior ao acumulado no ano até setembro de 2018, US$ 41,7 bilhões.

Observa-se que o efeito plataforma influencia os resultados, como ocorreu no mês de agosto. Com a exclusão das plataformas, as importações cresceram 4,7% e as exportações recuaram 10,1% na comparação mensal em valor. As trocas nos fluxos de plataformas sugerem, portanto, operações de caráter contábil para adequação das novas normas do regime REPETRO.

Os dados de volume registraram aumento de 1,5% nas exportações e de 25,3% nas importações entre os meses de setembro. Excluindo as plataformas, entretanto, as exportações recuam 6,6% e o aumento nas importações diminui para 12,3% na comparação mensal. Ressalte-se, o aumento no volume exportado de bens duráveis de consumo em 12%, após meses de quedas sucessivas. No acumulado, as exportações recuam 1,1% e as importações, 2,4% e sem as plataformas, os percentuais são de queda de 0,5% para as exportações e aumento de 4,8% nas importações.

Entre os três principais produtos exportados no mês de setembro, caiu o volume das vendas de minério de ferro e da soja e aumentou em 1,6%, as de óleo bruto de petróleo. Chamou atenção, o aumento do valor exportado do milho em grão (o quarto principal produto, quando se exclui as plataformas) em 85% liderado por um aumento no volume de 94%. Problemas na agrícola do milho nos Estados Unidos permitiram vendas até para o México, um fato excepcional.

No caso das importações, excluindo as plataformas sobressaíram as compras de óleos combustíveis que aumentaram 118% (aumento de 163% no volume) entre os meses de setembro.

Nos quatro mercados analisados através dos índices de comércio exterior, foi registrada queda no volume vendido nas vendas para os Estados Unidos, Argentina e China. O aumento de 50% nas exportações para a União Europeia é explicada pelas plataformas de petróleo.

O desempenho das commodities, que explicam cerca de 60% das exportações brasileiras registrou queda no volume (-3,4%) e nos preços (-4,9%) na comparação mensal e aumento no volume (2,3%) e queda nos preços (-4,4%) na comparação do ano até setembro. A projeção do FMI é de queda nos preços do petróleo em 2019 e 2020 e de um aumento de 0,9% e de 1,7% para esses anos em relação às outras commodities. Não é um bom sinal para as exportações brasileiras.

Por último, os termos de troca que estavam registrando uma tendência de alta suave, desde janeiro, caíram 2,6% entre agosto e setembro. 

(Redação – Investimentos e Notícias)