Mulheres poderiam acrescentar US$ 850 bi ao PIB brasileiro com fim da desigualdade de gênero

Eliminar diferenças entre homens e mulheres adicionaria US$ 28 trilhões à economia mundial em 10 anos, mostra estudo da McKinsey & Company Foto: Divulgação Eliminar diferenças entre homens e mulheres adicionaria US$ 28 trilhões à economia mundial em 10 anos, mostra estudo da McKinsey & Company

O Dia Internacional da Mulher é comemorado como marco dos avanços em direção à igualdade entre gêneros. Nesse dia, torna-se ainda mais relevante levantamento que mostra que o fim da desigualdade poderia adicionar até US$ 28 trilhões nos próximos dez anos ao PIB global. Apenas no Brasil, que apresenta níveis intermediários de diferenças entre homens e mulheres, o aumento seria de US$ 850 bilhões, mostra o estudo The Power of Parity, do McKinsey Global Institute (MGI).

O levantamento mostra, ainda, que US$ 12 trilhões poderiam ser acrescentados ao PIB global em dez anos apenas com a redução da desigualdade aos níveis regionais de excelência existentes hoje. Atingir essa meta, mais próxima que a igualdade plena, exigiria apenas que países se equiparassem às nações com melhor desempenho em suas próprias regiões.

O setor privado, em conjunto com governos, terá papel fundamental na eliminação das diferenças entre sexos, mostra o estudo. Afinal, é no mercado de trabalho que a desigualdade é mais evidente. A disparidade entre salários de homens e mulheres num mesmo cargo é alta ou muito alta na maioria dos países onde a pesquisa foi realizada. O mesmo acontece em relação a mulheres em cargo de liderança nas empresas.

A McKinsey examinou 75 tipos de intervenções que podem ajudar no combate à desigualdade e mais de 150 casos em todo o mundo. Seis tipos específicos de intervenções são necessárias para promover a igualdade: incentivos e apoio financeiro, tecnologia e infraestrutura, criação de oportunidades econômicas, capacitação, atitudes construtivas e leis, políticas e regulações. Muitas delas caem na esfera de atuação do setor privado, seja pelas próprias empresas ou em parceria com governos e organizações não governamentais. A contrapartida para as empresas é a possibilidade de estabelecer um novo patamar de crescimento e desenvolvimento para suas próprias operações.

A McKinsey, para elaborar o estudo, analisou 15 indicadores de desigualdade econômica, social e política, que deram origem a um novo índice, o Gender Parity Score (GPS). Ele avalia o nível das diferenças entre homens e mulheres e apontou que ainda há muito a se fazer em todo o mundo – inclusive em mercados desenvolvidos. No Brasil, a desigualdade é alta ou muito alta em 8 dos indicadores do GPS, em especial os que avaliam a diferença entre salários, o número de mulheres em trabalho não-remunerado e a representatividade política.

O Brasil recebeu nota 0,66 (quanto mais perto de 1, melhor), que se compara à marca de 0,79 da Noruega, país com melhor pontuação, e de 0,37 do Paquistão, o pior da lista. Na América Latina, a situação não é diferente: na média, a região obteve nota de 0,65.

(Redação - Agência IN)